MP QUER ELE PRESO

Thalys era viciado em jogos e matou Mikael por dívida, diz MP

Por Hevertom Talles | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
Mikael Santos Lima e Thalys Rafael Veiga, em festa de aniversário do acusado
Mikael Santos Lima e Thalys Rafael Veiga, em festa de aniversário do acusado

Thalys Rafael Veiga, de 28 anos, teria matado o próprio amigo Mikael Santos Lima, de 29 anos, por causa de dívidas relacionadas ao vício em jogos de azar. A afirmação consta em manifestação do MP-SP (Ministério Público de São Paulo), que também aponta uma motivação financeira para o crime.

O MP-SP, por meio do procurador de Justiça Antonio Calil Filho, manifestou-se contrário à concessão de habeas corpus e de prisão domiciliar humanitária a Thalys. Acusado de assassinar Mikael e extorquir a família da vítima, Thalys tenta responder ao processo em liberdade ou em prisão domiciliar alegando transtornos psiquiátricos.

No parecer emitido no final de julho, o órgão ministerial defendeu a manutenção da prisão preventiva para a garantia da ordem pública, destacando a gravidade concreta das condutas, o modus operandi e a periculosidade do acusado. A defesa do acusado já havia solicitado a soltura para o juiz da Vara do Júri da Comarca de Franca,  José Rodrigues Arimatéa, que se minifestou pelo indeferimento no dia 17 de junho.

Vício em jogos e motivação financeira 

Conforme a denúncia do Ministério Público acolhida no processo, Thalys praticou o homicídio por motivo torpe, impulsionado pelo vício habitual em jogos de azar e com o objetivo de obter vantagem patrimonial indevida, além de se livrar de obrigações financeiras assumidas com a vítima.

Documentos apresentados nos autos apontam que Thalys enfrentava graves dificuldades financeiras decorrentes dos jogos de azar. O MP aponta que, no final de março de 2026, foi realizada uma transferência bancária via PIX no valor de R$ 38 mil de Mikael para Thalys. 

Este valor, segundo depoimento, teria sido emprestado a Thalys posteriormente.

Mikael chegou a "emprestar o nome" para que o acusado efetuasse o financiamento de um automóvel.

Para o Ministério Público, a combinação das dívidas de jogo com os laços patrimoniais entre os dois motivou o acusado a exterminar a vida do amigo de longa data para quitar suas obrigações financeiras.

Argumentos da defesa x posição do Ministério Público

A defesa de Thalys Rafael Veiga, representada pelo advogado Gilmar Machado da Silva, impetrou o pedido de habeas corpus sustentando que a preventiva perdeu o fundamento quando a acusação mudou de cárcere privado para homicídio qualificado e extorsão. Além disso, requereu a prisão domiciliar humanitária, alegando que o acusado sofre de transtornos psiquiátricos graves, como esquizofrenia paranoide, transtorno esquizoafetivo e bipolaridade.

O Ministério Público rejeitou integralmente a tese da defesa.

Segundo o MP, a alteração do tipo penal não esvazia a prisão. "Ao contrário, a localização do cadáver e a confirmação do homicídio qualificado reforçam ainda mais a gravidade concreta do crime e a necessidade de manter o réu preso".

Sobre a saúde mental do acusado, o MP destacou que diagnósticos prévios não concedem benefício automático de prisão domiciliar. "Não houve comprovação de que a Penitenciária de Franca seja incapaz de prestar o tratamento psiquiátrico necessário. O juízo da Vara do Júri de Franca, inclusive, já oficiou a direção da penitenciária para acompanhar o estado de saúde do réu."

O MP destacou que Thalys responde a outro processo criminal por crimes patrimoniais praticados com violência/grave ameaça (roubo e extorsão), o que evidencia comportamento violento e perigo social caso permaneça em liberdade.

O procurador ainda destacou a insuficiência de Medidas Cautelares. Tornozeleira eletrônica ou recolhimento domiciliar foram classificados pelo MP como insuficientes perante a gravidade dos fatos. O órgão invocou o princípio da proibição da proteção deficiente, ressaltando que o Estado precisa agir com firmeza para proteger a sociedade.

Diante de todos os pontos técnicos e das provas colhidas, o procurador Antonio Calil Filho opinou formalmente pelo indeferimento do habeas corpus, mantendo Thalys Rafael Veiga preso na Penitenciária de Franca enquanto aguarda os desdobramentos do processo e o julgamento pelo Tribunal do Júri.

A reportagem apurou que, após a manifestação do MP-SP, a Justiça ainda não emitiu uma decisão sobre o pedido de soltura da defesa. 

Relembre o crime e a extorsão contra a família

No dia 27 de maio, por volta das 12h15, Thalys saiu de Franca em um veículo VW/Gol, seguido por Mikael em sua motocicleta, em direção à rodovia que dá acesso ao município de Claraval (MG). Ambos se deslocaram até a zona rural conhecida como “Paiolzinho”, em Franca, onde Mikael foi morto - baleado com seis disparos de arma de fogo na cabeça e no rosto, além de ter as pontas dos dedos mutiladas para dificultar a identificação.

O corpo foi localizado em 3 de junho, em avançado estado de decomposição.

Dois dias após o homicídio, em 29 de maio, Thalys passou a entrar em contato com os pais da vítima, Enon Justino de Lima e Mônica Pereira dos Santos Lima. Valendo-se do desespero dos familiares pelo desaparecimento de Mikael, ele alegou falsamente que o jovem estava em poder de terceiros em São José da Bela Vista e exigiu R$ 50 mil para revelar a localização. As extorsões foram feitas via ligações e mensagens do seu próprio número de telefone.

A investigação da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) reuniu provas técnicas e periciais sólidas, como cruzamento de antenas de telefonia (ERBs) mostrando a mesma trajetória temporal e geográfica dos celulares de Thalys e Mikael.

Imagens de câmeras do sistema de monitoramento na Rodovia Tancredo Neves e em diversos pontos da cidade também ajudaram na definição do trajeto do veículo Gol, do acusado.

Além disso, vestígios e sangue e amostras de grama compatíveis com a vegetação utilizada para esconder o corpo foram encontrados no carro do suspeito.

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