MEMÓRIA E POESIA

Documentário sobre o bordado de Ibitinga estreia em 30 de julho

Por | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
Divulgação
Ao todo, cerca de 30 pessoas participaram do projeto, entre entrevistados, profissionais da equipe técnica e colaboradores
Ao todo, cerca de 30 pessoas participaram do projeto, entre entrevistados, profissionais da equipe técnica e colaboradores

Ibitinga - Celebrado em 30 de julho, o Dia Mundial do Bordado ganhará um significado especial em Ibitinga  (90 quilômetros de Bauru) neste ano. Na mesma data, às 19h30, o Teatro Municipal Darci de Biasi recebe a estreia de “Ibitinga: Bastidores da Cidade do Bordado”, um documentário que recupera as memórias, os personagens e as transformações responsáveis por fazer do município a Capital Nacional do Bordado.

Com 26 minutos de duração, o curta-metragem percorre diferentes momentos da história da atividade, desde o trabalho artesanal realizado pelas primeiras bordadeiras até a industrialização e a consolidação do bordado como um dos principais motores econômicos, culturais e turísticos da cidade. A produção também aborda a trajetória da Feira do Bordado e reúne depoimentos de historiadores, empresários, bordadeiras e moradores que participaram dessa construção.

A iniciativa de produzir o documentário partiu da Cadeia Produtiva Local dos Bordados de Ibitinga, a CPL, responsável pela realização do processo licitatório para o desenvolvimento do projeto. A cineasta Amanda Mergulhão Ferrari, formada em Cinema pela Fundação Armando Álvares Penteado, a FAAP, e mestre em Direção de Cinema pela Florida State University, assina o roteiro e a produção do material.

"A maior preocupação era não apenas contar a história do bordado ibitinguense, mas encontrar uma forma acessível, sensível e poética de apresentá-la. Queríamos que o público recebesse as informações históricas e, ao mesmo tempo, se conectasse emocionalmente com as pessoas e com as memórias que ajudaram a construir a cidade”, explica.

Da memória oral à linguagem audiovisual

O trabalho de produção começou em janeiro e envolveu aproximadamente um mês de desenvolvimento do roteiro, três meses de gravações e outros dois dedicados à edição. Ao todo, cerca de 30 pessoas participaram do projeto, entre entrevistados, profissionais da equipe técnica e colaboradores.

Entre os depoimentos apresentados, estão os das historiadoras e pesquisadoras Elza Gonçalves Racy, Fabiana Saad e Júlia Estronioli, que contribuíram para a precisão histórica da obra. O filme também reúne relatos de José Roberto Juliani, Silvina Luiza da Silva Prado, Márcia Regina de Jesus Motta, Izaltina da Fonseca, Nereide Branco, Nereide Sampaio e Valdecir da Silva, além dos empresários Oswaldo de Moraes e Manoel Roberto Alves Lopes.

As bordadeiras Luci Cunha, Rosi Alves e Arlette Regina Garcia Marcellino também participam da produção, compartilhando experiências que ajudam a mostrar como o conhecimento foi transmitido entre gerações e como o trabalho realizado inicialmente dentro das casas ganhou escala e passou a movimentar toda a cidade.

Já a bordadeira Joana Fabri, que fez uma pequena aparição no documentário, conta que conheceu o bordado aos 12 anos, quando foi trabalhar em uma casa onde as pessoas bordavam. “Foi ali que comecei a aprender sobre os riscos, os ramos e a combinação das cores e fui me encantando cada vez mais por essa arte. Depois de me casar, retomei o contato com o bordado por meio da minha sogra, que também bordava e me ensinou novas técnicas", conta.

"Trabalhei por um tempo com estamparia, mas há coisas que não saem da gente. Há três anos voltei a bordar, agora em uma máquina industrial, e, para mim, é uma verdadeira terapia. Aos 62 anos, acredito que precisamos manter o bordado industrial, mas também valorizar e incentivar o artesanal, porque foi assim que tudo começou. Participar do documentário é uma forma de ajudar a preservar e compartilhar essa história”.

Para Amanda, acompanhar todo o processo de construção do curta-metragem transformou sua própria relação com Ibitinga. Embora tenha crescido na cidade, a cineasta conta que desconhecia diversos aspectos relacionados aos estilos de bordado, tecidos, máquinas e os ciclos econômicos de décadas passadas.

“Muitas vezes, quando ouvimos um relato sobre uma época distante, aquela realidade pode parecer abstrata. O audiovisual ajuda a traduzir essas histórias, tornando-as mais próximas, didáticas e acessíveis. Depois da pesquisa e das entrevistas, passei a compreender melhor a trajetória de Ibitinga e a conversar com pessoas mais velhas sobre acontecimentos que não vivi, mas que agora consigo reconhecer. É como se passássemos a falar o mesmo idioma”, afirma.

Informação, poesia e paisagens de Ibitinga

Para ficar mais dinâmico, além dos depoimentos, o documentário utiliza recursos poéticos e imagens de diferentes pontos urbanos, rurais e turísticos do município. Duas poesias foram escritas especialmente para o filme por Amanda. Trechos dos textos foram incorporados à narrativa na voz da atriz Doda Lançone.

“A proposta foi unir informação e poesia em um filme artístico, educativo e capaz de despertar orgulho. Não queríamos produzir somente um registro cronológico, mas uma obra que mostrasse as pessoas, os lugares e os sentimentos existentes por trás dessa história. Numa sociedade tão mediatizada, acredito que estamos facilitando o acesso à informação e fazendo com que estudar história se torne mais palatável para os que não gostam de ler e nem de dar um google”, destaca Amanda.

As gravações foram realizadas com câmeras e drones em diferentes regiões de Ibitinga. Segundo a cineasta, as paisagens também desempenham um papel importante na narrativa.

“Foi uma grande aventura gravar com câmeras e drones em lugares incríveis. Se conseguimos expressar pelo menos 10% da beleza e do místico que esses lugares carregam eu já me dou por feliz”, comenta.

Uma história local com planos de alcançar o mundo

Após a estreia, “Ibitinga: Bastidores da Cidade do Bordado” deverá ser inscrito em festivais de cinema nacionais e internacionais. A expectativa é ampliar o alcance da história do município e apresentar o bordado ibitinguense a novos públicos.

“É um filme que nasce em Ibitinga, mas tem planos de voo. Queremos que a história do nosso bordado ganhe o mundo e que o documentário funcione não apenas como registro histórico, mas também como um convite para que as pessoas conheçam a cidade, sua cultura e aqueles que construíram essa tradição”, afirma Amanda.

Serviço

Estreia do documentário “Ibitinga: Bastidores da Cidade do Bordado”

Data: 30 de julho de 2026

Horário: 19h30

Local: Teatro Municipal Darci de Biasi, em Ibitinga

Comentários

Comentários