O pole dance transformou a vida da francana Kennia Batista. Seis anos após iniciar na modalidade, a atleta amputada se prepara para um dos maiores desafios da carreira: representar o Brasil no Pole Style Competition 2026, que será realizado entre os dias 11 e 13 de setembro, em León, no México.
Para viabilizar a viagem, Kennia iniciou uma campanha de arrecadação e uma vaquinha virtual para custear despesas como transporte, hospedagem e participação no evento - clique aqui.
O convite para disputar a competição internacional surgiu após um vídeo publicado pela atleta nas redes sociais ganhar grande repercussão. O conteúdo chegou a um dos organizadores do campeonato, que a convidou para competir na categoria destinada a pessoas com deficiência.
Mais do que uma disputa esportiva, a participação no evento tem um significado especial para a atleta. Segundo ela, trata-se de uma oportunidade de representar pessoas com deficiência e mulheres que enfrentam desafios diários e buscam superar limites.
Superação após acidente
A história de Kennia com o pole dance começou quase uma década após o acidente de moto que resultou na amputação de uma das pernas, em 2010.
Antes do acidente, ela cursava Educação Física e tinha o sonho de trabalhar com pessoas com deficiência. Após a mudança brusca em sua vida, interrompeu a faculdade e passou cerca de oito anos utilizando muletas até começar a usar uma prótese.
Durante aproximadamente dez anos, ficou afastada das atividades físicas. A retomada aconteceu quando uma professora manifestou o desejo de treinar uma pessoa com deficiência para uma competição de pole dance. Kennia aceitou fazer uma aula experimental e descobriu uma nova paixão.
A identificação com a modalidade foi imediata. Em poucos meses, já estava competindo.
Títulos e nova carreira
Com apenas sete meses de treinamento, Kennia participou do primeiro campeonato e conquistou o título. No ano seguinte, voltou a subir ao lugar mais alto do pódio e se tornou bicampeã do Poliarte, competição brasileira de pole artístico.
Neste ano, além do desafio internacional, ela também pretende disputar novamente o campeonato nacional, marcado para outubro.
A modalidade também abriu novos caminhos profissionais. Após um período sem treinar devido ao fechamento do estúdio onde praticava, Kennia passou a treinar em casa e começou a dar aulas.
Há cerca de um mês, ela realizou outro sonho: abriu o próprio estúdio de pole dance em Franca.
Autoestima recuperada
Para a atleta, o principal impacto do esporte foi muito além dos resultados nas competições.
Segundo ela, o pole dance ajudou a reconstruir a relação com o próprio corpo e a recuperar a autoestima após anos de adaptação à deficiência.
"Eu consegui olhar para o meu corpo mesmo com deficiência e entender a capacidade que ele tinha, me enxergar como mulher novamente", afirmou.
Agora, a expectativa está voltada para o campeonato no México. A atleta espera contar com o apoio da comunidade para tornar possível a viagem e levar sua história de superação para o cenário internacional.
"Representar o nosso país, a nossa cidade e as pessoas com deficiência é muito importante para mim", destacou.
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