ECONOMIA

Arroz atinge casa dos R$ 30 em Franca: ‘é um preço descabível’

As especulações sobre o futuro do setor, a partir do desastre ambiental no Rio Grande do Sul, afetaram os preços nas prateleiras, inclusive nos comércios de Franca.

Por Pedro Baccelli | 09/06/2024 | Tempo de leitura: 3 min
da Redação
Sampi/Franca

Pedro Baccelli/GCN

Pacotes de arroz em prateleiras de supermercado de Franca
Pacotes de arroz em prateleiras de supermercado de Franca

Indispensável na mesa dos brasileiros, o arroz pesou na conta do consumidor. O pacote de 5 quilos chegou à marca dos R$ 30 nos supermercados e atacados de Franca. Faixa de preço inimaginável antes da pandemia do coronavírus, quando o produto era comercializado, em média, por R$ 12,63, segundo levantamento do Ipes (Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais) do Uni-Facef.

O preço do grão disparou no mercado interno após a catástrofe ambiental no Rio Grande do Sul. O estado é o principal produtor de arroz do país e responde por mais de 70% da produção nacional. “É certo que boa parte da safra de arroz do Rio Grande do Sul foi colhida antes do desastre ambiental, porém, surgiu muitos temores, e tem um efeito especulativo no mercado de vendedores, e isso tem, consequentemente, um impacto sobre o preço que é repassado ao setor supermercadista”, explica o economista da Apas (Associação Paulista de Supermercados), Felipe Queiroz.

Queiroz explica que o preço do produto subiu na cadeia e está sendo repassado, não apenas para Franca, mas todo Brasil. “Como o Rio Grande do Sul é o principal produtor do país, logo qualquer alteração na oferta desse estado produz um efeito sob o preço no mercado nacional. Não por acaso, algumas medidas governamentais foram anunciadas logo após o evento”.

O Governo Federal realizou o primeiro leilão para a compra de arroz importado nessa quinta-feira, 6. Foram adquiridas 263.370 mil toneladas para abastecer os estoques públicos. O presidente da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), Edegar Pretto, informou que está autorizado a compra de até 1 milhão de toneladas para enfrentamento das consequências econômicas e sociais no Sul do país. “Não vamos comprar de uma vez só, será escalonado conforme a necessidade”.

Na prática, os preços nas prateleiras em Franca assustaram Ana Cristina de Oliveira Rodrigues, de 31 anos. “Até essa semana acabou o arroz aqui em casa e a gente foi comprar. Realmente levei um susto, porque o arroz da promoção estava R$ 26. Ele era de uma marca não tão boa. A marca que a gente compra está chegando próximo dos R$ 36 reais”.

“É um preço descabível, levando em conta o nosso salário. A gente realmente já sentiu no bolso. Sinto que vai piorar, visto que um dos nossos produtores maiores era o Rio Grande do Sul e tem essa tragédia que aconteceu. Está bem complicado, e a gente não tem outra coisa para colocar no lugar”, completou a atendente.

O arroz continuará subindo?

Sim, existe a possibilidade dos preços continuarem subindo, segundo Felipe Queiroz. “A queda no preço do arroz vai depender de como será feita a importação da Conab, qual será a oferta no mercado doméstico e como será essa oferta. Além disso, como será o processo de recuperação no Rio Grande do Sul. No curtíssimo prazo vemos um aumento no preço, motivado pelos fatores já enunciados, mas, em médio e longo prazo, a cotação do arroz vai depender dessas variáveis”.

Preços que não geraram grandes impactos no consumo nas residências. “O aumento no preço do arroz não tem gerado, necessariamente, uma redução no consumo. O consumo de arroz é aquilo que os economistas chamam de ‘consumo inelástico’. Ele mantém um padrão de consumo médio ao longo do tempo, com baixa oscilação”.

