OPINIÃO

Selic em queda: o empurrão que faltava para o mercado imobiliário

Por Bruno Pegorin Netto | O autor é diretor regional do Secovi-SP em Bauru
| Tempo de leitura: 2 min

A expectativa de início do ciclo de queda da taxa Selic, sinalizado pelo Banco Central a partir de março, representa mais do que uma mudança técnica na política monetária. Para o mercado imobiliário de Bauru e região, trata-se de um cenário que tende a destravar decisões, reacender a confiança do consumidor e aquecer, de forma mais intensa, o segmento de imóveis tradicionais voltados à classe média ao longo de 2026.

Em 15% ao ano desde junho do ano passado, a Selic tem sido um freio evidente à capacidade de compra das famílias. Juros elevados encarecem o crédito, comprimem o orçamento doméstico e empurram para frente decisões que exigem planejamento de longo prazo, como a aquisição de um imóvel.

A projeção da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) de que a taxa chegue a 12,5% ao final de 2026 altera esse horizonte. Mesmo sem cortes abruptos, a simples indicação de uma tendência já influencia o comportamento do consumidor e aumenta a confiança de que o pior ficou para trás. Soma-se a isso outro fator decisivo: com a queda da Selic, a renda fixa perde atratividade, estimulando a migração de recursos hoje alocados em aplicações financeiras para investimentos em imóveis.

A expectativa é de que a demanda cresça sobretudo na faixa intermediária do mercado, composta por imóveis tradicionais com valores imediatamente acima do segmento econômico. As taxas de financiamento desses empreendimentos foram justamente as mais impactadas pelo peso dos juros, enquanto os enquadrados no programa Minha Casa, Minha Vida sofreram menos, por contarem com recursos do FGTS e subsídios públicos.

E a região chega a esse novo momento com fundamentos sólidos. Os lançamentos recentes acompanharam a inflação, sem disparadas de preços como as observadas em outros bens duráveis, como no setor automotivo, abrindo espaço para ganhos reais aos investidores. Em 2025, somente a cidade de Bauru registrou 1.809 unidades lançadas até setembro, com predominância do segmento econômico, mas o estoque disponível também abrange o mercado tradicional, com unidades mais visadas na zona Sul.

O movimento de espraiamento urbano, impulsionado por empreendimentos horizontais mais acessíveis na zona Norte, deve continuar. Ao mesmo tempo, projetos com metragens mais elevadas testam novos limites da cidade e atendem a um público que busca espaço, flexibilidade e qualidade de vida. No campo comercial, a tendência é de absorção do estoque existente e retomada gradual dos lançamentos, puxada por escritórios, imóveis logísticos e pelo varejo de rua local.

Com um calendário tradicionalmente aquecido no início do ano — marcado por mudanças residenciais durante as férias, chegada de estudantes e reorganização do comércio —, o mercado imobiliário de Bauru e região encontra na queda da Selic o empurrão que faltava. Mais do que números, é a confiança que volta a circular. E, quando isso acontece, o setor imobiliário costuma ser um dos primeiros a sentir os efeitos.

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