ESCÂNDALO DO LIXO

Procuradores de Bauru defendem pareceres e cobram autonomia

Redação
| Tempo de leitura: 3 min
JCNET/Imagens
Prefeitura de Bauru
Prefeitura de Bauru

A Associação dos Procuradores Jurídicos do Município de Bauru divulgou nota pública nesta sexta-feira (30) para se posicionar sobre os desdobramentos da Operação Cavalo de Troia, do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), a Comissão Processante (CP) instaurada na Câmara Municipal e as investigações envolvendo a concessão dos serviços de resíduos sólidos (lixo). Na manifestação, a entidade defende a atuação técnica dos procuradores municipais, afirma que foram feitas ressalvas jurídicas durante a tramitação do processo e cobra autonomia institucional para a Procuradoria do Município.

Segundo a associação, os procuradores jurídicos, todos concursados e integrantes da carreira, participaram de diferentes etapas do processo de concessão dos serviços de limpeza urbana e manejo de resíduos. A entidade afirma que os pareceres emitidos apresentaram apontamentos e recomendações para adequar os procedimentos à legislação.

Entre as manifestações mencionadas estão questionamentos sobre a forma de remuneração da futura concessionária, que, segundo a associação, deveria ser revista, e a impossibilidade de criação de tarifa relacionada ao serviço por meio de decreto. Também teriam sido feitos apontamentos sobre o edital de concessão e a contratação de uma agência reguladora.

A associação ressalta, contudo, que os pareceres jurídicos têm natureza opinativa e que a decisão de acatar ou não as recomendações cabe ao chefe do Executivo e aos demais gestores responsáveis pelos atos administrativos. "A conduta dos procuradores é pautada na legalidade. A Associação apoia todos os colegas que assinaram pareceres e reafirma o trabalho técnico realizado", afirma a nota.

CRÍTICA À EX-SECRETÁRIA

Outro ponto da manifestação é a crítica a uma declaração atribuída à então secretária municipal do Meio Ambiente, divulgada pela imprensa, de que gostaria de "esfregar a lei na cara" do jurídico.

Para a associação, o parecer jurídico não pode ser tratado como obstáculo a ser contornado pela administração municipal, mas como orientação técnica exigida pela legislação antes da tomada de decisões.

A entidade argumenta que, caso um gestor discorde de uma manifestação jurídica, pode decidir em sentido contrário, desde que apresente justificativa suficientemente fundamentada.

AUTONOMIA DA PROCURADORIA

A nota também aborda a informação atribuída ao Ministério Público de que a estrutura jurídica da Prefeitura teria sido utilizada no esquema investigado por meio da atuação do então secretário de Negócios Jurídicos.

A associação afirma que a subordinação direta da Procuradoria ao secretário e a ausência de autonomia institucional podem limitar a atuação dos procuradores. Por esse motivo, volta a defender uma alteração legislativa para assegurar independência à estrutura jurídica municipal.

A entidade não detalha na manifestação qual seria o formato da mudança legislativa, mas reafirma que a autonomia da Procuradoria deve ser garantida.

Por fim, a associação informa que todos os pareceres emitidos são públicos e estão disponíveis para consulta das autoridades e de qualquer interessado. Também ressalta que os fatos continuam sob investigação e manifesta respeito ao direito de defesa de todos os envolvidos.

A Operação Cavalo de Troia investiga suspeitas de irregularidades relacionadas à concessão dos serviços de resíduos sólidos de Bauru, procedimento que também é objeto de apuração política na Câmara Municipal por meio da Comissão Processante instaurada contra a prefeita Suéllen Rosim (PSD).

Comentários

Comentários