O Grupo Pró-Bauru divulgou neste domingo (13) uma Carta Aberta à Sociedade Bauruense em que manifesta repúdio a qualquer ato de corrupção e defende a apuração rigorosa dos acontecimentos relacionados à chamada PPP do Lixo e às operações Cavalo de Troia e Mobius, deflagradas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP).
A manifestação ocorre quatro dias após a operação que investigou suspeitas de irregularidades relacionadas à destinação dos resíduos sólidos e à concessão dos serviços de limpeza urbana de Bauru e levou 6 pessoas à prisão. No documento, a entidade afirma seu compromisso com a ética, a transparência e o respeito às instituições municipais.
O grupo declara apoio ao trabalho da Justiça e do Gaeco e também defende que eventuais investigações promovidas pela Câmara Municipal observem os mesmos princípios de isenção e imparcialidade e tenham como referência o interesse da população. “Nenhuma pessoa ou empresa está acima da lei”, afirma a entidade na carta, ao reforçar a necessidade de esclarecimento dos fatos e de responsabilização, caso sejam comprovadas irregularidades.
Alertas anteriores
O Grupo Pró-Bauru afirma que vinha acompanhando e questionando o projeto de parceria público-privada para a gestão dos resíduos sólidos (lixo) antes dos acontecimentos recentes. Segundo a carta, desde novembro de 2025 a entidade solicitava à Câmara Municipal o adiamento da votação da proposta, com o objetivo de ampliar o debate com a sociedade civil.
Entre as preocupações apresentadas estavam a modelagem da concessão e os impactos de um contrato de longa duração. Em fevereiro de 2026, representantes do grupo utilizaram a tribuna do Legislativo para alertar sobre possíveis riscos jurídicos, financeiros e contratuais relacionados ao projeto.
A entidade não afirma, no documento, que esses alertas anteriores comprovem a existência de irregularidades na licitação. O posicionamento, porém, reforça a defesa de uma análise mais ampla dos contratos e das decisões que envolvem a gestão dos resíduos sólidos no município.
Disposição para colaborar
Na carta, o Grupo Pró-Bauru também se coloca à disposição dos poderes Executivo e Legislativo para contribuir com a apuração e com a busca de soluções para os problemas enfrentados por Bauru. A entidade oferece seu corpo técnico e seus conhecimentos para auxiliar nas discussões sobre o tema.
Ao final, o grupo afirma que não pretende assumir uma postura passiva diante dos acontecimentos e defende a construção de uma cidade pautada pela ética, pelo respeito às leis e pelo bem-estar coletivo.
A Carta Aberta é assinada pelo coordenador do Grupo Pró-Bauru e presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Bauru (Sincomércio), Walace Sampaio. Também integram o grupo a Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), a Câmara de Dirigentes Lojistas de Bauru (CDL), o Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico (Codese), a Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru (Assenag), o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), o Sindicato dos Contabilistas de Bauru (Sindcon), a Associação dos Maçons de Bauru e Região (Assoma) e o Rotary Club Bauru Norte.