Durante operação contra uma família suspeita de tráfico de drogas no bairro Bonfim, em Cabreúva, na manhã desta quinta-feira (13), policiais da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Jundiaí acharam uma carta com ordens de dentro da cadeia, para que traficantes nas ruas cobrassem 'acertos' e realizassem julgamentos pelo 'tribunal do crime' - feitos pela facção Primeiro Comando da Capital (PCC). Os julgamentos, de acordo com a carta, deveriam ser feitos em local conhecido como 'torneira', no Jardim São Camilo, em Jundiaí.
De acordo com o delegado titular da Dise Marcel Fehr, a carta diz: 'quem está recebendo esta carta deve procurar 'tais pessoas', vocês sabem quem são, para pegar o dinheiro para pagar o advogado da gente que está preso aqui, 'segurando o BO'. E se essas pessoas que assumiram o compromisso de pagar o advogado e mandar mantimentos pra gente, não derem o dinheiro, elas devem ser levadas para julgamento na 'torneira'. Fehr explicou que a 'torneira' é um local dominado pelo tráfico no Jardim São Camilo.
A Polícia Civil vai investigar sobre a data da carta e seu conteúdo.
A OPERAÇÃO
Depois de dois meses de investigações, que contaram com algumas prisões em flagrante por tráfico de drogas em Cabreúva, os policiais civis constataram que o armazenamento e venda de entorpecentes estava ocorrendo em uma casa, onde vive uma família, e que os 'clientes' eram atendidos por uma fresta do portão.
Foi requerido mandado de busca domiciliar, deferido pelo Judiciário, e na manhã desta quinta-feira os agentes saíram em operação.
No local eles apreenderam, além da carta, um tijolo de maconha, 358 tubetes com cocaína, 388 com K2, maconha e K2 a granel, 1 litro de lança-perfume e 2.200 tubetes vazios para acondicionamento de drogas.
Um homem foi preso em flagrante por tráfico de drogas, associação ao tráfico e organização criminosa, assim como seu irmão, de 16 anos, foi apreendido pelos mesmos crimes. A mãe deles, que também é investigada, não estava presente e sua prisão foi requerida à Justiça. Nenhum deles possui passagem pela polícia e nem ocupação lícita comprovada.