OPINIÃO

Quando a escola volta a pulsar

Por João Carrara | O autor é professor
| Tempo de leitura: 2 min

Há escolas que, durante as férias, não dormem: apenas respiram mais devagar. Os corredores silenciosos guardam ecos, as salas esperam e o pátio parece conter o fôlego. Mas basta o primeiro dia de aula para que tudo volte a pulsar.

O portão se abre e, com ele, a vida retorna. Não de forma súbita, mas ritmada — como um coração que desperta e encontra novamente seu compasso. A escola inspira quando recebe seus alunos; expira quando os vê circular, ocupar, provocar movimento. Cada passo apressado no corredor, cada riso que escapa antes de a aula começar, cada conversa atravessada de sonhos e inseguranças faz o prédio respirar.

A energia adolescente chega como chega a própria vida: intensa, por vezes desorganizada, quase sempre barulhenta. É ela que acelera o pulso da escola. Uma energia que questiona, que testa limites, que se frustra — e é justamente aí que mora sua força formadora. A neurociência nos lembra que o cérebro cresce no desafio, se fortalece no erro elaborado, amadurece quando aprende a lidar com a frustração sem desistir. Cada dificuldade enfrentada ao longo do ano não é um desvio do caminho, mas parte essencial dele.

Há provas que cansam, conteúdos que exigem persistência, dias em que nada parece fazer sentido. Ainda assim, é nesse atravessar que a memória se constrói — não apenas a memória do que foi estudado, mas a memória emocional do esforço, da superação, do pertencimento. O cérebro aprende melhor quando sente; e a escola, viva outra vez, é um lugar onde se sente muito.

Por isso, o retorno às aulas carrega algo de doce e de nostálgico. Um lembrete silencioso de que crescer dá trabalho, mas vale a pena. Como um coração de estudante, a escola bate forte: às vezes acelerada, às vezes cansada, mas sempre cheia de futuro. Cada ano letivo é um novo ciclo vital — feito de expectativas, tropeços, encontros e descobertas — que prepara, pouco a pouco, para a vida que pulsa para além dos muros.

E assim, entre inspirações e expirações, a escola segue viva. Não apenas porque os alunos voltaram, mas porque, com eles, voltam também os sentidos, os desafios e a esperança de formar não só mentes, mas pessoas inteiras.

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