EM SABINO

Braço do Tietê: boias inteligentes começam a operar contra algas

Por | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Cetesb/Reprodução
Desenvolvida na Holanda e utilizada em cerca de 60 países, a tecnologia recebeu investimento de aproximadamente R$ 9 milhões para implantação
Desenvolvida na Holanda e utilizada em cerca de 60 países, a tecnologia recebeu investimento de aproximadamente R$ 9 milhões para implantação

O Governo de São Paulo, por meio da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), iniciou nesta segunda-feira (20) a operação de um sistema composto por 14 boias inteligentes no Córrego do Esgotão, braço do Rio Tietê, em Sabino, na região de Lins (102 quilômetros de Bauru). O projeto-piloto, que faz parte do Programa IntegraTietê, utiliza tecnologia baseada em ondas ultrassônicas para reduzir a proliferação de algas responsáveis pela chamada "nata verde" e ampliar o monitoramento da qualidade da água.

As boias emitem ondas de baixa potência, 24 horas por dia, em frequências específicas, que dificultam o desenvolvimento das algas ao impedir que elas permaneçam na superfície da água, onde recebem luz para realizar a fotossíntese. Sem essa condição, elas deixam de se desenvolver, afundam e se decompõem naturalmente, sem liberar toxinas e sem causar impactos à fauna, à flora ou às pessoas. O método dispensa o uso de produtos químicos.

Desenvolvida na Holanda e utilizada em cerca de 60 países, a tecnologia recebeu investimento de aproximadamente R$ 9 milhões para implantação. Os equipamentos são alimentados por energia solar e contam com inteligência embarcada, capaz de ajustar automaticamente a frequência e a intensidade das ondas conforme as condições da água. O sistema também possui uma estação meteorológica que monitora chuva, vento e temperatura do ar.

A estrutura foi dimensionada para atuar em uma área de aproximadamente 960 mil metros quadrados, o equivalente a mais de 130 campos de futebol, e cerca de 7 milhões de metros cúbicos de água, suficiente para abastecer 2.800 piscinas olímpicas. Distribuídas ao longo do Córrego do Esgotão, as boias formam uma rede de cobertura sobre o trecho que influencia a Praia Municipal, importante espaço de lazer e turismo da região.

Além de reduzir a proliferação de algas, os equipamentos funcionam como estações automáticas de monitoramento. Sensores acompanham continuamente parâmetros como temperatura da água, oxigênio dissolvido, pH, turbidez, clorofila e ficocianina, permitindo à Cetesb acompanhar as condições ambientais e produzir informações que irão subsidiar estudos técnicos e políticas públicas.

Moradores e visitantes também podem consultar gratuitamente as condições de balneabilidade da Praia Municipal pelo aplicativo Cetesb Mobile, disponível para Android e iOS, e pelo site da Companhia (https://appmonitoratiete.orbty.com.br/index.html). A plataforma informa se a água está própria ou imprópria para banho.

De acordo com a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, a iniciativa integra um conjunto de investimentos do Estado de São Paulo voltados à recuperação dos rios paulistas e à melhoria da qualidade de vida da população.

"A recuperação do Rio Tietê passa por um conjunto de ações integradas, como a ampliação do saneamento, o fortalecimento da fiscalização e o uso de novas tecnologias. Esse projeto representa mais um passo nesse caminho. Estamos investindo em soluções que ajudam a recuperar os nossos rios, beneficiam quem vive da pesca, fortalecem o turismo, garantem mais segurança para os banhistas e devolvem qualidade ambiental e dignidade às pessoas", destaca.

O diretor-presidente da Cetesb, Thomaz Toledo, afirma que o projeto reforça a estratégia de modernização da Companhia, aliando tecnologia, monitoramento e inteligência ambiental.

"A Cetesb vem investindo fortemente na modernização de seus processos de monitoramento e fiscalização, incorporando tecnologias que tornam a gestão ambiental mais eficiente e precisa. As boias inteligentes ampliam nossa capacidade de acompanhar a qualidade da água, geram dados para orientar a tomada de decisão e fortalecem as ações de fiscalização e recuperação do Rio Tietê."

Projeto inovador

Sabino foi escolhida para receber o projeto-piloto por registrar episódios recorrentes de florações de algas, contar com uma base consolidada de monitoramento ambiental e abrigar uma das principais praias de água doce da região.

Os primeiros resultados deverão ser observados nos próximos meses. As informações produzidas pela operação servirão para avaliar o desempenho da tecnologia nas condições do Rio Tietê e poderão subsidiar futuras iniciativas em outros corpos d'água com características semelhantes.

A chamada "nata verde" é consequência da eutrofização, processo provocado pelo excesso de nutrientes na água. O fenômeno tende a se intensificar em períodos de calor, estiagem e maior incidência de luz solar, favorecendo a multiplicação das algas. Além do impacto visual, as florações podem reduzir o oxigênio da água e comprometer a fauna aquática, além de afetar atividades como turismo, pesca, esportes náuticos e lazer.

IntegraTietê

Lançado em 2023, o IntegraTietê é o maior programa de recuperação do Tietê e seus afluentes da história de São Paulo e contempla ações de saneamento, limpeza, desassoreamento, monitoramento, fiscalização, recuperação e educação ambiental. O investimento total estimado no programa supera R$ 23 bilhões. Os resultados desse investimento já começam a aparecer em números: três dos quatro pontos de monitoramento da calha principal do Rio Pinheiros apresentaram queda de até 55% na concentração de matéria orgânica entre 2024 e 2026. No Tietê, a redução foi de 21% na carga de poluentes transportados.

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