Uma discussão motivada por uma suposta denúncia à Prefeitura de Franca terminou em uma tentativa de homicídio na noite dessa terça-feira, 21, no estacionamento de carros, às margens da avenida Chico Júlio, na região da Vila Exposição. O comerciante Wanderson da Costa Silva, de 43 anos, dono do Bar do Zam, foi preso em flagrante acusado de atropelar um casal que trabalhava em um carrinho de churros após um desentendimento relacionado ao local onde os comerciantes atuavam.
As vítimas são Márcio Luciano de Souza, de 49 anos, proprietário do carrinho de churros, e sua mulher Irislene Costa de Macêdo, de 55 anos, que ficou gravemente ferida após ser atingida pelo veículo.
Segundo o auto de prisão em flagrante, a Polícia Civil concluiu, em análise preliminar, que Wanderson utilizou o automóvel como instrumento para matar as vítimas, enquadrando o caso como tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil.
O que motivou o ataque
De acordo com o depoimento prestado por Márcio à Polícia Civil, Wanderson acreditava que ele e a mulher haviam denunciado seu estabelecimento comercial à Prefeitura, fato que teria provocado o fechamento do bar localizado no Paque São Jorge.
O comerciante relatou que estava tomando café com Irislene no carrinho de churros quando Wanderson chegou ao local acompanhado da mulher e da filha. Ainda segundo o relato, o suspeito passou a filmar o casal e a acusá-los de serem responsáveis pela denúncia. Márcio afirmou que negou qualquer envolvimento.
Mesmo após a negativa, a situação se agravou.
Três investidas com o carro
Conforme os depoimentos colhidos pela Polícia Militar e pela Polícia Civil, Wanderson entrou em seu veículo e passou a avançar contra a estrutura de trabalho do casal.
As testemunhas relataram que o motorista realizou pelo menos três investidas contra a carretinha e o carrinho de churros. Em seguida, fez manobras de retorno e voltou a acelerar na direção das vítimas.
Márcio conseguiu escapar da trajetória do automóvel, mas Irislene não teve a mesma sorte.
O carro atingiu a mulher em cheio, arremessando-a ao solo. Ela permaneceu desacordada até a chegada do socorro.
Márcio também informou que foi atingido pelo veículo, sofrendo ferimentos em uma das pernas, além de ter visto seu carrinho de churros ser completamente destruído pelos impactos.
Estado de saúde preocupa
Irislene foi socorrida por uma equipe do Samu e encaminhada à Santa Casa de Franca. Inicialmente, ela foi levada para a Sala Vermelha da unidade hospitalar.
Segundo informações médicas obtidas pelo delegado responsável pelo caso, a vítima sofreu um grave traumatismo craniano, apresentava episódios de vômito e poderia até mesmo ser submetida a cirurgia, dependendo da evolução dos exames.
A autoridade policial destacou que existe risco de morte, circunstância que reforçou o entendimento de que o autor agiu com intenção homicida.
Suspeito se apresentou na delegacia
Após o atropelamento, Wanderson deixou o local sem prestar socorro às vítimas. Quando os policiais militares chegaram ao estacionamento do supermercado, encontraram populares tentando identificar o motorista responsável pelo ataque.
Pouco tempo depois, o Copom informou que o suspeito havia comparecido espontaneamente à CPJ (Central de Polícia Judiciária) acompanhado de seu advogado.
Durante o interrogatório, Wanderson, assistido pelo advogado Roosevelt Antonio Ferreira Neto, exerceu seu direito constitucional e optou por permanecer em silêncio sobre os fatos.
Entendimento da Polícia Civil
Ao decretar a prisão em flagrante, o delegado Rafael de Paula Leão Andreo afirmou que os elementos reunidos apontam claramente para uma tentativa de homicídio.
Segundo a decisão, é incompatível com uma simples intenção de causar lesões o fato de o motorista ter atingido repetidamente os instrumentos de trabalho das vítimas e, em seguida, direcionado o veículo contra elas. A gravidade dos ferimentos sofridos por Irislene também foi considerada um indicativo da violência da ação.
O delegado destacou ainda que o motivo do ataque estaria relacionado a desentendimentos comerciais envolvendo o ponto onde ambos trabalhavam, circunstância considerada fútil e desproporcional para justificar a violência empregada.
Prisão e investigação
Wanderson foi autuado por tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil, crime previsto no artigo 121, parágrafo 2º, inciso II, combinado com o artigo 14, inciso II, do Código Penal.
Por se tratar de crime inafiançável nesta fase da investigação, não foi arbitrada fiança e ele permaneceu preso à disposição da Justiça.
O veículo utilizado no atropelamento, um VW Fox prata, foi apreendido para perícia. A Polícia Civil também requisitou exames periciais no local do crime para esclarecer todos os detalhes da dinâmica dos fatos.
Conforme levantamento da própria Polícia Civil, Wanderson não possuía registros criminais anteriores.
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