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Polícia acha peças duvidosas em desmanche de Jundiaí, durante megaoperação estadual

Por Fábio Estevam | Polícia
| Tempo de leitura: 4 min
POLÍCIA CIVIL
O dono do local já havia sido autuado neste ano pelo mesmo delito
O dono do local já havia sido autuado neste ano pelo mesmo delito

Policiais do 5º DP deram uma batida em um desmanche de veículos na região do bairro Retiro, em Jundiaí, na tarde desta quarta-feira (26), e descobriram no local centenas de peças à venda sem identificação, ou seja, de origem duvidosa. A ação policial fez parte da segunda fase da Megaoperação Box 2, em conjunto com o Detran-SP,  em todo o estado de São Paulo, que visa combater os desmanches ilegais e os roubos de carga. No total 161 pessoas foram presas e 206 veículos que haviam sido furtados ou roubados, foram recuperados.

Os investigadores Vanessa, Gustavo e Roberto, chefiados por Teixeira e supervisionados pelo delegado Carlos Eduardo Barbosa Soares, foram a alguns desmanches na cidade e, em um comércio na zona Oeste da cidade , no bairro do Retiro, "foi constatado que havia centenas de peças de veículos usadas, que estavam sendo comercializadas e expostas, oriundas de desmanche/sucata, mas sem a devida identificação exigida por lei para sua rastreabilidade", disse Teixeira, que completou. "Com relação às peças, o proprietário disse aos policiais que as adquire licitamente, e que com relação aos selos obrigatórios, ainda não teria tido tempo hábil de colar nas peças, mesmo estando trabalhando pelo local há mais de um ano e já ter sido autuado no mês de fevereiro deste ano pelo mesmo motivo."

Por tais razões, o comerciante deverá responder pelo crime contra as relações de consumo, insculpido no Artigo 7º, II da Lei 8.137/1990. "Tendo em vista o alarmante número de furtos e roubos de veículos ocorridos em nossa região, tais diligências realizadas pelos policiais civis visam o combate à comercialização de peças veiculares que são produtos de ilícito penal, com intuito de coibir o comércio de peças ilegais e consequentemente o furto e roubo de veículos na região", comentou o investigador-chefe.

COMO FAZER

Os policiais esclareceram que existe uma forma de aquisição de peças veiculares e motocicletas, bem como uma forma de coloca-las à venda de forma segura ao consumidor. No instante em que o comerciante adquire peças, ou mesmo veículo ou motocicleta completa de um leilão, recebe uma nota fiscal com todas as especificações (número de chassi, motor e assim por diante).

Tais peças, usualmente, são vendidas como sucata e desta forma, poderá ser promovido o seu desmonte com a finalidade de comercialização das peças usadas, com exceção daquelas que a lei proíbe, como por exemplo, freios.

Com o desmonte de peças, o comerciante deve, antes de colocar à venda, cadastrar todas as pesas junto ao Detran, fazendo a correspondência entre nota fiscal e selos obrigatórios (os quais são fornecidos por prestadora de serviços do Detran ao comerciante). Com o devido cadastro, a peça é etiquetada e desta forma, é garantida de rastreabilidade das peças de motocicleta ou veículo, possibilitando que o consumidor, ao adquirir aquela peça, possa consultar o código de barra ou número do selo, conhecer a origem da peça.

NO ESTADO

Durante a operação, que aconteceu em todo o estado, 161 pessoas foram presas e 206 veículos furtados ou roubados, foram recuperados. A ação foi coordenada pelo Programa de Prevenção e Redução dos Furtos (Procarga), do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), e contou com mais de 450 polícias civis, 1,3 mil militares, além de 196 agentes do Detran. Os policiais contaram com o assessoramento do Detran, que foi o responsável por compartilhar as informações sobre quais locais não possuíam credenciamento ou atuavam em situação irregular. Ao todo, 543 estabelecimentos, entre loja de vendas de peças e desmanches de veículos, foram fiscalizadas, sendo 47 lacrados. Também foram apreendidas mais de 9,9 mil peças e vistoriados mais de 1,4 mil veículos, tendo sido recolhidas 32 motocicletas e 12 carros.

Além de combater o desmanche ilegal e a receptação de peças de veículos roubados, a ação também atuou para coibir os roubos de carga. “No passando, as quadrilhas visavam apenas a carga. Hoje, como o valor agregado do caminhão é alto, eles aproveitam também para fazer o desmonte do veículo. Ou seja, em uma ação, nós estamos combatendo três tipos de delito”, ressaltou o doutor Oswaldo Diez, coordenador do Procarga.

Em uma das ações, os policiais também conseguiram apreender um aparelho inibidor de sinal. “Depois de roubar o caminhão, eles acionam este equipamento, que corta o sinal rastreador do veículo”, explicou o dr. Fábio Pinheiro Lopes, diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). “Os criminosos estão sempre mudando o modo de agir, mas as investigações sempre avançam para que eles sejam presos”, enfatizou.

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