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07 de dezembro de 2022

ELEIÇÕES 2022

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Lula deve manter tom duro contra Bolsonaro e quer mutirão em igrejas antes do 1º turno

Lula deve manter tom duro contra Bolsonaro e quer mutirão em igrejas antes do 1º turno

Na tentativa de liquidar a fatura da eleição já no dia 2 de outubro, a estratégia é evitar que haja uma desmobilização nos três dias que antecedem o pleito.

Na tentativa de liquidar a fatura da eleição já no dia 2 de outubro, a estratégia é evitar que haja uma desmobilização nos três dias que antecedem o pleito.

Por Catia Seabra, Julia Chaib e Victoria Azevedo | 24/09/2022 | Tempo de leitura: 6 min
da Folhapress

Por Catia Seabra, Julia Chaib e Victoria Azevedo
da Folhapress

24/09/2022 - Tempo de leitura: 6 min

Ricardo Stuckert/PT

Lula com o vice Geraldo Alckmin: ofensiva contra abstenção e pelo voto útil

A campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende intensificar a ofensiva contra abstenção e pelo voto útil na reta final do primeiro turno, com foco em atividades de rua e mutirões perto de igrejas e atos com evangélicos.

Na tentativa de liquidar a fatura da eleição já no dia 2 de outubro, a estratégia é evitar que haja uma desmobilização nos três dias que antecedem o pleito.

O dia 29, data em que será realizado o debate da TV Globo, é o último em que a lei eleitoral permite comícios e marca o fim da propaganda eleitoral no rádio e na TV.

A partir de então, até a véspera das eleições só são autorizados carreatas, caminhadas e distribuição de material, além do uso de alto-falantes e carros de som com o jingle dos candidatos.

Segundo avaliação dos petistas, existe um "ponto cego" nesses três dias, quando é mais difícil monitorar a formação de ondas eleitorais.

Em 2018, por exemplo, a ex-presidente Dilma Rousseff e os ex-senadores Roberto Requião e Eduardo Suplicy lideravam as pesquisas para o Senado ao longo de toda a campanha, mas acabaram derrotados.

Para que não se repitam essas experiências, avaliam os petistas, é preciso acompanhar as publicações do presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados nas redes sociais.

No exercício do cargo, Bolsonaro tem maior exposição, dizem, o que dá a ele vantagem sobre Lula. Para se contrapor, será preciso ocupar as ruas e as redes sociais com uma campanha orgânica do petista.

Há ainda uma preocupação com o debate da Globo, considerado de extrema importância pela equipe petista. Aliados defendem que Lula reserve dois dias para se preparar para o encontro. A avaliação é que o petista pode até jogar por um empate, mas não pode errar sob pena de encerrar uma tendência de crescimento nas intenções de voto.

Em busca do voto de indecisos, a campanha fará neste final de semana um novo mutirão nas igrejas evangélicas. O primeiro ocorreu no fim de semana passado.

Integrantes da campanha também querem destacar a ex-senadora Marina Silva (Rede) e o candidato a vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) para participar de atividades com o segmento evangélico.

A ideia é que militantes se posicionem perto de templos evangélicos, como estações de metrô e pontos de ônibus, entreguem panfletos e conversem com os fiéis. Há uma leva de 1,5 milhão de panfletos a serem distribuídos a evangélicos nesta reta final.

A ação deve ocorrer em 15 estados. Um dos materiais diz que "não é pecado votar em Lula". Outro traz uma passagem bíblica, de que "as armas com as quais lutamos não são humanas; pelo contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas".

Os textos ainda têm propostas de Lula para a economia, a partir da avaliação de que parte do eleitorado evangélico é de baixa renda. Também por isso, diferentemente da estratégia usada por Bolsonaro, a equipe petista resolveu focar na "base", nos frequentadores das igrejas, e não nas cúpulas das denominações religiosas.

Além do mutirão, serão organizados atos específicos com evangélicos. Há um previsto para ocorrer em Belo Horizonte, no dia 27. A campanha ainda tenta realizar dois eventos em São Paulo, para os quais querem a participação de Marina Silva e Alckmin, separadamente.

Os estados de São Paulo e Minas e Rio, por onde Lula começou a campanha, seguem como prioridade na reta final.

A última pesquisa Datafolha mostra que Bolsonaro recuperou os pontos perdidos na semana passada no Sudeste e se reaproximou de Lula. A diferença entre eles caiu de nove para cinco pontos percentuais na região.

A equipe do petista também se dedicará aos eleitores indecisos, principalmente de classe média. Como propostas para o segmento, citam o reajuste nas faixas de isenção do Imposto de Renda, redução de endividamento e políticas de créditos para autônomos.

Segundo o ex-governador Wellington Dias (PT-PI), boa parte dos indecisos que admitem votar em Lula são de classe média.

Será reforçada a estratégia pelo voto útil e contra a abstenção. O próprio Lula fez um apelo para que as pessoas votem durante participação no programa do apresentador Ratinho, no SBT, na quinta (22). O petista disse que é preciso votar "para ter o direito de reclamar, de xingar e de cobrar."

