OPINIÃO

O ano do cavalo no horóscopo chinês

Por Zarcillo Barbosa | O autor é jornalista e articulista do JC
| Tempo de leitura: 3 min

Para os chineses, o Ano do Cavalo de Fogo Yang, que começa no próximo sábado vai trazer mudanças bruscas que vão exigir de todos, coragem e velocidade nas atitudes. A aceleração dos processos causa estresse, o que torna a jornada penosa e exige de todos nós, sabedoria para enfrentar as complicações.

Os chineses tanto acreditam nas advertências que vêm do céu que, há milênios, nada fazem sem considerar as características do ano lunar. No taoísmo, Yin e Yang representam forças opostas. Yin é preto, terra, frio e Yang é branco, sol, calor, intelecto. É preciso saber gerenciar os opostos. Isso exige paciência, respeito e sabedoria para fazer com que os polos se complementem. O segredo é encontrar o equilíbrio entre as duas forças para gerar harmonia.

Acreditem ou não em horóscopos, no Brasil o ano será de muitos desafios com eleições presidenciais em outubro. Ninguém consegue segurar o Lula no seu ímpeto de conseguir o recorde do quarto mandato, com seu apelo popular de impacto fiscal. A dívida pública federal chegou aos R$ 8,6 trilhões, com projeções de evolução para além dos R$ 10 trilhões. O programa do incumbente - aquele que busca se reeleger - nada tem a ver com as necessidades do país, ou do seu futuro, mas com o seu projeto eleitoral. Distribuir dinheiro aos pobres, isentar do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil, gás para o povo, são benesses que atraem os eleitores das camadas mais pobres e, com eles, os votos. Ainda bem que são os mais vulneráveis os beneficiados. Do lado Yin, também é preciso sabedoria para reequilibrar ações que encarecem o custo do capital, pelo aumento da concorrência com a renda fixa de retorno elevado e risco menor. Atrás dos mais pobres os rentistas também se beneficiam sem precisar trabalhar e não sobra ninguém para pagar a conta.

O presidente do STF Edson Fachin tenta a "autocontenção" dos ministros com um Código de Ética. Alexandre de Moraes revela suas mágoas pela "injustiça" daqueles que "demonizam palestras" dadas por magistrados a troco de uma ajuda de custos. "Nenhuma carreira tem tantas proibições".

Ele sabe que as coisas não são bem assim. O que preocupa são os honorários milionários pagos à parentela com bancas de advocacia, por aqueles que têm ações no Supremo. Dizem eles: "O Supremo salvou a democracia". Tudo bem, a Justiça é cega, mas a sociedade não. Quem fumou os charutos do Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, sabe bem que a causa da indignação não são os caches das palestras. Vai ter muito trabalho a ministra Carmem Lúcia, designada por Edson Fachin para receber sugestões e redigir o código de conduta. "Temos que ser rigorosos e intransigentes com qualquer desvio ético" - Carmen levará a missão a sério.

O Carnaval vem aí. Para tudo. Depois, cinzas. No Congresso Nacional, David Alcolumbre, presidente do Senado, e Hugo Mota, presidente da Câmara, pregam "harmonia e diálogo entre os poderes", conquanto que não mexam nas emendas bilionárias. Em 2025 as "prerrogativas constitucionais" dos parlamentares custaram R$ 65 bilhões ao país. Nunca foi tão claro que os deputados e senadores conseguiram sequestrar o orçamento da República. Antes que a semana acabasse, conseguiram mais um golpe de bilhões de reais contra as finanças do país, ao aprovarem o aumento dos servidores do Senado e da Câmara acima do teto constitucional. Os penduricalhos podem chegar a 100% do salário, segundo o projeto aprovado a toque de caixa, com o acordo entre os líderes. A matéria tramitou em menos de três horas da apresentação à aprovação. Os servidores terão um dia de folga a cada três dias trabalhado, com um limite de até dez dias de descanso por mês. Quem não quiser descansar é indenizado em dinheiro, livre do Imposto de Renda. A astrologia ocidental ou a chinesa não vão dar conta de tanta impudência.

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