Os crimes cibernéticos e os furtos residenciais e comerciais representam atualmente os principais desafios para as forças de segurança em Bauru e região. O alerta foi feito pelo delegado diretor do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior (Deinter-4), Ricardo Luiz de Paula Martines. Segundo o diretor, houve uma migração expressiva da conduta criminosa para o ambiente digital.
O maior volume de registros de boletins de ocorrência em Bauru refere-se a estelionatos praticados por meios eletrônicos, como a clonagem de contas de redes sociais, o golpe do leilão e fraudes na venda de veículos. "A grande maioria dos registros hoje em Bauru envolve estelionato por meio eletrônico. O criminoso migrou da abordagem de rua para os celulares", explicou Martines. O delegado destacou que a apuração dos crimes virtuais é trabalhosa e exige minucioso rastreamento financeiro e tecnológico, uma vez que quadrilhas utilizam contas de "laranjas" abertas com documentos falsos e costumam atuar a partir de outros estados ou até do exterior.
A Polícia Civil orienta a população a adotar postura cautelosa e buscar esclarecimentos preventivos diretamente junto ao Setor de Investigações Gerais (SIG) da Central de Polícia Judiciária (CPJ) ou na Delegacia de Investigações Criminais (DEIC). Denúncias anônimas e pedidos de ajuda podem ser feitos pelo número 197. Martines lembrou ainda que, após alteração na legislação, o crime de estelionato passou a ser de ação penal pública incondicionada, permitindo a atuação da polícia de forma autônoma.
Combate aos furtos e receptação
No âmbito dos crimes patrimoniais, o furto lidera as ocorrências, impulsionado em grande parte por indivíduos em situação de dependência química. Para conter esse avanço, a Seccional de Bauru atua em duas frentes: a fiscalização rigorosa de estabelecimentos de ferro-velho para combater a receptação, em parceria com a Prefeitura Municipal, e o apoio a projetos de lei voltados ao ordenamento desse comércio local.
O diretor ressaltou que alterações recentes na legislação penal e processual têm permitido a manutenção da prisão de infratores reincidentes na audiência de custódia, reduzindo a sensação de impunidade.
Quanto ao combate ao tráfico de entorpecentes, a estratégia prioriza a repressão à venda no varejo e nos bairros, modalidade que afeta diretamente o cotidiano dos moradores e fomenta os delitos de furto. "Nosso foco é atacar o tráfico local. A apreensão de grandes cargas em rodovias é importante, mas o que impacta diretamente a sensação de segurança do morador da cidade é o combate ao ponto de venda no bairro", enfatizou o delegado.
O apoio da população por meio de denúncias anônimas pelo telefone 197 ou pela ouvidoria é classificado pelo delegado como fundamental, inclusive para identificar e interromper ciclos de violência doméstica. De acordo com Martines, reforços no quadro de escrivães e o ingresso de novos delegados e investigadores aprovados em concurso permitiram elevar em mais de 40% os índices de esclarecimento de crimes e prisões efetuadas na região.
CASO RECENTE
Dulcinéia Cosmo Leizico, mais conhecida como Dulce Baté, moradora do distrito de Tibiriçá, foi vítima do mais novo golpe envolvendo o nome da plataforma Mercado Livre na última semana. Nele, o golpista envia a seguinte mensagem pelo WhatsApp: "Bom dia, tudo bem? Precisava de um favor, fiz um cadastro de vendedor no Mercado Livre e me pediram dois números para confirmar meu cadastro. Como confio em você, coloquei o seu."
Caso a pessoa não responda, ele insiste: "Conseguiu confirmar meu cadastro com o Mercado Livre?". Mas, se a pessoa responde à mensagem, o golpe evolui. De acordo com Dulce, ela respondeu à mensagem e teve o celular invadido e bloqueado. A partir daí, os problemas começaram.
Ela teve a conta invadida, foram realizados saques em suas contas bancárias e contratado um empréstimo. O prejuízo foi de R$ 15 mil. Com acesso aos contatos salvos no celular de Dulce, o golpista está entrando em contato com eles, enviando mensagens variadas e chegando a usar a voz dela para aplicar o golpe.
Segundo Dulce, amigos de várias cidades receberam a mensagem e alguns, infelizmente, acabaram caindo no golpe. "Eu quero pedir para as pessoas que me conhecem e que tenham recebido mensagem em meu nome que não respondam, pois não sou eu quem está enviando. Também quero pedir perdão a elas."