O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou à Justiça, nesta terça-feira (11), seis pessoas suspeitas de integrar uma organização envolvida com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro em Piracicaba. Segundo a investigação, o grupo utilizava helicópteros para transportar e buscar entorpecentes em regiões próximas às fronteiras do país.
Além da responsabilização dos acusados, a Promotoria de Justiça Criminal de Piracicaba solicitou que duas aeronaves apreendidas durante a investigação sejam destinadas de maneira definitiva ao Estado para utilização pelas forças de segurança.
Os dois helicópteros foram apreendidos em julho de 2020 e, desde então, passaram a ser utilizados provisoriamente por órgãos de segurança pública.
As aeronaves são:
Eurocopter AS350 B2: atualmente utilizado pela Polícia Civil de São Paulo.
Robinson R66: empregado pelo Centro Integrado de Operações Aéreas do Tocantins (CIOPAER).
O pedido apresentado pelo Ministério Público busca transformar a utilização provisória dos helicópteros em uma destinação definitiva para as forças policiais.
VEJA MAIS:
As investigações tiveram início no final de 2019 e foram conduzidas pela Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes de Americana, com apoio de setores de inteligência. Conforme o MP-SP, os investigadores identificaram deslocamentos frequentes do grupo entre municípios paulistas e Mato Grosso do Sul, em uma área próxima à fronteira com o Paraguai.
A estrutura aérea era utilizada para dar suporte à logística do tráfico de drogas. A operação que resultou na apreensão dos helicópteros ocorreu em 27 de julho de 2020.
Na ocasião, o Robinson R66 pousou em Piracicaba transportando R$ 5 mil em dinheiro, telefones via satélite e documentos. O Eurocopter AS350 B2, apontado na investigação como uma espécie de apoio aéreo ao primeiro helicóptero, foi interceptado em um heliponto de Carapicuíba (SP).
Segundo o Ministério Público, a organização criminosa também mantinha uma estrutura destinada a esconder a origem dos recursos obtidos ilegalmente. A estratégia teria sido utilizada para permitir a aquisição e manutenção de aeronaves de alto valor sem despertar a atenção das autoridades.
A investigação identificou ainda o uso de pessoas interpostas, conhecidas como “laranjas”, além de empresas de fachada. Embora registradas formalmente, essas empresas não apresentariam atividade econômica compatível com a movimentação financeira e a aquisição dos helicópteros.
Com a denúncia apresentada à Justiça, os seis investigados passaram a responder por diferentes crimes, conforme a participação atribuída a cada um.
Dois denunciados: associação para o tráfico de drogas, com agravante pelo uso de aeronaves, além de lavagem de dinheiro.
Quatro denunciados: lavagem de dinheiro, por suposta atuação na ocultação dos bens ligados ao esquema.
O Ministério Público também pede que os helicópteros sejam incorporados definitivamente ao patrimônio do Estado e permaneçam à disposição das forças de segurança.