A deputada federal e pré-candidata ao Senado por São Paulo, Marina Silva (Rede), afirmou que o governador do Estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos), mantém silêncio diante da tarifa de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e que a medida deve provocar impactos especialmente na economia paulista, com reflexos na indústria calçadista de Franca, no café solúvel, no etanol e no agronegócio. As declarações foram feitas durante entrevista ao jornalista Corrêa Neves Jr., do Portal GCN/Sampi, no podcast Arena GCN, nesta quarta-feira, 22.
Segundo a ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a decisão norte-americana representa prejuízos para produtos brasileiros de maior valor agregado e afeta diretamente setores estratégicos da economia paulista.
“Uma hora a gente sempre teve orgulho da indústria do calçado aqui de Franca e, de repente, agora nós estamos sendo taxados de forma injusta pelo governo Trump em 25%. São mais de 7 bilhões de dólares para os produtos que nós exportávamos para ele e, em São Paulo, desses 7 bilhões, são mais de 3 bilhões de dólares de prejuízo”, afirmou.
A deputada destacou que a maior parte dos impactos no Estado estaria relacionada a produtos industrializados e com maior geração de empregos.
“Uma maior parte disso vem para cá porque a indústria do calçado aqui está sendo taxada de forma injusta e violenta. A produção de grãos está preservada porque eles só querem que a gente venda o café em grãos para eles beneficiarem lá, gerarem emprego lá, terem tecnologia lá. Aqui eles estão taxando o café solúvel, que é o que agrega valor, que gera empregos no Brasil”, disse.
Críticas à postura de Tarcísio
Marina também criticou a postura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, diante da medida anunciada pelos Estados Unidos. Para ela, o governador deveria se posicionar contra a tarifa, principalmente pelos impactos sobre a economia paulista.
“O que eu acho estranho é ter um grupo político que concorda com essa taxação ou que fica omisso, como é o caso do governador Tarcísio, que não abre a boca para falar, porque botou o chapéu do Trump na cabeça e agora fica calado vendo São Paulo, que é de longe quem está sendo mais prejudicado”, afirmou.
Além dos calçados, outros setores também sofrem consequências. “O nosso etanol de cana-de-açúcar está sendo altamente prejudicado porque o Trump quer que o etanol de milho, que é inclusive mais caro, seja o que prevaleça”, declarou.
Ela citou ainda o levantamento da CNI (Confederação Nacional da Indústria), segundo o qual a tarifa pode prejudicar parte significativa dos produtos da agricultura brasileira.
Obras contra enchentes em Franca
Marina também comentou as obras de combate a alagamentos em Franca, que envolvem investimentos de R$ 40 milhões em parceria entre Governo Federal e Prefeitura. A deputada afirmou que intervenções desse tipo podem enfrentar resistência inicial da população, mas defendeu que gestores públicos precisam tomar decisões considerando os efeitos futuros.
“Quando você está à frente de um cargo público, você não faz só aquilo que dá voto, que dá popularidade, que aplaude. A maioria dos meus aplausos às vezes vem depois”, disse.
Segundo ela, algumas obras necessárias geram incômodo durante a execução, mas são fundamentais para evitar problemas maiores no futuro. “Você tem que fazer aquilo que o povo quer e sabe que quer e aquilo que o povo quer, mas não sabe que quer, porque às vezes a percepção é imediatista. Mas se você não fizer, você vai ser três vezes cobrado lá na frente”, afirmou.
Marina citou que decisões públicas devem ser baseadas em estudos técnicos e planejamento. “A gente faz o alerta com base em ciência, conhecimento, modelagem, cálculo, engenheiros, hidrólogos. Ficar com a consciência tranquila diante de Deus e dos homens é o que faz a diferença”, finalizou.
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