DEPOIMENTO À POLÍCIA

'Não é judiar', diz domador suspeito de agredir boi em Rifaina

Por | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Sampi/Franca
GCN
Airton Rosa de Andrade, domador suspeito de agredir boi, ao lado do advogado Jeber Garcia
Airton Rosa de Andrade, domador suspeito de agredir boi, ao lado do advogado Jeber Garcia

O domador Airton Rosa de Andrade prestou depoimento à Polícia Civil nesta quarta-feira, 19, em Franca, durante a investigação sobre um suposto caso de maus-tratos contra um boi registrado durante uma cavalgada em Rifaina, no dia 28 de julho. Imagens do episódio circularam nas redes sociais e provocaram repercussão entre moradores da região.

Airton é o homem que aparece nas imagens ao lado do animal. No vídeo, o boi está deitado no asfalto e aparenta ter dificuldade para se levantar. Em determinado momento, ele é puxado e recebe um contato com o pé enquanto permanece no chão. Outras pessoas também tentam fazê-lo seguir o percurso.

Em depoimento, o domador afirmou que os movimentos registrados nas imagens fazem parte do procedimento utilizado para conduzir e ensinar o animal. “É o procedimento normal de um animal. Porque o boi é manso daquele jeito mesmo. É no toque, não é no chute. É toque, é doma da amizade”, afirmou.

Segundo Airton, o contato com o pé não teria como objetivo machucar o animal, mas orientá-lo. Ele explicou que, como segurava as rédeas, utilizou o pé para fazer os comandos. “Aquilo que pensa que é um chute é o toque. Você toca para o animal deitar, toca com o pé também para ele levantar”, disse.

O domador também afirmou que trabalha com doma há 18 anos e que possui experiência com diferentes tipos de animais.

Airton contou ainda que ficou constrangido ao tomar conhecimento da repercussão das imagens e ao ser chamado para prestar esclarecimentos à Polícia Civil. “Eu fiquei com muita vergonha, porque é uma coisa que não deveria nem acontecer. Então, nem gosto de comentar essas coisas. Já foi explicado o que vem fazendo com os animais, mas não é judiar, não. Quem entende, sabe. Agora, quem não entende pode falar o que quiser, mas não julga, não”, concluiu.

Advogado diz que depoimento foi tranquilo

O advogado Jeber Garcia, que acompanhou Airton, afirmou que o depoimento ocorreu de forma tranquila. Segundo ele, a própria Polícia Civil registrou o boletim de ocorrência após a repercussão das imagens. “O próprio boletim de ocorrência foi iniciado pela própria polícia, mesmo devido à expansão, ao alcance do vídeo e ao clamor popular”, disse.

Segundo o advogado, além de Airton, também foram ouvidos o proprietário do animal e outro homem que aparece no episódio. Ele afirmou que essa outra pessoa já havia sido ouvida em Rifaina.

Garcia também destacou que, segundo a defesa, o boi não era um animal jovem e que Airton já conhecia o comportamento dele. “É um boi que tem mais de três anos de idade. Então, aquele toque, para nós, representa algo realmente estarrecedor. Porém, o senhor Airton é quem domou aquele animal, desde bezerrinho. Então, ele já sabia como lidar com o animal”, disse.

Sobre o contato que aparece nas imagens e que foi interpretado como um chute, Garcia afirmou que pessoas familiarizadas com a atividade teriam apresentado uma interpretação diferente. “O próprio investigador já disse que já ouviu outras pessoas que conhecem o trato que se dá numa doma e que é daquela forma mesmo. Então, para nós, que não nos damos com isso no dia a dia, é assustador. Mas para eles que trabalham nessa área, é o normal”, declarou.

Investigação

A Polícia Civil continua apurando o caso e trabalha para esclarecer as circunstâncias do episódio e identificar todos os envolvidos.

Até o momento, não há conclusão oficial de que tenha ocorrido crime de maus-tratos. Também não foram divulgadas informações sobre o estado de saúde do boi após a cavalgada.

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