SUPERMERCADOS

Fim da escala 6x1 preocupa Apas, que teme alta de preços

Por Priscila Medeiros | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Erlon Ortega, presidente da Apas: a entidade não quer uma substituição da CLT por horista, e sim que exista uma opção formalizada para permitir liberdade de escolha
Erlon Ortega, presidente da Apas: a entidade não quer uma substituição da CLT por horista, e sim que exista uma opção formalizada para permitir liberdade de escolha

A falta de mão de obra nos supermercados e o risco de aumento dos preços dos alimentos preocupam o setor supermercadista diante das mudanças previstas na escala de trabalho 6x1. A Associação Paulista de Supermercados (Apas) estima que a necessidade de reorganizar as jornadas e ampliar as equipes pode elevar entre 15% e 20% os gastos com a folha de pagamento. O custo adicional, segundo a entidade, poderá ser repassado aos consumidores, encarecendo as compras.

 O setor enfrenta um déficit estimado em 35 mil trabalhadores no Estado de São Paulo. Na região de Bauru, são aproximadamente 1.500 vagas que as empresas não conseguem preencher, de acordo com Erlon Ortega, presidente da Apas.

 Diante desse cenário, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), com apoio da Apas, pretende solicitar, durante a regulamentação das novas regras, a inclusão da contratação por hora como alternativa para complementar as jornadas, sem substituir os vínculos tradicionais regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). 

"Não é simplesmente repassar o custo, e sim quem contratar. Esta é a nossa grande dificuldade", afirmou Erlon ao comentar os impactos da mudança. Para ele, a combinação entre a falta de profissionais e o aumento das despesas pode pressionar os preços dos produtos.

A entidade defende que o setor tenha flexibilidade para organizar as escalas por se tratar de uma atividade essencial, responsável pelo abastecimento diário da população. A preocupação é especialmente significativa para os pequenos e médios estabelecimentos, que podem enfrentar dificuldades para manter o funcionamento regular caso não consigam preencher os horários necessários.

REGIÃO DE BAURU TEM MAIS DE 1,3 MIL VAGAS ABERTAS

Os dados apresentados pela Apas apontam que a região de Bauru reúne 1.027 estabelecimentos supermercadistas distribuídos por 58 municípios, com 30.447 trabalhadores formais. Entre janeiro e julho de 2026, o setor criou 447 postos de trabalho, sendo 121 somente em julho. Apesar das contratações, ainda existem 1.371 vagas abertas na região, conforme o levantamento da entidade. A projeção é de crescimento de 2,3% para o setor regional em 2026.

No Estado de São Paulo, a associação estima que aproximadamente 25 mil supermercados estejam em atividade, dos quais cerca de 23 mil seriam pequenos e médios. Para a Apas, esses estabelecimentos podem ser os mais afetados pela necessidade de ampliar equipes e reorganizar os horários de trabalho.

A dificuldade de contratação atinge principalmente funções diretamente ligadas à operação das lojas, como operadores de caixa, açougueiros, padeiros e repositores. Segundo Erlon, a escassez de profissionais torna mais complexa a montagem das escalas para garantir o atendimento durante toda a semana.

Apas quer incluir trabalhadores horistas

A proposta da associação é permitir que trabalhadores contratados por hora sejam utilizados para complementar as equipes em períodos específicos, como tardes de sábado, domingos e manhãs de segunda-feira.

Erlon enfatiza que a intenção não é substituir os contratos pela CLT, mas oferecer uma alternativa formal para pessoas interessadas em trabalhar por períodos menores e complementar a renda. "Não queremos uma substituição da CLT por horista, e sim que tenhamos essa opção do bico formalizado", declarou.

Segundo ele, o modelo poderia atender pessoas que atualmente estão fora do mercado formal, além de jovens que precisam conciliar o trabalho com os estudos ou outras atividades. A entidade sustenta que esses profissionais devem ter os direitos trabalhistas garantidos, incluindo férias e 13º salário, considerados na remuneração por hora.

Na avaliação da Apas, a possibilidade de formalizar atividades de curta duração também ajudaria a evitar que trabalhadores interessados em complementar a renda recorram à informalidade. A entidade defende que a regulamentação da jornada considere as particularidades do setor e permita conciliar melhores condições de trabalho com a sustentabilidade financeira das empresas.

Para a entidade, a produtividade influencia diretamente os preços praticados no varejo. Quando os custos aumentam, parte dessa pressão pode chegar ao consumidor; quando diminuem, os preços também podem ser reduzidos.

"Menos produtividade, custo elevado, maior preço", resumiu Erlon, ao defender medidas que permitam manter a competitividade dos supermercados e minimizar os impactos sobre a população.

 

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