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Setembro é o mês mundial de prevenção ao suicídio. Estamos no Setembro Amarelo, e o tema de 2026 é "Escutar é estar presente" - promovido pelo Centro de Valorização da Vida (CVV). No Rio, o Cristo Redentor se acende em amarelo, a cor da esperança. Mas antes da esperança, o fato: a OMS contabiliza 727 mil mortes por suicídio em um ano - terceira causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no mundo. No Brasil foram 16.533 em 2025: quarenta e cinco por dia, uma vida a cada trinta e poucos minutos. Entre crianças e jovens, a taxa cresceu 6% ao ano de 2011 a 2022, contra 3,7% na população geral (Fiocruz/Harvard). Não são estatísticas: são cadeiras vazias na sala de aula, na mesa do jantar, no banco da igreja.

Elias, o profeta do fogo, sentou-se debaixo do zimbro e pediu a morte: "Basta! Tira a minha vida" (1Rs 19.4). Deus não o repreendeu. Deus lhe deu sono, pão, água e uma voz mansa e suave. Leia de novo: antes do sermão, o pão; antes da doutrina, o descanso; antes da correção, o cuidado. Jó amaldiçoou o dia em que nasceu. Jonas pediu para morrer. Paulo confessou: "desesperamos até da própria vida" (2Co 1.8). O desespero já dormiu na casa dos santos.

O Salmo 42 não maquia nada: "minhas lágrimas têm sido o meu alimento", "um abismo chama outro abismo" (42.3,7). Mas o salmista faz algo decisivo - para de se ouvir e começa a se falar: "Por que estás abatida, ó minha alma? Espera em Deus!" (42.11). Foi aí que Lloyd-Jones, médico antes de pastor, localizou a cura da depressão espiritual: quase toda infelicidade nasce de escutar a nós mesmos em vez de pregar à nossa alma. E ele, que era clínico, nunca negou as causas físicas - há tristezas que pedem teologia e outras que pedem tratamento. Spurgeon, o príncipe dos pregadores, conheceu "pela mais penosa experiência" a depressão profunda, e escreveu que o ferrolho que tranca a porta da esperança só cede a uma mão vinda do céu. A Torá já havia alertado: "Escolhe a vida" (Dt 30.19). E o Talmude (Sanhedrin 4.5) ensina que quem salva uma única vida salva um mundo inteiro; salvar uma vida suspende quase todos os mandamentos.

Traduzindo para 2026: nenhuma agenda vale mais que a pessoa que desmorona ao seu lado. Previna! Ajude! Apoie! Pergunte! Escute! Perguntar não é dar sermão, é abrir a porta. Escute sem consertar, sem pregar, sem relativizar. Não deixe ninguém sozinho: acompanhe, acompanhe sempre, acompanhe até o médico. Fé e remédio nunca foram rivais - Lucas era médico e escreveu um Evangelho. E conte histórias de quem atravessou o silêncio da noite: a ciência chama isso de efeito Papageno, em referência ao personagem da ópera A Flauta Mágica, de Mozart, impedido de desistir da vida pelos amigos, que lhe mostram outra saída. Relatos de superação reduzem mortes. A esperança é contagiosa. Guarde: CVV, 188 - gratuito, sigiloso, 24 horas.

No Getsêmani, Jesus disse: "A minha alma está profundamente triste até a morte" (Mt 26.38). Cristo conhece o fundo do poço não por teoria, mas por experiência. Ele esteve lá. Cristo não tirou a própria vida: Ele a entregou. Desceu ao lugar mais escuro para que ninguém ficasse lá sozinho.

E se você carrega a dor de ter perdido alguém amado, ouça: as Escrituras jamais chamaram o suicídio de pecado imperdoável. O grande teólogo R.C. Sproul, perguntado na TV americana se um suicida poderia estar no céu, respondeu convicto: Sim. A salvação eterna repousa sobre a última palavra do Cristo: "Está consumado!" - "Nem a morte, nem a vida... poderá nos separar do amor de Deus" (Rm 8.38-39). Nem a morte. Inclusive aquela.

Então levante a cabeça: a esperança em Cristo é convicção. E se você chegou até aqui contando os dias para desistir, ouça: você não é peso. Sua vida é preciosa. Sua vida é um mundo inteiro. E salvar um mundo inteiro é o que Cristo faz de melhor. A dor mente: ela jura que amanhã será igual a hoje. A imensa maioria não teria feito aquilo se tivesse esperado vinte e quatro horas. Vinte e quatro horas! Ninguém precisa vencer a vida inteira hoje. Só precisa ficar mais vinte e quatro horas, mais um dia. E depois, mais um. Setembro vai acabar, mas a fita amarela deve durar o ano inteiro, e que os braços abertos do Redentor sejam para sempre a sua proteção. Então, fique!

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