EM BAURU

Tirso Meirelles defende Projeto Brasil para integrar agro

Por Priscila Medeiros | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Priscila Medeiros
Tirso Meirelles esteve em Bauru durante evento promovido pelo Senar, no Recinto Mello Moraes
Tirso Meirelles esteve em Bauru durante evento promovido pelo Senar, no Recinto Mello Moraes

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Faesp/Senar-SP), Tirso Meirelles, defendeu a criação de um "Projeto Brasil" voltado ao fortalecimento do agronegócio, com foco em previsibilidade econômica, crédito rural de longo prazo, infraestrutura, inovação tecnológica e segurança para pequenos e médios produtores. Em entrevista ao JC/JCNET, ele destacou que o setor enfrenta desafios ligados ao clima, ao alto custo dos insumos, ao endividamento e à logística, especialmente no Interior paulista.

Segundo Meirelles, a proposta do "Projeto Brasil" busca integrar diferentes setores da economia, como agronegócio, indústria, comércio e serviços, em torno de políticas públicas duradouras. A ideia, segundo ele, é apresentar o plano a lideranças políticas e candidatos, com o objetivo de estabelecer compromissos de longo prazo para o país.

O dirigente ressaltou que a instabilidade geopolítica internacional e falhas na diplomacia comercial têm impactado diretamente o setor produtivo. De acordo com ele, perdas bilionárias no comércio exterior acabam sendo absorvidas, em última instância, pelo produtor rural, especialmente os menores.

Outro ponto de preocupação é o crédito rural. Meirelles afirmou que as atuais taxas de juros tornam inviável a tomada de financiamento por pequenos e médios produtores, elevando o risco de inadimplência e endividamento. Para ele, o Plano Safra não deveria ser anual, mas estruturado em um horizonte de 10 a 15 anos, compatível com o tempo de retorno dos investimentos feitos nas propriedades.

A questão climática também foi destacada como um dos principais desafios do setor. Segundo ele, a imprevisibilidade do tempo, agravada por fenômenos como o El Niño, aumenta o risco de quebra de safra e reforça a necessidade de investimentos em irrigação, monitoramento meteorológico e seguro rural.

Nesse contexto, Meirelles anunciou a implantação de centros de excelência em Avaré, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Barretos, Miracatu, Mirante do Paranapanema e São Roque, com abrangência nacional, além de ações voltadas à meteorologia e ao suporte técnico ao produtor. O objetivo é oferecer maior segurança para o planejamento do plantio e da colheita.

Sobre os custos de produção, ele apontou o aumento dos preços de fertilizantes e insumos como reflexo direto da guerra entre Rússia e Ucrânia e da dependência externa do Brasil. Segundo ele, cerca de 85% dos fertilizantes utilizados no país são importados, o que pressiona os custos e compromete a rentabilidade do produtor.

A inovação tecnológica no campo também foi tema da entrevista. Meirelles destacou a criação de centros de tecnologia voltados a Big Data, inteligência artificial e bioinsumos, além de parcerias com a Embrapa para ampliar o acesso dos pequenos e médios produtores a novas ferramentas e métodos de produção.

Na avaliação do presidente da Faesp/Senar-SP, a conectividade no meio rural é outro fator decisivo para a modernização do setor. Ele afirmou que a expansão do acesso à internet nas áreas agrícolas é essencial para levar tecnologia e aumentar a produtividade no campo.

Em relação à infraestrutura, Meirelles afirmou que a deficiência logística ainda compromete significativamente o escoamento da produção. Segundo ele, o país perde cerca de 20% da produção por problemas relacionados a estradas, armazenagem e transporte.

Ao comentar a geração de empregos no interior, ele ponderou que o momento é desafiador, mas ressaltou o trabalho de qualificação profissional realizado pela entidade, com a oferta de cerca de 250 mil cursos voltados a trabalhadores e produtores rurais.

Ao final, Tirso Meirelles deixou uma mensagem de esperança ao homem do campo, destacando a resiliência do produtor rural diante das adversidades econômicas e climáticas. Para ele, a atividade agrícola segue como pilar da segurança alimentar e do desenvolvimento das cidades do interior.

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