O domador Airton Rosa de Andrade prestou depoimento à Polícia Civil nesta quarta-feira, 19, em Franca, durante a investigação sobre um suposto caso de maus-tratos contra um boi registrado durante uma cavalgada em Rifaina, no dia 28 de julho. Imagens do episódio circularam nas redes sociais e provocaram repercussão entre moradores da região.
Airton é o homem que aparece nas imagens ao lado do animal. No vídeo, o boi está deitado no asfalto e aparenta ter dificuldade para se levantar. Em determinado momento, ele é puxado e recebe um contato com o pé enquanto permanece no chão. Outras pessoas também tentam fazê-lo seguir o percurso.
Em depoimento, o domador afirmou que os movimentos registrados nas imagens fazem parte do procedimento utilizado para conduzir e ensinar o animal. “É o procedimento normal de um animal. Porque o boi é manso daquele jeito mesmo. É no toque, não é no chute. É toque, é doma da amizade”, afirmou.

Segundo Airton, o contato com o pé não teria como objetivo machucar o animal, mas orientá-lo. Ele explicou que, como segurava as rédeas, utilizou o pé para fazer os comandos. “Aquilo que pensa que é um chute é o toque. Você toca para o animal deitar, toca com o pé também para ele levantar”, disse.
O domador também afirmou que trabalha com doma há 18 anos e que possui experiência com diferentes tipos de animais.
Airton contou ainda que ficou constrangido ao tomar conhecimento da repercussão das imagens e ao ser chamado para prestar esclarecimentos à Polícia Civil. “Eu fiquei com muita vergonha, porque é uma coisa que não deveria nem acontecer. Então, nem gosto de comentar essas coisas. Já foi explicado o que vem fazendo com os animais, mas não é judiar, não. Quem entende, sabe. Agora, quem não entende pode falar o que quiser, mas não julga, não”, concluiu.
Advogado diz que depoimento foi tranquilo
O advogado Jeber Garcia, que acompanhou Airton, afirmou que o depoimento ocorreu de forma tranquila. Segundo ele, a própria Polícia Civil registrou o boletim de ocorrência após a repercussão das imagens. “O próprio boletim de ocorrência foi iniciado pela própria polícia, mesmo devido à expansão, ao alcance do vídeo e ao clamor popular”, disse.
Segundo o advogado, além de Airton, também foram ouvidos o proprietário do animal e outro homem que aparece no episódio. Ele afirmou que essa outra pessoa já havia sido ouvida em Rifaina.
Garcia também destacou que, segundo a defesa, o boi não era um animal jovem e que Airton já conhecia o comportamento dele. “É um boi que tem mais de três anos de idade. Então, aquele toque, para nós, representa algo realmente estarrecedor. Porém, o senhor Airton é quem domou aquele animal, desde bezerrinho. Então, ele já sabia como lidar com o animal”, disse.
Sobre o contato que aparece nas imagens e que foi interpretado como um chute, Garcia afirmou que pessoas familiarizadas com a atividade teriam apresentado uma interpretação diferente. “O próprio investigador já disse que já ouviu outras pessoas que conhecem o trato que se dá numa doma e que é daquela forma mesmo. Então, para nós, que não nos damos com isso no dia a dia, é assustador. Mas para eles que trabalham nessa área, é o normal”, declarou.
Investigação
A Polícia Civil continua apurando o caso e trabalha para esclarecer as circunstâncias do episódio e identificar todos os envolvidos.
Até o momento, não há conclusão oficial de que tenha ocorrido crime de maus-tratos. Também não foram divulgadas informações sobre o estado de saúde do boi após a cavalgada.
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