EM MEMÓRIA

Um ano sem Ped: mãe fala de saudade e legado deixado

Por Giovanna Attili | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Sampi/Franca
Acervo da família
Pedro Francisco Nicula Aielo, o 'Ped', morreu aos 21 anos, após se afogar numa cachoeira
Pedro Francisco Nicula Aielo, o 'Ped', morreu aos 21 anos, após se afogar numa cachoeira

Após um ano da morte de Pedro Francisco Nicula Aielo, o “Ped”, afogado em uma cachoeira no dia 30 de março de 2025, a mãe do garoto, a advogada Alessandra Cristina Aielo, em entrevista exclusiva ao Portal GCN/Sampi, falou sobre esse período sem seu filho.

Alessandra contou sobre o consenso que ela e a mulher, Tatiana Luiza Gianvechio, chegaram após a morte do filho. “O tempo é um ente complexo”. Segundo ela, tudo ainda parece muito recente, como se a despedida tivesse acontecido ainda nos últimos dias.

“Ao mesmo tempo que um ano sem a presença física, sem o som da sua voz e sem a possibilidade de cuidar e tocá-lo pareça uma eternidade - às vezes quase insuportável, exigindo uma coragem extrema para seguirmos dia após dia -, tudo ainda parece muito recente. As memórias e sentimentos continuam muito vivos e frescos em nossos corações”, contou.

Pedro, que era estudante de Direito pela Faculdade de Direito de Franca, teve seu legado marcado pelo amor. Amor aos seus - seja família, amigos - e também ao próximo. Mas além do amor, Alessandra descreveu o filho como um lutador desde o dia em que nasceu.

“Ele nos ensinou que o autocuidado é uma forma profunda de respeito com a vida. Essa coragem se transformava em dignidade nos momentos mais difíceis”, explicou.

Mesmo tendo enfrentado o racismo, a advogada detalha que Ped sempre se manteve grande e íntegro, apesar da dor. Ela citou que o garoto tinha um grande senso de responsabilidade e fazia tudo o que precisava ser feito com muito compromisso.

Ainda sobre suas relações, Alessandra compartilhou que descobriu sobre a real dimensão do cuidado que o filho tinha com os amigos somente após sua partida. De acordo com a mãe, o menino deixou a lição de que o cuidado com o próximo se faz no silêncio, com respeito e sem alardes.

“O Pedro nos ensinou a viver intensa e profundamente todas as relações. Ele nos mostrou a - sem medo - sermos honestos com nossos sentimentos e a importância de valorizar apenas o que nos faz bem e a ser bom simplesmente pelo bem”, afirmou.

A Casa do Ped: manter o legado vivo

Como forma de seguir honrando a memória de Pedro, a família criou o grupo “A Casa do Ped”, formado por pessoas que, de alguma forma, foram tocadas pelo garoto. O projeto promove ações como o “Armário Solidário”, a “Marmita Solidária” e a entrega de cestas básicas, com a intenção de levar cuidado e dignidade a quem necessita.

“Acreditamos que o Pedro segue existindo, mas agora na verdadeira vida e, como forma de honrar sua trajetória, mantemos vivo o seu legado através da A Casa do Ped”, contou.

Quem tiver interesse em saber mais sobre o projeto, pode acessar o perfil @acasadoped no Instagram.

Relembre o caso

A morte de Pedro Francisco Nicula Aielo, o “Ped”, aos 21 anos, aconteceu dia 30 de março de 2025. O jovem comemorava, na cachoeira Maria Rosa, em Claraval (MG), a conquista de uma vaga de emprego, quando foi arrastado pela correnteza e caiu de uma altura de 10 metros. Pedro ficou preso nos galhos no fundo do rio e não conseguiu retornar a superfície.

Junto com ele, no local do ocorrido, estavam a namorada e amigos. Um dos amigos tentou salvá-lo, mas também foi arrastado pela correnteza.

Pedro foi sepultado no Cemitério Santo Agostinho, no dia 4 de abril de 2025. Seu sepultamento reuniu diversas pessoas que se despediram do jovem sob aplausos.

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