Histórico de preço

Na comparação com junho dos últimos anos, o francano tem motivo para se preocupar. Em 2023, o preço médio do pacote de 5 quilos era de R$ 24,96. Já em 2022 e 2021 eram R$ 23,22 e R$ 25,18, respectivamente. Confira a variação dos preços mínimo e máximo:

Preços elevados comparados aos praticados antes da pandemia. Em junho de 2019, por exemplo, o mínimo pago pelos francanos eram R$ 8,99 e o máximo de R$ 15,95 – em média, o arroz era vendido por R$ 12,63. Já em 2011, início da série histórica da pesquisa, o pacote saia por R$ 9,74 no sexto mês daquele ano. Abaixo os valores nos meses de junho de cada ano:

Obs: Não há registros sobre os valores de junho de 2012

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22 COMENTÁRIOS

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  • Darsio
    3 dias atrás
    É verdade. Onde está o Joias das Arábias? Oras! A polícia Federal descobriu que o Bolsonaro vendeu outras joias nos Estados Unidos e, que foram desviadas do acervo público, que como se sabe e determina a lei, pertence ao Estado. Ei, JOIAS DAS ARÁBIAS, NÃO FARÁ COMENTÁRIO SOBRE MAIS ESSE ROUBO PELO BOLSONARO?
  • Juarez
    4 dias atrás
    Os gaúchos queriam se separar do Brasil, pois eram melhores que nós. Veio a enchente e todo o Brasil ajudou, além do governo ter colocado 22 mil militares e milhares de trabalhadores do SUS no salvamento. O governo destinou 15 bilhões e paralizou a cobrança da dívida por três anos. Aí, os espertinhos do agro querem esfolar os brasileiros que ajudaram os gaúchos. Boa paga.
  • Darsio
    11/06/2024
    Assim como todo covarde se comporta, o sujeito se esconde por meio de um codinome. Provavelmente por vergonha do que ele mesmo escreve. Mas, seria o Brasileiro um agropecuarista ou um daqueles que, com terra sob as unhas, se acha um grande fazendeiro? Pela ignorância do sujeito, certamente não sabe se quer o nome completo do Brasil e, muito menos os seus símbolos e, ainda se acha patriótico. Ou seria patriotário?
  • deide
    11/06/2024
    Alguém tem notícias do nosso ilustre personagem JOIA DAS ARABIAS? Defensor máximo do Lule e cia.
  • Brasileiro
    11/06/2024
    Pelo visto ente Nutela do Darcio nunca viu uma enxada na vida,e quer dar uma de entendido deve ter feito curso com MST vai dormir cara você é tóxico,coma o arroz da plástico da China e não enche o saco o comunista de Hi fone muda para Cuba porque aqui no Brasil nossa BANDEIRA JAMAIS SERA VERMELHA.
  • Graça
    10/06/2024
    Eu não sei em que planeta alguns vivem. No Centro Oeste o arroz está custando entre 30 e 45 reais. Mas não é de agora, aqui está assim desde 2019. Também temos o Feijão custando 15 reais o kilo, o café de 500 gramas mais barato está entre 13 e 14 reais. E nem vou comentar sobre o preço de Carnes e Laticínios. Eu não sei o que acontece, tudo o que vem para Centro Oeste está em preços exorbitantes. Medicamentos estão em falta nas farmácias, sem contar o absurdo dos valores dos mesmos. Em pouco tempo muitos terão que optar entre tomar medicação para manter um pouco da saúde ou tentar se alimentar.
  • Darsio
    10/06/2024
    Graças ao agronegócio, nossos biomas logo se reservarão a somente mapas em livros de Geografia. Com o desmatamento, o clima no centro-sul já está sofrendo redução de seus índices pluviométricos e, rios e nascentes estão secando. Agora, aproveitam da tragédia no Rio Grande do Sul, sobre a qual também tem a sua parcela de culpa, para explorar ainda mais o povo brasileiro, superfaturando com a venda do arroz. E, ainda na maior cara de pau, o agronegócio faz propaganda e recorre na justiça contra a importação de arroz pelo governo que, tenta com isso aumentar a oferta do grão e consequentemente combater a especulação praticada pelo patriótico agronegócio. O agro se diz tec e pop, mas com cerca de 400 bilhões de reais dos nossos suados impostos para favorecê-los, até eu seria tec e pop com essa grana.
  • Darsio
    10/06/2024
