12 de agosto de 2026
COMBATE AO TRÁFICO

Helicópteros apreendidos do tráfico podem virar armas da polícia

Por Redação/JP1 |
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
o grupo utilizava helicópteros para transportar e buscar entorpecentes em regiões próximas às fronteiras do país.

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou à Justiça, nesta terça-feira (11), seis pessoas suspeitas de integrar uma organização envolvida com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro em Piracicaba. Segundo a investigação, o grupo utilizava helicópteros para transportar e buscar entorpecentes em regiões próximas às fronteiras do país.

Além da responsabilização dos acusados, a Promotoria de Justiça Criminal de Piracicaba solicitou que duas aeronaves apreendidas durante a investigação sejam destinadas de maneira definitiva ao Estado para utilização pelas forças de segurança.

Helicópteros já são usados pela polícia

Os dois helicópteros foram apreendidos em julho de 2020 e, desde então, passaram a ser utilizados provisoriamente por órgãos de segurança pública.

As aeronaves são:

Eurocopter AS350 B2: atualmente utilizado pela Polícia Civil de São Paulo.
Robinson R66: empregado pelo Centro Integrado de Operações Aéreas do Tocantins (CIOPAER).

O pedido apresentado pelo Ministério Público busca transformar a utilização provisória dos helicópteros em uma destinação definitiva para as forças policiais.


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Como a quadrilha atuava

As investigações tiveram início no final de 2019 e foram conduzidas pela Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes de Americana, com apoio de setores de inteligência. Conforme o MP-SP, os investigadores identificaram deslocamentos frequentes do grupo entre municípios paulistas e Mato Grosso do Sul, em uma área próxima à fronteira com o Paraguai.

A estrutura aérea era utilizada para dar suporte à logística do tráfico de drogas. A operação que resultou na apreensão dos helicópteros ocorreu em 27 de julho de 2020.

Na ocasião, o Robinson R66 pousou em Piracicaba transportando R$ 5 mil em dinheiro, telefones via satélite e documentos. O Eurocopter AS350 B2, apontado na investigação como uma espécie de apoio aéreo ao primeiro helicóptero, foi interceptado em um heliponto de Carapicuíba (SP).

Dinheiro do tráfico era ocultado

Segundo o Ministério Público, a organização criminosa também mantinha uma estrutura destinada a esconder a origem dos recursos obtidos ilegalmente. A estratégia teria sido utilizada para permitir a aquisição e manutenção de aeronaves de alto valor sem despertar a atenção das autoridades.

A investigação identificou ainda o uso de pessoas interpostas, conhecidas como “laranjas”, além de empresas de fachada. Embora registradas formalmente, essas empresas não apresentariam atividade econômica compatível com a movimentação financeira e a aquisição dos helicópteros.

O que os denunciados podem responder

Com a denúncia apresentada à Justiça, os seis investigados passaram a responder por diferentes crimes, conforme a participação atribuída a cada um.

Dois denunciados: associação para o tráfico de drogas, com agravante pelo uso de aeronaves, além de lavagem de dinheiro.
Quatro denunciados: lavagem de dinheiro, por suposta atuação na ocultação dos bens ligados ao esquema.

O Ministério Público também pede que os helicópteros sejam incorporados definitivamente ao patrimônio do Estado e permaneçam à disposição das forças de segurança.