OPINIÃO

EUA, Venezuela e Maduro no dia seguinte

Por Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves | O autor é dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)
| Tempo de leitura: 4 min

Vivemos o “dia seguinte” do ataque dos Estados Unidos à Venezuela, onde o presidente do vizinho país e sua mulher foram arrestados e conduzidos ao território norte-americano, para serem processados. A derrubada do governante que sofre tantas restrições, inclusive a de ter fraudado eleições para se manter no poder, soa como fato consumado. O grande ponto de interrogação está no que o governo de Washington fará com a Venezuela, hoje subjugada às suas forças militares. Quem derrubou o governo estabelecido mediante uma série de acusações, tem o dever de adotar medidas que recoloquem o país nos eixos e, principalmente, devolvam melhores condições de vida à população sofrida pelas três décadas do governo bolivariano do falecido coronel Hugo Chávez e de seu sucessor, Nicolás Maduro. E as primeiras providências já são anunciadas.

O presidente Donald Trump, dos EUA, delegou ao secretário de Estado Marco Rubio a tarefa de administrar a Venezuela como delegado norte-americano e empossou no lugar de Maduro a sua vice, Delcy Rodríguez Gómez, que assumiu na segunda-feira.  Os EUA vão se empenhar na reconstrução da prospecção e indústria do petróleo, que Chávez e Maduro destruíram por razões políticas e econômicas. As empresas norte-americanas que tiveram a estrutura nacionalizada pelos  bolivarianos serão chamadas de volta com o compromisso de investir e explorar o setor. Os recursos ali produzidos – disse Trump – deverão ser investidos no país e nas condições de vida da população, que hoje passa fome. A migração de venezuelanos ocorre desde 2014, quando a crise econômica do vizinho país se agravou. Hoje existem 7,9 milhões de venezuelanos vivendo fora do seu país, sendo 700 mil deles em território brasileiro. Se a situação nacional melhorar, boa parte deles deverá retornar.

É comentário geral que a Venezuela aprofundou a crise ao oferecer benesses a determinados segmentos da sociedade em troca de votos e vantagens políotico-eleitorais. fícios sociais com os seus recursos econômicos. A crise do petróleo eclodida em 2008 – quando também explodiu a bolha imobiliária dos Estados Unidos – promoveu o desequilíbrio e a miséria só aumentou, obrigando muitos cidadãos e familiares a buscar abrigo nos países fronteiriços. O esquerdismo exacerbado de Chávez e Maduro – ambos membros do Foro de São Paulo – serviu para agravar o quadro econômico do país e ensejou o estabelecimento de castas econômicas em detrimento do povo.

As primeiras notícias vindas de Caracas (Venezuela) e Washington (EUA) dizem  que há entendimento entre os dois países e isso poderá conduzir à regularidade. Não se fala ainda sobre como se comportarão os bolivarianos do governo deposto e de pormenores da atividade de recuperação econômica nacional. Donald Trump, no entanto, já advertiu: se não tiver forma pacífica de recuperar a nação, voltará a acionar as forças militares.

Por ora, as informações sobre o novo quadro venezuelano ainda são poucas e não permitem análises ou precisão de como a crise terminará. O presidente Trump já disse que seu objetivo é recuperar o país para o seu povo. Difícil, no entanto, saber como isso se dará e quais os obstáculos a vencer.

Há, também, a promessa norte-americana de combater o narcotráfico e atuas para mudanças na Colômbia, México, Cuba e outros países latino-americanos governados pelo viés da esquerda ideológica. Vale lembrar que o ataque à Venezuela e a prisão do seu governante gerou protestos e proselitismo diplomático mas não sugeriu em momento algum a ocorrência de reação militar. China e Rússia, as duas potências com interesse na área, apenas protestaram mas não agravaram. Até porque também têm interesses e negociações com os Estados Unidos.

São muitas as especulações sobre o que o governo de Donald Trump executará na região governada por políticos de esquerda, inclusive no Brasil. Mas é  prudente considerar que da mesma forma que as outras nações, os Estados Unidos – mesmo sendo grande potência militar e econômica, tende a resolver seus contenciosos através da negociação em vez de recorrer à força. A própria Venezuela é prova disso. Trump, mesmo considerando que não havia mais como suportar Maduro no governo de Caracas, ofereceu todas as alternativas para ele próprio renunciar e libertar o país, mas ele rejeitou e ainda desafiou a reação norte-americana que, no ultimo instante, ocorreu.

Os comentários e especulações de que o episódio venezuelano e outras possíveis ações na América  poderão detonar a Terceira Guerra Mundial não para em pé. Diferente de 1914 e 1939, quando eclodiram as duas grandes guerras, existem hoje armamentos e tecnologias que capazes de destruir o planeta em poucas horas. Quando se chega a esse ponto, esse material serve apenas para garantir o respeito ao seu detentor. Ele próprio sabe que não deve utilizá-lo porque isso poderá, além de aniquilar seus adversários,  custara sua própria vida...

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