OPINIÃO

Feminicídio e as origens do machismo

Por Pedro Valentim | O autor é colaborador de Opinião
| Tempo de leitura: 2 min

O Brasil registrou 1.492 feminicídios em 2024 (o número deste ano de 2025 ainda está em contabilização). Foram registradas 13.870 tentativas de feminicídio no mesmo período e mais de 60% das vítimas eram mulheres negras, sendo que a maioria tinha entre 18 e 44 anos.

O mais alarmante é que a maior parte dos crimes ocorreu na residência das vítimas e, em 97% dos casos, o agressor era o companheiro ou ex-companheiro. Foram contabilizados mais de 100 mil registros de descumprimento de medidas protetivas, o que demonstra falhas neste sistema de “proteção”.

Estes números acima são do Mapa Nacional da Violência de Gênero, criado pelo Observatório da Mulher contra a Violência, surgido no Senado da República. Eles demonstram que no Brasil, e no mundo, sempre houve um movimento cultural histórico de que as mulheres não podem ir longe demais e que devem estar sob controle, comando e subjugação masculina.

Isso vem de séculos, mantido por credos religiosos e filosofias machistas. Aliás, existe um livro famoso e lido por bilhões de pessoas no mundo que cita que a mulher veio da costela do homem e deve ser submissa a ele. Por exemplo, relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que mais de 40% das mulheres evangélicas sofrem violência doméstica e são proibidas de dar queixa por causa da doutrina religiosa. O máximo que podem fazer é levar o caso para os conselheiros da Igreja, compostos majoritariamente por homens. Mulheres católicas são proibidas de ordenar missas e também sofrem violência e feminicídio. A situação ocorre em todas as filosofias religiosas.

Os movimentos feministas e muitos que lutam contra o machismo preferem não questionar essas tradições religiosas, até porque sabem que questionar e contradizer dogmas gera perdas no campo eleitoral. Mas, se continuarem fazendo vista grossa e se negando a questionar uma das raízes do machismo, que é a religião, a situação pouco mudará.

PS: O STF vai discutir em 2026 a constitucionalidade das chamadas emendas impositivas de senadores, deputados e vereadores. A iniciativa é do ministro Flávio Dino, que já tem ciência da patifaria que está ocorrendo. Aqui em Bauru, estamos esperando a Secretaria Municipal de Finanças nos disponibilizar as prestações de contas dos quase R$ 50 milhões das Emendas Impositivas dos vereadores de 2023 a 2025.

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