‘Meu filho é um estrangeiro dentro de casa’, diz pai

As dificuldades de comunicação com os deficientes auditivos começam em casa.

18/04/2006 | Tempo de leitura: 2 min

O sapateiro Luis César Ferreto acha importante a formação da Apada para ajudar crianças surdas a se comunicarem: “Assim elas não passarão pelas dificuldades que tive”
O sapateiro Luis César Ferreto acha importante a formação da Apada para ajudar crianças surdas a se comunicarem: “Assim elas não passarão pelas dificuldades que tive”
As dificuldades de comunicação com os deficientes auditivos começam em casa. A família do sapateiro Luis César Ferreto, 23, convive com os obstáculos desde a infância dele e busca no improviso formas de se fazer entender. Quando ele era menor, usavam uma lousa para desenhar o que queriam dizer e agora que está alfabetizado, pode ler e escrever as frases. Se estiver correto, ele faz sinal de jóia para os pais. “Meu filho é um estrangeiro em casa. Tivemos que dar um jeito porque não sabemos muito sobre os sinais e não temos onde aprender”, disse o aposentado Luis Expedito Ferreto, pai de Luis César. O jovem estuda na sala especial da rede municipal no Colégio Champagnat e foi com os colegas de classe que aprendeu a se comunicar em Libras. Ainda assim, depende de ajuda para se expressar. Há três anos, trabalha na parte de acabamento numa fábrica de calçados, mas só conseguiu emprego porque o dono é amigo da família. “Ele é muito esforçado, trabalha bem, mas de vez em quando tenho que conversar com o patrão dele para explicar algum problema”, disse o pai. MUDANÇAS Aos 6 meses de vida, o jovem foi internado com infecção dos rins e os médicos disseram que os medicamentos causaram perda da audição nos dois ouvidos. “Ele falava um pouco, mas depois da internação ficou quieto e vimos que algo estava errado”, lembra Luis Expedito. Exames feitos em Ribeirão Preto confirmaram surdez profunda. Com as dificuldades que enfrenta, Luis César tem na formação da Apada (Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Auditivos de Franca) uma esperança. “A associação é muito importante. Vai ajudar crianças pequenas a se comunicarem e elas não passarão as dificuldades que tive. Um surdo sozinho não consegue nada, mas se nos unirmos será diferente”, disse ele na língua de sinais para a intérprete Heloísa Vallim de Melo.

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