OPINIÃO

Um ano de crescimento tímido e desafios fiscais

Por Reinaldo Cafeo | O autor é diretor regional da Ordem dos Economistas do Brasil
| Tempo de leitura: 2 min

O Brasil inicia 2026 com um cenário econômico que exige reflexão e, sobretudo, responsabilidade. Não há como ignorar: o crescimento projetado para este ano será insuficiente para atender às necessidades do país. A expectativa é de expansão abaixo de 2%, reflexo direto de uma política monetária restritiva, conduzida pelo Banco Central, que mantém a taxa Selic em patamar elevado — atualmente em 15% ao ano — para perseguir uma meta de inflação de 3%, e não apenas o teto de 4,5%.

Essa postura conservadora tem razão de ser. Em 2025 a inflação ficou acima de 4%, próxima ao limite máximo da meta. Para 2026, as projeções indicam algo em torno de 4,1%, ainda distante do centro desejado. O Banco Central, portanto, age para conter pressões inflacionárias, mas também para garantir atratividade aos títulos públicos. Afinal, sem juros altos, quem financiaria um Estado que insiste em ampliar gastos e injetar liquidez no mercado?

Aqui está o ponto crucial: enquanto o governo federal pratica uma política fiscal frouxa, aumentando despesas e elevando a dívida, o Banco Central faz o papel de freio, tentando evitar que a inflação saia do controle. É um contraciclo que custa caro à economia real, pois encarece o crédito, desestimula investimentos e limita o consumo.

No câmbio, o dólar deve perder força globalmente, mas no Brasil a volatilidade será regra, especialmente à medida que se aproximem as eleições. Cada pesquisa eleitoral poderá mexer com expectativas: se houver sinal de compromisso com ajuste fiscal, o real tende a se fortalecer; se prevalecer a percepção de continuidade do modelo atual, prepare-se para turbulência.

A taxa de juros deve começar a cair ao longo do ano, mas ainda terminará acima de 12%, enquanto a inflação ficará abaixo do teto da meta, porém longe do centro. Em resumo, teremos um 2026 marcado por crescimento tímido, política monetária dura, política fiscal expansionista e incertezas políticas que adicionam volatilidade ao câmbio.

O Brasil precisa escolher: continuará apostando em gastos sem contrapartida ou buscará equilíbrio fiscal para destravar o crescimento? Essa é a pergunta que deve nortear o debate econômico e político neste ano decisivo.

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