Ex-analista do mercado financeiro, Theodora Prado, 27 anos, largou tudo para viver entre regatas, travessias e experiências imersivas no mar, após experiência em Ubatuba durante a pandemia do coronavírus.
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Ela trabalha como skipper atualmente, profissional que se encarrega de todos os serviços a bordo de um barco de lazer ou pesca, cuidando de entrega de barcos (os deliveries) e gestão de embarcações, além de realizar vivências imersivas em Paraty, Ubatuba e Ilhabela.
"Comecei a aplicar toda a bagagem de estratégia que tinha do mercado financeiro para profissionalizar esse trabalho", disse ela em entrevista ao site Glamour, no qual foi tema de uma reportagem especial.
Nascida no interior do Paraná, Theodora cresceu entre cavalos, aprendendo montaria e competindo em provas de tambor. No entanto, foi no Litoral Norte de São Paulo que sua vida mudou.

Ubatuba
Durante a pandemia, isolada na capital paulista e cansada da rotina do mercado financeiro, ela aceitou o convite de amigos para passar uns dias na costa. A mudança de ares foi definitiva.
"Em Ubatuba, decidi que queria surfar. Foi lá que fui atrás da minha primeira aula e comecei a me dedicar de verdade", contou ela à revista.
Depois do surfe, a vela entrou no radar de interesse da analista. Ela se apaixonou à primeira vista. “Lembro de pisar no veleiro e pensar: 'Isso tem que fazer parte da minha vida.' Só não sabia ainda como.”
No início, sem família ou amigos com barco, ela passou a buscar outras formas de praticar, até se encontrar no universo das regatas, onde começou a competir enquanto ainda trabalhava remotamente. Ela também morou quase dois anos a bordo de uma embarcação, sozinha.
“Foi essencial para o meu amadurecimento. Viver no mar exige planejamento, responsabilidade e coragem. O medo faz parte, mas o receio de não viver o sonho era maior”, disse.
África
Ela participou de uma travessia em grupo a bordo de um veleiro até a África, experiência que representou uma virada em sua vida. “Pensei: trabalho sempre vai ter. Mas um convite para atravessar o oceano não aparece todo dia.”
Ao voltar, Theodora teve certeza de que não queria mais estar em um escritório. Foi então que surgiu sua primeira cliente: uma mulher que havia acabado de comprar um barco e queria apenas aproveitar a experiência de estar no mar.
Hoje, aos 27 anos, ela equilibra projetos comerciais com vivências autorais e, mais do que tudo, segue em movimento. "O mar me ensinou que nada é permanente — nem a tempestade, nem a calmaria. É importante a gente saber se ajustar. Aprendi que tudo depende de como a gente olha. Já naveguei com o mar muito bravo e vi aves marinhas em paz, boiando como se estivessem numa lagoa. Aquilo me marcou: enquanto a gente se desespera, elas seguem adaptadas, fluindo."
Competição
Nesse final de ano, a velejadora que mora em Ubatuba está navegando no Atlântico Sul e colocando a bandeira do Brasil na história de uma das regatas mais tradicionais do mundo. Theodora é uma das participantes da famosa Cape2Rio, que completa 50 anos em 2025.
Ela embarcou em 27 de dezembro na maior aventura da sua vida: serão 30 dias seguidos numa regata oceânica de travessia em solitário, partindo de Cape Town, na África do Sul, até o Rio de Janeiro, no Brasil.
A competidora também entrará na história como a primeira mulher do mundo a disputar a competição em solitário. Tradicionalmente, a regata é realizada em tripulação.
"Rumo Brasil. Largamos hoje na Cape2Rio. Te encontro na Cidade Maravilhosa", publicou a velejadora nas redes sociais. "Alguns sonhos levam tempo pra ganhar forma. Outros, o mar sussurra todos os dias até que a gente finalmente escuta. Um veleiro parte pelo Atlântico Sul. A bordo, uma mulher, solo. Mais que uma regata, é a jornada que o mar me prometeu."
* Com informações do site Glamour