Uma carta que teria sido escrita por Alberto Nunes Rodrigues Neto antes de ser preso, em 10 de agosto, apresenta a versão dele sobre o ataque que resultou na morte de Thainara Aparecida Almeida dos Reis, de 22 anos, e deixou Jéssica Gomes dos Santos, de 26 anos, ferida. O documento foi deixado com familiares e chegou ao conhecimento integral da defesa, segundo os advogados, somente neste mês.
O que Alberto relata
Na carta, Alberto afirma que conversou por ligação pelo WhatsApp com a sua ex-companheira Jéssica dias antes do crime. Segundo ele, ela teria contado que estava sendo ameaçada por Thainara, com quem mantinha um relacionamento, depois que a suposta traição foi descoberta.
Ainda conforme o relato, a mulher teria ameaçado revelar o relacionamento caso Jéssica não terminasse com Alberto e permanecesse com ela. O acusado afirma que Jéssica demonstrava preocupação com a reação dos pais, familiares e outras pessoas.
Segundo Alberto, Jéssica teria dito que precisava de uma “prova de amor” para que os dois voltassem a ficar juntos. Na sequência, de acordo com a versão apresentada por ele, ela teria sugerido que os dois matassem Thainara.
Alberto relata que Jéssica teria elaborado um plano para atrair a mulher novamente até o apartamento. No dia do crime, ele afirma que foi até o imóvel e encontrou Jéssica e Thainara no local.
Segundo o acusado, Thainara estava dormindo. Ele afirma que, depois de ser acordada, houve uma discussão seguida de luta corporal. Alberto relata que passou a agredi-la e que, durante a confusão, Jéssica também teria participado.
Na versão apresentada na carta, Jéssica teria perguntado se Alberto iria “terminar o que havia começado” e teria entregado uma machadinha a ele. Depois, segundo o relato, ela teria dito que os vizinhos poderiam ter ouvido os gritos e orientado Alberto a deixar o local e fugir.
Mensagens após o crime
Além da carta, mensagens atribuídas a Jéssica e enviadas a Alberto no mesmo dia da morte de Thainara também são citadas no caso.
Segundo o conteúdo apresentado, às 2h45, depois do ocorrido, Jéssica teria enviado a Alberto a mensagem. “Não fala nada com a minha família, não.”
Horas depois, às 11h34, ela teria enviado uma segunda mensagem. “Não sei onde anda, mas precisava que você pedisse uma autorização de mudança. Vou vender a máquina, as coisas de Heitor para mim ter um dinheiro.”
As mensagens foram enviadas após o ataque e ainda no mesmo dia da morte de Thainara. O conteúdo deverá ser confrontado com os demais elementos da investigação.
Defesa diz que caso pode ter novos elementos
Em nota de esclarecimento, a defesa de Alberto afirma que tomou conhecimento integral dos fatos somente em 4 de agosto de 2026. Segundo os advogados, até então, Alberto teria omitido parte das informações porque queria preservar a genitora de seu filho.
A defesa afirma que, depois de perceber que fatos relevantes poderiam ter sido distorcidos, Alberto autorizou os advogados a terem acesso à carta deixada com um de seus irmãos.
Segundo os defensores, o documento apresenta novos elementos sobre o caso e, diante da gravidade das informações, pode alterar a dinâmica do processo.
A defesa ressalta, porém, que os fatos ainda precisam ser investigados pelas autoridades competentes, sem antecipação de conclusões.
A carta apresenta exclusivamente a versão de Alberto sobre os acontecimentos. As mensagens e os demais elementos do caso ainda deverão ser analisados e confrontados com as provas reunidas durante a investigação.
Defesa de Jessica
O Portal GCN procurou Jéssica por telefone para obter um posicionamento sobre o conteúdo apresentado. Ela atendeu à ligação, confirmou sua identidade e, em seguida, desligou.
O advogado de defesa de Jéssica também foi procurado pelo GCN e informou que conversaria com ela para obter um posicionamento. Segundo o defensor, porém, Jéssica não respondeu aos contatos até o fechamento deste texto.
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