Como sempre, faço a ressalva de não ter lugar de fala para tratar do assunto, apenas um privilegiado lugar de escuta. Concordo plenamente com o professor José Vicente, reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, que a política de cotas precisa ser cada vez mais profunda e explícita, como afirmou no artigo "As cotas para negros necessitam de lei nacional" para o Estadão (4/8). O ganho nas instituições públicas pela conquista e prática da diversidade já é notório e notável. O contínuo letramento racial é tão importante quanto o científico, para não vivermos à mercê de fake news históricas e científicas. E não é destinado apenas a quem não teve acesso ao conhecimento. Pelo contrário. Assistimos a importante imortal de instituição paulista afirmar com todas as letras em encontro cultural no Vale do Paraíba que pardos não são negros e que o indígena espontaneamente se "associou" aos brancos quando das bandeiras! Uma visão dos anos 1970-1980 em pleno final do primeiro quartil do século XXI.
Da mesma forma que foi preciso e necessário o artigo dos dirigentes da Unesp, Maysa Furlan e Cesar Martins, intitulado "A força das universidades", para a Folha de S. Paulo (23/7), revelando a importância das ações afirmativas na educação. A cara da universidade pública está mudando, ainda que aos poucos, e, o que é bastante relevante, sem perder sua excelência. Ou seja, os que propalavam que a inclusão social diminuiria a qualidade estavam equivocados, pois apenas expunham - e assim continuam a expor - seus preconceitos
O autor é pesquisador da Unesp – Rio Claro