CASO COCAPIL

Acordo milionário não foi crucial para liberdade, acredita defesa

Por Leonardo de Oliveira | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Sampi/Franca
Reprodução
Empresário de Franca Elvis Vilhena Faleiros, responde às acusações relacionadas ao desaparecimento das sacas de café
Empresário de Franca Elvis Vilhena Faleiros, responde às acusações relacionadas ao desaparecimento das sacas de café

A defesa de Elvis Vilhena Faleiros afirmou nessa quarta-feira, 29, que a revogação da prisão preventiva do empresário não teve relação com o acordo patrimonial de R$ 47.196.930,27 firmado em outro processo. Em manifestação enviada ao portal GCN/Sampi, o advogado Donizete dos Reis da Cruz sustentou que a decisão judicial ocorreu porque a manutenção da prisão se tornou juridicamente insustentável e afirmou que a expectativa é pela absolvição do cliente na ação criminal.

Na avaliação da defesa, a revogação da prisão preventiva não decorreu do acordo patrimonial firmado em outro processo, mas da ausência de fundamentos para a continuidade da medida cautelar, entendimento que, segundo o advogado, contou com a anuência do Ministério Público.

"Não entendemos que foi o acordo que possibilitou a soltura de Elvis. O acordo é uma questão patrimonial tratada em outros autos. Na nossa opinião, a revogação da prisão se deu, com a anuência do Ministério Público, porque tornara-se insustentável. Uma vez que não existe no país, em um Estado Democrático de Direito, prisão civil por dívida", afirmou Donizete.

O advogado acrescentou que, na visão da defesa, a obrigação discutida na esfera patrimonial é da cooperativa, e não uma dívida pessoal de seu então presidente.

Defesa espera absolvição

Sobre o mérito da ação penal, Donizete afirmou que a defesa acredita na absolvição de Elvis Vilhena Faleiros. Segundo ele, o desaparecimento das sacas de café não decorreu de desvio ou apropriação, mas da crise enfrentada pelo mercado cafeeiro.

"A Defesa espera que o Elvis seja absolvido, porque jamais cometeu crime. A ausência das sacas de café nos armazéns não é fruto de desvio, ou qualquer outra modalidade de apropriação de bem alheio como se próprio fosse. É sim fruto da crise no mercado cafeeiro a nível mundial, desde as geadas no Brasil em 2020, seguidas da seca nos anos seguintes, levando a uma quebradeira geral de várias cooperativas de café, armazéns gerais e exportadoras do produto", declarou.

O advogado destacou que representa exclusivamente Elvis Vilhena Faleiros no processo criminal e esclareceu que o escritório Duarte e Freire Advocacia não atua na defesa dos demais investigados nem da EldoradoAgro. 

Relembre o caso

A investigação apura o desaparecimento de milhares de sacas de café armazenadas pela Cocapil (Cooperativa dos Cafeicultores de Ibiraci), fato que provocou prejuízos milionários a produtores rurais e resultou em ações nas esferas cível e criminal.

Na última semana, Elvis Vilhena Faleiros deixou a prisão após a Justiça revogar sua prisão preventiva. A decisão ocorreu depois que as partes envolvidas em uma ação patrimonial chegaram a um acordo para o pagamento de R$ 47.196.930,27 aos credores. A negociação, no entanto, foi realizada na esfera cível e trata exclusivamente dos prejuízos financeiros decorrentes do caso.

Na ação criminal, Elvis permanece respondendo às acusações relacionadas ao desaparecimento das sacas de café. A defesa sustenta que a revogação da prisão não está vinculada ao acordo patrimonial e reafirma que o empresário não praticou qualquer crime, atribuindo o desaparecimento do produto à crise enfrentada pelo setor cafeeiro nos últimos anos.

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