Bauru estará com a atenção voltada ao Fórum da cidade a partir da próxima quinta-feira (9), data marcada para o julgamento de Roberto Franceschetti Filho e Dilomar Batista. As defesas informaram ao Jornal da Cidade que não possuem interesse no adiamento da data, mas não é possível garantir que a sessão será, de fato, realizada.
Ela pode ser postergada momentos antes de seu início, por exemplo, se algum dos réus ou uma testemunha considerada essencial não estiver presente. Pessoas ligadas à Apae, contudo, têm manifestado que a concretização desta etapa representa a esperança de virar uma página dolorosa na história da instituição.
Então secretária-executiva da Apae, Claudia Regina da Rocha Lobo desapareceu na tarde de 6 de agosto de 2024, quando deixou a unidade instituição onde trabalhava, na rua Rodri- S0 Romeiro, no Centro,e embarcou em uma Spin branca. O vefculo foi localizado na manhã seguinte na Vila Dutra com sangue no banco traseiro e um estojo de pistola calibre 380 no assoalho.
Posteriormente, restou comprovado que o material biológico era da vitima e que o estojo foi deflagrado pela arma apreendida no cofre da residência de Roberto. Ele foi preso no dia 15 de agosto do mesmo ano após investigações conduzidas pela 3.ª Delegacia de Homicidios (3.ª DH) da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Bauru.
No dia 19 de agosto, Dilomar, ex-funcionário do almoxarifado da Apae, foi interrogado e confessou participação na ocultação do cadáver, além de incriminar o ex-presidente da entidade. Além de laudos periciais, a acusação dos réus baseou-se na triangulação de sinal de celular, de câmeras de segurança e contradições no depoimento de Roberto.
ÚLTIMO ENCONTRO
Segundo a 3.ª DH, ele omitiu que esteve com Claudia após ela ter saído da Apae, momentos antes de seu desaparecimento. O encontro foi revelado por imagens de uma câmera de segurança no Jardim Pagani, local em que o ex-presidente assumiu a direção da Spin.
Para a investigação, ele executou a vítima dentro do carro antes de desovar o corpo em uma propriedade rural usada para a queima de materiais inserviveis da Apae, às margens da rodovia Cezário José de Castilho (SP-321), a Bauru-lacanga. No local, foi encontrada a armação dos óculos de grau que seriam de Claudia, além de fragmentos de ossos carboniza- dos, que não apresentaram DNA em concentração mínima e resultaram em análise inconclusiva.
Amigo de infância de Roberto, Dilomar havia trabalhado naquela área antes de ser contratado pela Apae, e em abril de 2024. Ele! informou ter sido ameaçado de morte pelo ex-presidente da instituição e coagido e incinerar o corpo da vítima. Roberto, por meio de seus advogados, sempre alegou inocência. defesa afrma que não houve demonstração da materialidade do crime por não haver, nos autos, provas técnicas de que Claudia esteja morta.
Crime financeiro
Ainda em agosto de 2024, o Setor Especializado de Combate aos Crimes de Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro (Seccold) da Deic instaurou inquérito para investigar crimes financeiros contra os caixas da Apae Bauru. A apuração apontou que, em cinco anos, foram desviados mais de R$ 7,5 milhoes dos cofres da entidade e que disputas de poder vinculadas à fraude teriam motivado o homicídio de Claudia obo. Além de Roberto Franceschetti Filho, há outros 12 réus neste caso, que respondem pelos crimes de or- ganização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro.
Segundo o Seccold, os delitos envolvem superfatu- ramento de contratos, emissão de notas frias para justificar a movimentação de valores, pagamento de salários a funcionários fantasmas, empréstimo de dinheiro da entidade a terceiros com cobrança de juros e recebimento de recursos da instituição por meio de conta bancária "paralela, além de transferências diretas registradas na contabilidade a título de bonificação ou adiantamentos ao fornecedor'.