Coordenador de comunicação da campanha, o deputado federal Rui Falcão afirma que a orientação é lembrar a importância do voto como um direito de cada eleitor, independentemente de classe social.

A campanha também aposta em manter ou ampliar o patamar de rejeição de Bolsonaro.

O tom mais duro com críticas a Bolsonaro nas peças da campanha do petista veiculadas na propaganda eleitoral deverá ser mantido. Presidente do PT e coordenadora da campanha, a deputada federal Gleisi Hoffmann (PR) diz que é preciso reagir a "pancadas" de Bolsonaro.

"Não podemos só nós levarmos a pancada. Ele iniciou uma campanha assim, de enfrentamento ao ex-presidente, de tentativa de desconstrução, de denúncias, as fake news. Então temos que fazer uma campanha mostrando como ele é também", afirmou Gleisi.

Além de atividades de rua, a campanha aposta na mobilização virtual. Para impulsionar o engajamento nas redes, a comunicação da campanha também lançou desafios diários, que são disparados em grupos de WhatsApp.

Uma das ferramentas são os spaces no Twitter, espécie de programa de rádio na rede social. Ao menos dois deles foram veiculados na conta de Lula. Neles já foram exibidos áudios gravados de Lula, Alckmin e Dilma.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, há também um reforço na aposta pela participação de artistas e figuras públicas na reta final da campanha. Alguns artistas que declararam apoio a Lula apareceram em peça da propaganda eleitoral divulgada na quinta.

Nesta semana, também foram divulgados vídeos em que artistas pedem que as pessoas substituam o voto em Bolsonaro e o transfiram para Lula. Com o refrão "vira, vira voto, vira, vira, vira", os artistas mudam um sinal de arma com a mão, uma referência a Bolsonaro, para um "L" de Lula.

A iniciativa é do coletivo 342 Artes, encabeçado pela empresária e produtora Paula Lavigne, e da Mídia Ninja. Reúne imagens de nomes como Nando Reis, Milton Nascimento, Bruna Marquezine e Leandra Leal.

Até o momento, já foram divulgados dois desses filmetes e, segundo Paula Lavigne, mais um deverá ser veiculado na próxima semana.

Ela diz ainda que o grupo irá lançar na próxima semana outros vídeos com a hashtag "vai votar", incentivando o voto e contra a abstenção. De acordo com a empresária, essa campanha terá três recortes: mirar jovens que tiraram o seu título de eleitor neste ano, pessoas com mais de 70 anos e a classe D.

"Agora, o grande desafio é fazer a turma ir votar", diz. A equipe do petista realizará na segunda (26) um ato no formato híbrido, virtual e presencial, que terá a participação de artistas, representantes de movimentos e intelectuais.

Uma das organizadoras do evento é a socióloga Rosângela da Silva, a Janja, que é casada com Lula. Há uma expectativa de que a cantora Anitta participe.

A campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende intensificar a ofensiva contra abstenção e pelo voto útil na reta final do primeiro turno, com foco em atividades de rua e mutirões perto de igrejas e atos com evangélicos.

Na tentativa de liquidar a fatura da eleição já no dia 2 de outubro, a estratégia é evitar que haja uma desmobilização nos três dias que antecedem o pleito.

O dia 29, data em que será realizado o debate da TV Globo, é o último em que a lei eleitoral permite comícios e marca o fim da propaganda eleitoral no rádio e na TV.

A partir de então, até a véspera das eleições só são autorizados carreatas, caminhadas e distribuição de material, além do uso de alto-falantes e carros de som com o jingle dos candidatos.

Segundo avaliação dos petistas, existe um "ponto cego" nesses três dias, quando é mais difícil monitorar a formação de ondas eleitorais.

Em 2018, por exemplo, a ex-presidente Dilma Rousseff e os ex-senadores Roberto Requião e Eduardo Suplicy lideravam as pesquisas para o Senado ao longo de toda a campanha, mas acabaram derrotados.

Para que não se repitam essas experiências, avaliam os petistas, é preciso acompanhar as publicações do presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados nas redes sociais.

No exercício do cargo, Bolsonaro tem maior exposição, dizem, o que dá a ele vantagem sobre Lula. Para se contrapor, será preciso ocupar as ruas e as redes sociais com uma campanha orgânica do petista.

Há ainda uma preocupação com o debate da Globo, considerado de extrema importância pela equipe petista. Aliados defendem que Lula reserve dois dias para se preparar para o encontro. A avaliação é que o petista pode até jogar por um empate, mas não pode errar sob pena de encerrar uma tendência de crescimento nas intenções de voto.

Em busca do voto de indecisos, a campanha fará neste final de semana um novo mutirão nas igrejas evangélicas. O primeiro ocorreu no fim de semana passado.

Integrantes da campanha também querem destacar a ex-senadora Marina Silva (Rede) e o candidato a vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) para participar de atividades com o segmento evangélico.

