IDENTIDADE

Daniel Munduruku fala sobre educação e cultura indígena em Bauru

Por Laura Reis | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Laura Reis
O educador que transformou sua trajetória em defesa da cultura indígena
O educador que transformou sua trajetória em defesa da cultura indígena

Durante sua passagem por Bauru, recentemente, o escritor, professor e ativista indígena Daniel Munduruku participou da roda de conversa “Ao Pé do Fogo”, promovida pela Araci Cultura Indígena, que também contou com recepção ao público, sessão de autógrafos e venda de livros. Em entrevista ao JCNET, ele falou sobre sua trajetória, educação, literatura, cultura e os direitos dos povos originários. Nascido no seio do povo Munduruku, Daniel transformou sua própria história em uma missão pela valorização da cultura indígena. Ainda criança, foi levado para a cidade para estudar, experiência que, segundo ele, foi marcada por preconceitos e pelo afastamento de suas origens.

Desde cedo, Daniel queria ser professor. Para continuar os estudos, ingressou em um seminário salesiano e posteriormente chegou à universidade. Após a formação, precisou ir para Lorena, onde vive até hoje, para regularizar seu diploma e poder exercer a profissão. “Meu desejo quando criança era poder fazer com que os meus colegas entendessem o que era ser indígena, coisa que eles não sabiam, que eles não conheciam. Eu quis ser professor justamente para contar essa história.”

A vontade de ensinar também o levou à literatura. Daniel encontrou nos livros uma maneira de levar a história e a cultura indígena a um público maior, especialmente às crianças. “Uma coisa é eu estar em sala de aula com 40 crianças, ensinando a história do Brasil do ponto de vista indígena. Outra coisa era alcançar milhares de pessoas, milhares de crianças através de uma obra escrita.”

Hoje, com cerca de 70 livros publicados, ele também leva sua experiência para a política, onde é pré-candidato a deputado federal. Educação, meio ambiente e cultura estão entre os principais temas de sua atuação. “Eu me considero um educador fazendo política. Alguém que olha a sociedade que a gente vive a partir da ótica de quem educa.”

Para Daniel, valorizar a cultura brasileira também significa fortalecer o sentimento de pertencimento e garantir que os povos indígenas tenham seus territórios e suas culturas protegidos. “Os povos indígenas vêm sendo perseguidos e maltratados durante os últimos 500 anos. É preciso desenvolver políticas públicas também para proteção dessas populações.” Entre a infância como criança Munduruku, a sala de aula, a literatura e a política, Daniel mantém o mesmo propósito: contribuir para que o Brasil conheça sua diversidade e valorize suas próprias raízes.

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