    Os governos Temer e Bolsonaro acabaram com os estoques regulatórios, sem os quais o consumidor fica a mercê da especulação que, como sabemos atende unicamente aos interesses da ganância do mercado. Acerta o governo em induzir a importação de arroz para implodir a covarde especulação promovida pelos gananciosos. Mas, é preciso mais. Se faz necessária uma política agrícola diferenciada para produtos de primeira necessidade do povo brasileiro, de tal modo que incentive e capitalize os produtores e, se necessário até mesmo com o uso de subsídios. Triste é observar deputados que, defendem a especulação e, portanto, atacam a importação de arroz, alegando as mais absurdas mentiras. Deputados que, votaram sim pela aprovação do uso de agrotóxicos, que como se sabe são proibidos na Europa e, que agora atacam a qualidade do arroz importado, alegando que o mesmo está contaminado por defensivos químicos. Outros ainda dizem que o arroz importado é de plástico. Ou seja, a maldade e canalhice desses deputados não possuem limites.
  • Dirceu
    10/06/2024
    Mas os nossos amados empresários do ramo (Savegnado, Tonin, etc...) não estavam a ajudar o RS limitando a quantidade do produto???? Ou só queriam esconder para aumentar o preço absurdamente??? Isso que temos aí é a ganância em pessoa.
  • Adilson
    10/06/2024
    O Agro diabólico do SUL , escondendo arroz para vender caro, para resto do Brasil, e ainda tem uns otários que defende, essa máfia do agro, comidas envenenadas, monopolizou os preços...
  • Carlos
    09/06/2024
    Vejam bem e ainda os produtores não querem que o governo faça estoque regulador com preço tabelado a 20 reais o saco com 5 quilos.
  • Darsio
    09/06/2024
    E dizem que o agronegócio é patriota. Creio que para esses caras, patriotismo se chama grana, muita grana. Os caras estão pouco se lixando para o povo e, aproveitam a tragédia gaúcha para aumentar ainda mais os seus lucros. E, ainda fazem campanha contra o governo, que busca importar arroz para coibir esse crime que esse patriotas do agronegócio estão cometendo. O plano safra deveria ser revisto, pois basta de utilizarem dos nossos impostos para favorecer os bolsos do agronegócio. Enquanto o povão passa fome, os coronéis e seus filhos trocam de caminhonetes e, zero quilômetro.
  • Alexandre
    09/06/2024
    Espero que o João Rocha consiga realizar o seu sonho pessoal de finalmente se tornar o alcaide-mór daquela cidade de Franca. Estarei torcendo por ele, mando um abraço daqui de Goiânia.
  • Elder
    09/06/2024
    Faz aquele L gostoso.. faz o L . Picanha virou abóbora cervejinha virou chupchup arroz virou risoto. Faz faz faz o L,,,
  • Indignado
    09/06/2024
    Enquanto plantar soja der mais lucro que arroz vai ser isso. Os empresários da \"comida\", pra não dizer da fome, só querem lucro. Dane-se que cada hectare de terra fértil no Brasil esteja ocupado em criar ração para porcos na China. O governo deveria obrigar a plantar arroz para baixar os preços? Se assim o fizesse daí sim seria socialistas.
  • Evandro Silva
    09/06/2024
    Nunca vi o povo reclamando do preço da cervejinha do final de semana, do cigarrinho nem do preço do show do Gustavo Lima, do camarote da expoagro. Agora o arroz aumentou no mercado é o fim do mundo. Que gentalha esse povo.
  • José Roberto
    09/06/2024
    Entendeu agora porque um caminhão cheio de doações, dos outros, foi pro sul aproveitar que lá não tinha nem lugar pra armazenar arroz pra comprar a trazer de lá baratinho o produto pra vender caro aqui agora??. Tomara no céu existam caixas de supermercado, senão ele vai preferir ir pra onde tem.
  • Julio Liporoni
    09/06/2024
    Vamos ajudar nossos irmãos do Agro Brasileiro, Arroz da China jamais !!
  • Sandro
    09/06/2024
    Culpa daquela maldito fazueli dos inferno,que só fala asneira,que me perdoe o asno pela comparação,o asno tem mais utilidade
  • ERALDO CLAUDIO AMARAL
    09/06/2024
    Quando sobe a gasolina devido a alguma crise ,, o povo paga , todos se calam, agora, uma crise na casa do nosso irmão, vamos resolver comendo arroz do ladrão???? A imprensa se aliando novamente
  • Egle Zirnberger de Castro
    09/06/2024
    Descabivel mesmo agora cabe ao procom prefeitura e a consciencia dos donos de supermercados que cooperam com o governo do Brasil enquanto pagam o arroz trinta reais o chefe de estado preocupado em passar o dia dos namorados na Italia e na Suica que vergonha
  • Barbara Virgínia de lima
    09/06/2024
    Vcs querem enganar quem? Antes do desastre do RS já estava beirando ou passando dos 30, . Aliás eu nem sei pq eu comento aqui pq vcs não publicam meus comentários rsrsrsr