A ideia é que militantes se posicionem perto de templos evangélicos, como estações de metrô e pontos de ônibus, entreguem panfletos e conversem com os fiéis. Há uma leva de 1,5 milhão de panfletos a serem distribuídos a evangélicos nesta reta final.

A ação deve ocorrer em 15 estados. Um dos materiais diz que "não é pecado votar em Lula". Outro traz uma passagem bíblica, de que "as armas com as quais lutamos não são humanas; pelo contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas".

Os textos ainda têm propostas de Lula para a economia, a partir da avaliação de que parte do eleitorado evangélico é de baixa renda. Também por isso, diferentemente da estratégia usada por Bolsonaro, a equipe petista resolveu focar na "base", nos frequentadores das igrejas, e não nas cúpulas das denominações religiosas.

Além do mutirão, serão organizados atos específicos com evangélicos. Há um previsto para ocorrer em Belo Horizonte, no dia 27. A campanha ainda tenta realizar dois eventos em São Paulo, para os quais querem a participação de Marina Silva e Alckmin, separadamente.

Os estados de São Paulo e Minas e Rio, por onde Lula começou a campanha, seguem como prioridade na reta final.

A última pesquisa Datafolha mostra que Bolsonaro recuperou os pontos perdidos na semana passada no Sudeste e se reaproximou de Lula. A diferença entre eles caiu de nove para cinco pontos percentuais na região.

A equipe do petista também se dedicará aos eleitores indecisos, principalmente de classe média. Como propostas para o segmento, citam o reajuste nas faixas de isenção do Imposto de Renda, redução de endividamento e políticas de créditos para autônomos.

Segundo o ex-governador Wellington Dias (PT-PI), boa parte dos indecisos que admitem votar em Lula são de classe média.

Será reforçada a estratégia pelo voto útil e contra a abstenção. O próprio Lula fez um apelo para que as pessoas votem durante participação no programa do apresentador Ratinho, no SBT, na quinta (22). O petista disse que é preciso votar "para ter o direito de reclamar, de xingar e de cobrar."

Coordenador de comunicação da campanha, o deputado federal Rui Falcão afirma que a orientação é lembrar a importância do voto como um direito de cada eleitor, independentemente de classe social.

A campanha também aposta em manter ou ampliar o patamar de rejeição de Bolsonaro.

O tom mais duro com críticas a Bolsonaro nas peças da campanha do petista veiculadas na propaganda eleitoral deverá ser mantido. Presidente do PT e coordenadora da campanha, a deputada federal Gleisi Hoffmann (PR) diz que é preciso reagir a "pancadas" de Bolsonaro.

"Não podemos só nós levarmos a pancada. Ele iniciou uma campanha assim, de enfrentamento ao ex-presidente, de tentativa de desconstrução, de denúncias, as fake news. Então temos que fazer uma campanha mostrando como ele é também", afirmou Gleisi.

Além de atividades de rua, a campanha aposta na mobilização virtual. Para impulsionar o engajamento nas redes, a comunicação da campanha também lançou desafios diários, que são disparados em grupos de WhatsApp.

Uma das ferramentas são os spaces no Twitter, espécie de programa de rádio na rede social. Ao menos dois deles foram veiculados na conta de Lula. Neles já foram exibidos áudios gravados de Lula, Alckmin e Dilma.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, há também um reforço na aposta pela participação de artistas e figuras públicas na reta final da campanha. Alguns artistas que declararam apoio a Lula apareceram em peça da propaganda eleitoral divulgada na quinta.

Nesta semana, também foram divulgados vídeos em que artistas pedem que as pessoas substituam o voto em Bolsonaro e o transfiram para Lula. Com o refrão "vira, vira voto, vira, vira, vira", os artistas mudam um sinal de arma com a mão, uma referência a Bolsonaro, para um "L" de Lula.

A iniciativa é do coletivo 342 Artes, encabeçado pela empresária e produtora Paula Lavigne, e da Mídia Ninja. Reúne imagens de nomes como Nando Reis, Milton Nascimento, Bruna Marquezine e Leandra Leal.

Até o momento, já foram divulgados dois desses filmetes e, segundo Paula Lavigne, mais um deverá ser veiculado na próxima semana.

Ela diz ainda que o grupo irá lançar na próxima semana outros vídeos com a hashtag "vai votar", incentivando o voto e contra a abstenção. De acordo com a empresária, essa campanha terá três recortes: mirar jovens que tiraram o seu título de eleitor neste ano, pessoas com mais de 70 anos e a classe D.

"Agora, o grande desafio é fazer a turma ir votar", diz. A equipe do petista realizará na segunda (26) um ato no formato híbrido, virtual e presencial, que terá a participação de artistas, representantes de movimentos e intelectuais.

Uma das organizadoras do evento é a socióloga Rosângela da Silva, a Janja, que é casada com Lula. Há uma expectativa de que a cantora Anitta participe.

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