Thalys Rafael Veiga, de 28 anos, teria matado o próprio amigo Mikael Santos Lima, de 29 anos, por causa de dívidas relacionadas ao vício em jogos de azar. A afirmação consta em manifestação do MP-SP (Ministério Público de São Paulo), que também aponta uma motivação financeira para o crime.
O MP-SP, por meio do procurador de Justiça Antonio Calil Filho, manifestou-se contrário à concessão de habeas corpus e de prisão domiciliar humanitária a Thalys. Acusado de assassinar Mikael e extorquir a família da vítima
No parecer emitido no final de julho, o órgão ministerial defendeu a manutenção da prisão preventiva para a garantia da ordem pública
Vício em jogos e motivação financeira
Conforme a denúncia do Ministério Público acolhida no processo, Thalys praticou o homicídio por motivo torpe, impulsionado pelo vício habitual em jogos de azar e com o objetivo de obter vantagem patrimonial indevida, além de se livrar de obrigações financeiras assumidas com a vítima
Documentos apresentados nos autos apontam que Thalys enfrentava graves dificuldades financeiras decorrentes dos jogos de azar
Este valor, segundo depoimento, teria sido emprestado a Thalys posteriormente.
Para o Ministério Público, a combinação das dívidas de jogo com os laços patrimoniais entre os dois motivou o acusado a exterminar a vida do amigo de longa data para quitar suas obrigações financeiras
Argumentos da defesa x posição do Ministério Público
A defesa de Thalys Rafael Veiga, representada pelo advogado Gilmar Machado da Silva, impetrou o pedido de habeas corpus sustentando que a preventiva perdeu o fundamento quando a acusação mudou de cárcere privado para homicídio qualificado e extorsão
O Ministério Público rejeitou integralmente a tese da defesa.
Segundo o MP, a alteração do tipo penal não esvazia a prisão. "Ao contrário, a localização do cadáver e a confirmação do homicídio qualificado reforçam ainda mais a gravidade concreta do crime e a necessidade de manter o réu preso"
Sobre a saúde mental do acusado, o MP destacou que diagnósticos prévios não concedem benefício automático de prisão domiciliar
O MP destacou que Thalys responde a outro processo criminal por crimes patrimoniais praticados com violência/grave ameaça (roubo e extorsão), o que evidencia comportamento violento e perigo social caso permaneça em liberdade
O procurador ainda destacou a insuficiência de Medidas Cautelares. Tornozeleira eletrônica ou recolhimento domiciliar foram classificados pelo MP como insuficientes perante a gravidade dos fatos
Diante de todos os pontos técnicos e das provas colhidas, o procurador Antonio Calil Filho opinou formalmente pelo indeferimento do habeas corpus
A reportagem apurou que, após a manifestação do MP-SP, a Justiça ainda não emitiu uma decisão sobre o pedido de soltura da defesa.
Relembre o crime e a extorsão contra a família
No dia 27 de maio, por volta das 12h15, Thalys saiu de Franca em um veículo VW/Gol, seguido por Mikael em sua motocicleta, em direção à rodovia que dá acesso ao município de Claraval (MG)
O corpo foi localizado em 3 de junho, em avançado estado de decomposição
Dois dias após o homicídio, em 29 de maio, Thalys passou a entrar em contato com os pais da vítima, Enon Justino de Lima e Mônica Pereira dos Santos Lima
A investigação da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) reuniu provas técnicas e periciais sólidas
Além disso, vestígios e sangue e amostras de grama compatíveis com a vegetação utilizada para esconder o corpo foram encontrados no carro do suspeito.
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