Um erro administrativo da Escola Estadual "Professor Vicente Minicucci", de Franca, pode comprometer a trajetória acadêmica de um dos principais talentos da matemática da região. Medalhista de ouro da Obmep (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas) e bolsista do PIC (Programa de Iniciação Científica), mantido pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), o estudante Murilo Faustino Fernandes foi impedido de disputar a segunda fase da competição nacional após a unidade de ensino deixar de enviar os cartões-resposta da primeira etapa dentro do prazo previsto pelo regulamento.
Segundo informações da família, Murilo realizou a prova normalmente na data marcada e preencheu o cartão-resposta, que posteriormente foi recuperado na secretaria da própria escola. O problema ocorreu exclusivamente na etapa de envio do documento ao sistema da Obmep, responsabilidade da instituição de ensino.
Um levantamento realizado pela família aponta que a escola frequentada por Murilo foi a única da cidade de Franca a perder o prazo regulamentar para encaminhar os cartões-resposta dos estudantes, deixando todos os seus alunos fora da competição por uma falha burocrática.
A situação motivou a abertura de um procedimento de fiscalização pela Diretoria de Ensino da Região de Franca, por meio do SEI (Sistema Eletrônico de Informações), para apurar as circunstâncias do ocorrido e a eventual responsabilidade da unidade escolar.
Ainda de acordo com a família, a Diretoria de Ensino tentou reverter administrativamente a situação junto à coordenação regional da Obmep, solicitando a inclusão dos cartões-resposta enviados fora do prazo. O pedido, porém, foi negado sob a justificativa de que o regulamento da olimpíada não permite exceções quanto aos prazos estabelecidos.
A decisão pode trazer consequências significativas para a formação acadêmica do estudante. Atualmente, Murilo integra o PIC, destinado a alunos medalhistas da Obmep, e recebe bolsa de estudos do CNPq. Sem a participação na segunda fase da olimpíada, ele poderá perder a possibilidade de renovação da bolsa e a permanência no programa.
Além disso, a participação contínua na Obmep é considerada estratégica para estudantes que buscam vagas em universidades públicas por meio de processos seletivos específicos voltados a medalhistas de olimpíadas científicas, adotados por instituições como USP e Unicamp.
Diante da negativa administrativa e da falha atribuída à escola estadual, a família ingressou na última sexta-feira, 7, com uma ação judicial, acompanhada de pedido de liminar de urgência, na Vara da Fazenda Pública de Franca.
Na ação, a defesa pede que o Poder Judiciário determine ao Impa (Instituto de Matemática Pura e Aplicada), responsável pela organização da Obmep, o recebimento do cartão-resposta do estudante e sua inclusão na lista de classificados para a segunda fase da competição, marcada para o dia 17 de outubro.
Diretoria garante participação e apura falha
Em nota encaminhada à reportagem, a URE (Unidade Regional de Ensino) de Franca informou que entrou em contato com a organização da Obmep e garantiu que Murilo fará a prova da segunda fase da olimpíada, marcada para o dia 17 de outubro.
A URE também comunicou que instaurou um procedimento para apurar os procedimentos adotados no encaminhamento dos cartões-resposta pela unidade escolar.
A diretoria regional afirmou ainda que lamenta o ocorrido e destacou que tanto a URE quanto a direção da escola permanecem à disposição da comunidade para prestar esclarecimentos.
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