NÃO DEU TEMPO

Morreu no domingo o sapateiro José Carlos de Lima, 46. Com 301 quilos, dores e falta de ar, ele teve seu drama mostrado no Comércio na quinta. Ele suplicava por tratamento; a Secretaria

20/06/2006 | Tempo de leitura: 3 min

O sapateiro José Carlos, com mais de 300
O sapateiro José Carlos, com mais de 300
Uma parada respiratória matou, domingo, na Santa Casa de Franca, o sapateiro José Carlos de Lima, 46, morador no Jardim Paulistano. A vítima pesava mais de 300 quilos e, desde o início do mês, sofria de falta de ar e dores pelo corpo, sem saber ao certo o que tinha. Seu drama foi mostrado pelo Comércio da Franca na edição de quinta-feira, em matéria dos repórteres Nelise Luques e Daniel Rodrigues, e comoveu os leitores. Na reportagem, Lima pedia por um tratamento médico especializado em obesos, porque não havia nenhuma doença diagnosticada pelos médicos. Procurado pela reportagem na quarta-feira, o secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, se restringiu a dizer que verificaria os prontuários do paciente para checar os procedimentos adotados até aquele momento e o que poderia ser feito. Se checou e se descobriu o que poderia ser feito, não agiu. Da tarde de quarta-feira, até a manhã de segunda-feira, a família disse não ter recebido nenhum contato da Secretaria de Saúde. Ontem, mais de quatro horas depois do enterro de Lima, o secretário não sabia de sua morte. Informado pela reportagem, inicialmente não se lembrou do caso. Quando se recordou, demonstrou espanto, mas era tarde. “A Secretaria de Saúde fez o que estava a seu alcance”, disse Alexandre Ferreira, referindo-se ao fato de José Carlos ter encaminhamento do NGA (Núcleo de Gestão Assistencial) para ser atendido em Ribeirão Preto. Mas, desde o dia 29 de maio esperava por uma vaga. De efetivo, o poder público nada fez pelo sapateiro. Não é possível afirmar, que o tratamento correto salvaria sua vida. Mas o descaso tirou qualquer chance, até mesmo a de, pelo menos, um atendimento digno. Nos últimos 20 dias, com o problema de saúde agravado, José passou mais de sete vezes pelo Pronto-Socorro “Dr. Janjão”. Em nenhum momento houve um diagnóstico preciso ou indicação para internação. O quadro se complicou na manhã de sábado. José Carlos precisou ser levado às pressas para o hospital com a ajuda do Resgate do Corpo de Bombeiros, que precisou de oito homens para carregá-lo até o veículo. Na Santa Casa, deu entrada por volta das 17 horas e ficou internado. “Ele estava com muita falta de ar e soltava muita água pelo corpo”, disse a vizinha Maria Inês Domenis, que na semana passada levou o caso ao jornal. No domingo, a situação piorou e José Carlos morreu às 11 horas, segundo o atestado de óbito, por insuficiência respiratória, pneumonia bacteriana e obesidade mórbida. “Quero justiça porque eles (médicos) diziam que ele não tinha nada e como pode uma pessoa que não consegue andar não ter nada? Ele morreu porque a gente não tinha dinheiro”, disse, abalada, a viúva, Neuza Batista. O casal não tinha filhos. O radialista Marcelo Valim, apresentador da rádio Difusora, também registrou o drama de José Carlos na semana passada em seu programa e se comoveu com a história. Rapidamente conseguiu um tratamento para ele no Hospital das Clínicas, em Ribeirão Preto. O atendimento começaria hoje, mas não houve tempo. José Carlos foi velado no Salão São Vicente e enterrado na manhã de ontem no Cemitério Santo Agostinho com trabalhos da Funerária Nova Franca. Para carregar o caixão foram necessários 12 homens.

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