JUNDIAÍ

Família denuncia violência policial em abordagem e PM nega; delegado pede investigação

Por Fábio Estevam | Polícia
| Tempo de leitura: 4 min
REPRODUÇÃO
Momento em que os PMs são cercados, e que, segundo a denunciante, as agressões acontecem
Momento em que os PMs são cercados, e que, segundo a denunciante, as agressões acontecem

Policiais militares do 11º Batalhão de Jundiaí serão investigados pela Polícia Civil do 5º DP, a partir desta semana, por suspeita de excesso em suas condutas durante uma ocorrência em que detiveram três homens - um de 20 anos e dois de 19 -, por desacato, lesão corporal e resistência à prisão, no Jardim Novo Horizonte (Varjão), em Jundiaí, na noite deste sábado (4). A determinação foi feita pelo delegado Leonardo Pontes Montenegro, do Plantão Policial, após receber denúncia da irmã (23 anos) e mãe (44) de um dos detidos, de que os PMs foram violentos durante a abordagem aos suspeitos e também contra elas - inclusive com agressões.

A Polícia Militar, por meio de assessoria de imprensa do Batalhão, negou a violência, alegando ter feito uso de força moderada para deter e conter os suspeitos, após eles terem feito parte de um grupo de pelo menos 100 pessoas, que os cercaram e passaram a arremessar garrafas, outros objetos e também a ofendê-los (leia mais ao final do texto).

COMO FOI

De acordo com o Boletim de Ocorrência e outras informações apuradas pela reportagem, era por volta das 19h30 quando uma equipe da PM abordou um homem em atitude suspeita, e pediu apoio a policiais da Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicleta (Rocam) - que é um procedimento padrão. Após a averiguação - que não constou nada de ilícito - e liberação da pessoa abordada, a equipe que havia feito a abordagem e pedido apoio, deixou o local. Minutos depois, foi a vez dos agentes da Rocam voltarem ao patrulhamento. Porém, segundo a versão dos policiais, quando os policiais de moto se prepararam para ir embora, algumas pessoas começaram a ofendê-los, e uma garrafa foi arremessada contra eles.

Enquanto buscavam identificar visualmente aqueles que estavam xingando e atirando objetos, os policiais solicitaram apoio. Pouco depois chegaram ao local três equipes de Força Tática do Pelotão Fechado do turno, que, em apoio à Rocam, deram início às abordagens aos suspeitos pré-identificados. Neste momento, cerca de 100 pessoas (de acordo com os policiais), se juntaram e cercaram as equipes, partindo para cima dos policiais, tentando possivelmente impedir que os detidos fossem conduzidos à delegacia.

Com a população inflamada, os PMs acuados, e situação fugindo ao controle, eles então passaram a fazer disparos de balas de borracha e granadas de gás, luz e som para dispersar a multidão. Um homem, que estava saindo de um bar e se preparava para jogar um objeto, foi alvejado na perna por um dos disparos - ele precisou ser levado a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), e depois foi para a delegacia, se juntando a mais quatro detidos - no histórico do BO, a que o JJ teve acesso, consta que cinco pessoas, no total, foram detidas. Porém, apenas três foram qualificadas, o de 20 anos e os dois de 19.

IRMÃ E MÃE DE UM DELES

Enquanto a ocorrência de resistência à prisão, desacato e lesão corporal estava sendo registrada, contra os detidos, a mãe e irmã de um deles chegaram à delegacia e pediram para serem ouvidas pelo delegado. Em seus depoimentos, elas contaram que, ao saberem da confusão, e que o familiar estava sendo detido, elas se foram ao local e flagraram quando ele estava sendo enforcado por um policial. A irmã, então, questionou se o irmão estava sendo detido por ser "preto e pobre", momento em que, ela e sua mãe, foram empurradas por uma policial feminina. Ainda de acordo com ela, essa mesma PM feminina lhe deu dois socos no rosto, enquanto sua mãe foi jogada ao chão por outro militar.

O JJ teve acesso, também, a um vídeo feito por um morador, que mostra o momento em que os PMs são cercados. Apesar da escuridão, é possível ver um confronto, sem, contudo, poder identificar a intensidade e os policiais e populares envolvidos. Segundo a irmã do detido, que conversou com a reportagem, mas preferiu não se identificar, é neste momento que ela e a mãe estão sendo agredidas.

DELEGADO

Por conta dessas denúncias, o delegado determinou: "devido às versões controvertidas, os fatos relatados por mãe e filha, excesso na conduta dos policiais deverão ser apuradas pela delegacia com atribuições nas investigações, não sendo possível, no momento, definir uma tipificação legal". Dessa forma, o caso está sendo encaminhado para o 5º DP, tanto para investigação dos três suspeitos - pelos crimes imputados a eles, contra os policiais -, como também para apurar suposta violência policial.

Também no Boletim de Ocorrência, assinado pelo delegado, os detidos informam que não foram lesionados pelos policiais. Todos, inclusibe, foram liberados após registro da ocorrência.

PM

A reportagem procurou a assessoria de imprensa do 11º Batalhão, que ratificou as informações do BO: "a Rocam acionou apoio por estarem sendo cercados, e a Força Tática chegou. Ao deterem suspeitos, a população se aglomerou e investiu contra os agentes, sendo necessário uso de armas não letais, até o controle total da situação, detenção e condução dos suspeitos ao Plantão Policial."

NOTA JJ: Pelo fato de a denunciante ter pedido sigilo de seu nome, o JJ não divulgará o vídeo, em que ela alega aparecer com a mãe. Inclusive, a reportagem informa que ela (irmã), também gravou vídeos, tanto no local, quando na delegacia, e que chegou a postá-los no facebock - a reportagem também assistiu a ambos. Porém, segundo ela, as imagens foram retiradas, por decisão da família.

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