Três décadas de polêmica.
Ufólogo reconhecido internacionalmente e autor do livro “Incidente em Varginha”, cuja segunda edição foi publicada em julho do ano passado ao lado de Fernanda Pires, Vitório Pacaccini criticou duramente a série “O Mistério de Varginha”, produzida pela Globo com coprodução da EPTV e que foi exibida nesta semana – ficará disponível no Globoplay.
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Segundo ele, a série documental em três episódios traz “mentiras” sobre a pesquisa que ele fez do episódio conhecido como o “ET de Varginha”, um dos mais famosos entre pesquisadores de extraterrestres no Brasil.
Em janeiro de 1996, a tranquila cidade de Varginha, no sul de Minas Gerais, tornou-se o foco da atencão global quando três jovens mulheres encontraram uma criatura estranha e aterrorizada em um terreno baldio.
Pacaccini, um pesquisador experiente em ufologia, assumiu a liderança na investigação do incidente e rapidamente descobriu depoimentos que sugeriam algo muito maior e muito além dos relatos daquelas três garotas. Ele descobriu que um OVNI teria caído nas proximidades e que forças militares capturaram e transportaram seus ocupantes extraterrestres.
Documentário
O caso voltou a causar polêmica nesta semana após revelações divulgadas pelo documentário, com novos vídeos e depoimentos de pessoas envolvidas com o caso naquela época.
A série levantou a suspeita de que Pacaccini teria pagado ou prometido pagar militares para dar depoimento dizendo que tiveram contato com alguma forma extraterrestre há três décadas.
Em nota de repúdio enviada a OVALE, o ufólogo critica a série e diz que nunca pagou por relatos e nem induziu depoimentos sobre o caso do ET de Varginha.
“Manifesto o meu mais veemente e absoluto repúdio à mentira levianamente propagada no documentário exibido pela Rede Globo - pertinente à nossa Pesquisa em Varginha, no qual, de forma irresponsável e jamais imaginada por mim ou pela comunidade ufológica brasileira, tentou-se imputar à minha pessoa a falsa acusação de que eu teria oferecido ou pago valores a militares para que prestassem depoimentos orientados ou direcionados no âmbito da Pesquisa do Incidente em Varginha”, disse ele.
“Declaro, de forma clara, objetiva e categórica, que jamais paguei um centavo a quem quer que seja, muito menos induzi, orientei ou manipulei qualquer testemunha a dizer aquilo que eu desejava ouvir. Tal acusação é inteiramente falsa, absurda e desprovida de qualquer lastro na realidade, configurando grave ofensa à minha honra, à minha trajetória e à seriedade do trabalho desenvolvido ao longo de três décadas”, completou.
Pacaccini contou que, desde o primeiro contato com entrevistados na época da pesquisa, ele deixou claro que a “segurança física, emocional e institucional de todos era prioridade”.
“Por esse motivo, sempre orientei que, caso em algum momento se sentissem ameaçados, coagidos ou em situação de risco, poderiam negar ou silenciar sobre informações anteriormente prestadas, sem que isso jamais resultasse em qualquer recriminação por parte minha ou de meus colegas de pesquisa”, explicou.
“Causa profunda indignação constatar que o produtor do referido documentário tenha optado por dar voz a indivíduos nefastos, já excluídos do meio ufológico brasileiro, que se aproveitaram de maneira oportunista e desonesta da situação para tentar denegrir minha imagem, bem como a de todos aqueles que, com seriedade e coragem, contribuíram para o esclarecimento do Incidente em Varginha”, completou.
Ex-militar
Pacaccini refutou a alegação feita por um ex-militar de que ele teria “oferecido muito dinheiro por seu depoimento”.
“É uma mentira grotesca e inacreditável, a qual tenho absoluta convicção de que não seria sustentada diante de mim, ‘frente a frente’. É plausível que tal narrativa tenha sido motivada por instigação de terceiros de má-fé, responsáveis por indicá-lo à produção do documentário, bem como pelo receio de eventuais responsabilizações legais por parte do alto comando do exército brasileiro, mesmo décadas após os fatos, levando-o a tentar forjar uma defesa tão frágil quanto mentirosa.”
Pacaccini destacou que o Incidente em Varginha sempre foi investigado com “postura ética, respeito absoluto às testemunhas e rigor metodológico, o que explica, inclusive, os resultados sólidos alcançados ao longo dos anos, permitindo o esclarecimento de grande parte das operações militares realizadas na cidade de Varginha, que culminaram na captura de seres não humanos”.
“Por fim, afirmo que minha consciência permanece absolutamente tranquila. Eu e meus honrados colegas de pesquisa seguiremos firmes, sem medo da verdade, convictos de que ela resiste ao tempo, às tentativas de distorção e às narrativas construídas na base da má-fé”, concluiu.

Ufólogo e escritor Vitório Pacaccini
Transtornos mentais
Além da polêmica envolvendo o ufólogo e o documentário, o episódio do “ET de Varginha” também voltou ao noticiário após a revelação de que um IPM (Inquérito Policial Militar) do STM (Superior Tribunal Militar), com mais de 600 páginas, revela que tudo não passou de um engano.
Segundo o documento, disponibilizado no site do órgão, "o episódio não passou de uma história fictícia, surgida em um dia de forte chuva", quando três jovens relataram ter visto uma suposta criatura agachada próxima a um muro, em um bairro da cidade (imagem abaixo).
Porém, o que até então era rotulado como um ET, na verdade, segundo os autos, era um homem com transtornos mentais que era conhecido por perambular pelas ruas do município, frequentemente agachado, de cócoras. Há, inclusive, fotos anexadas aos arquivos desse homem em diferentes locais.
