O prefeito de Jundiaí Luiz Fernando Machado pode estar prestes a deixar o PSDB, partido ao qual é filiado há 19 anos, para ocupar um lugar no PL, mesma sigla do ex- -presidente, Jair Bolsonaro, que apoiou nas eleições de outubro do ano passado. Pelo menos é o que aponta a imprensa nacional, que repercutiu, no último domingo (21), uma onda de migrações de figuras políticas do PSDB em meio à crise tucana.
Procurado para confirmar a informação, o chefe do Executivo jundiaiense não concedeu entrevista ao JJ devido a uma agenda que precisou cumprir na capital paulista. A reportagem também tentou contato com a presidência do PL, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.
Ao jornal Valor Econômico, no entanto, Luiz foi enfático ao dizer que “o PSDB perdeu sua identidade”, e que os filiados da sigla agora estão “sem horizonte”. O prefeito se refere a um movimento cada vez mais de lideranças tucanas em São Paulo, onde um comando de 28 anos do PSDB tem dado lugar a cada vez mais saídas de prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e pré-candidatos às eleições de 2024 em direção a partidos que têm conexão com o governo estadual, como o PL, PSDB, PP e o Republicanos de Tarcísio de Freitas.
Ele também conversou com o jornal O Estado de São Paulo, para o qual afirmou que vem mantendo um diálogo com o PL, e que acredita que os partidos de centro-direita vão ter sucesso na eleição para prefeitos em 2024.
Recentemente, diferentes figuras políticas ouvidas no programa “Difusora 360”, que faz parte do Grupo JJ de Comunicação, têm sinalizado para o enfraquecimento do PSDB e, consequentemente, para planos a médio prazo de se consolidar em outro partido. É o caso, por exemplo, do vereador Faouaz Taha, que afirmou ter recebido convites de outras siglas e que já se planeja com firmeza para deixar o PSDB.
O próprio irmão de Luiz Fernando, o empresário e escritor Fred Machado, participou do programa no início de abril e declarou que planeja um novo pleito como deputado federal, cargo ao qual se candidatou no ano passado, mas disse que reconhece a perda de força do PSDB - inclusive como um dos fatores que tem bloqueado a chegada de lideranças da região de Jundiaí para a Assembleia Legislativo do Estado de São Paulo (Alesp) e para a Câmara de Deputados.
Na opinião dele, o embate histórico entre o PT de Lula e o PL de Bolsonaro nas eleições presidenciais aprofundou o distanciamento da população da sigla tucana - que atualmente também representa minoria nos parlamentos paulista e federal.
No começo de 2022, o PSDB administrava 40% das cidades paulistas, com cerca de 250 prefeitos. A crise do partido foi agravada com o processo de prévia nacional, no fim de 2021, que opôs o então governador João Doria e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, na disputa para definir o candidato à Presidência.
Apesar da vitória de Doria, ele desistiu de concorrer por falta de apoio na direção nacional, e meses depois deixou o PSDB. Ainda ao Valor, o prefeito de Jundiaí declarou que a sigla tucana encara como dificuldade o fato de o eleitor do interior paulista ser conservador, e que ele “não reconhece mais o partido, sobretudo depois da saída de Alckmin” para aliar-se a Lula. Segundo ele, esse eleitorado tende a apoiar quem está com Tarcísio e Bolsonaro.