O debate sobre a volta dos rodeios em Campinas ganhou novos contornos políticos após o arquivamento da proposta na Câmara. O vereador Arnaldo Salvetti (MDB), autor do projeto, se manifestou nas redes sociais em tom elevado e partiu para o confronto direto com colegas e representantes da causa animal.
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Um dos principais alvos foi o presidente da Comissão de Constituição e Legalidade, Otto Alejandro (PL). Salvetti resgatou declarações antigas do parlamentar favoráveis aos rodeios e comparou com a posição contrária adotada na votação mais recente. A comissão foi responsável por analisar e barrar o projeto, impedindo seu avanço. Foi Otto quem pautou o tema na última quarta-feira.

Reprodução/Instagram
O vereador também rebateu publicamente o presidente do Conselho Municipal de Defesa Animal, Flávio Lamas, que havia afirmado que a cidade não terá rodeios. Na resposta, Salvetti adotou um discurso de enfrentamento e manteve a defesa da proposta.
“Voto contra o rodeio de Campinas é contra o emprego, contra o desenvolvimento, contra o turismo na nossa cidade. Então, pessoal, vou fazer o rodeio de Campinas. Pode esperar”, afirmou. Em outro trecho, reforçou a intenção: “A lei municipal não é acima da lei federal. Se eu quisesse fazer o rodeio hoje de Campinas, eu faria, Flávio Lamas; e vou fazer o rodeio de Campinas”.
Apesar da reação, o vereador não explicou quais caminhos pretende seguir para tentar reverter o cenário, já que a decisão da comissão encerrou a tramitação do projeto dentro do atual mandato legislativo.
A proposta previa a liberação de rodeios e outros eventos com animais, com a revogação de leis municipais que proíbem esse tipo de prática desde 2003, reforçadas pelo Estatuto de Proteção Animal de 2017. O texto acabou barrado por unanimidade, diante de questionamentos jurídicos, decisões recentes do Judiciário e a atuação do Ministério Público.
Com o arquivamento, o entendimento é que o tema sofre uma trava regimental importante: uma proposta com o mesmo teor não pode ser reapresentada nesta legislatura, o que na prática adia qualquer nova tentativa para depois de 2028, com a eleição de uma nova Câmara.
A manifestação de Salvetti, no entanto, mostra que, mesmo fora da pauta formal, o assunto deve seguir como foco de disputa política na cidade, envolvendo interesses econômicos, pressão de entidades e o debate sobre bem-estar animal.
O Portal Sampi Campinas procurou o vereador Otto Alejandro que afirmou: "Acabei de ver. Realmente sou favorável ao rodeio, desde que não tenha maus-tratos a animais, mas o que discutimos foi a legalidade. Agora, se esse vereador conseguiu reverter os 5 votos que foram contrários ao rodeio no Tribunal de Justiça e também conseguiu mudar a opinião da promotoria do Ministério Público, que orientou que ele retirasse esse projeto em até 15 dias, e também conseguiu mudar o estatuto de proteção animal da cidade, aí sim dou os parabéns a ele. Caso ao contrário, é só falácia dele. Outra coisa: eu sou presidente e minha obrigação é pautar os projetos. Levamos para votação e, por 7x0, o rodeio foi derrotado. E o que será que ele está mirando? Só eu? Pois era um desejo dele que eu não pautasse esse projeto agora. Fiz minha parte, ele que lute".
Já o presidente Conselho de Defesa Animal, Flávio Lamas, disse: "como presidente do Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais de Campinas, tenho o dever a a obrigação de lutar contra todos os tipos de maus tratos. Entendo perfeitamente a revolta do vereador, mas ele precisa admitir que democraticamente e legalmente os resultados são contra esta proposta. O Ministério Público deu prazo de 15 dias para ele retirar o projeto da Câmara. Nem precisou. Por unanimidade, os 7 vereadores da Comissão de Constituição e Legalidade enterraram o projeto. No Tribunal de Justiça, perdeu também por não ter legitimidade para propor ação. E ainda assim ele diz que vai fazer rodeio. Contra a lei? Aí é caso de polícia, não é conosco".