ENTREVISTA DA SEMANA

Sergio de Souza Caumo: uma vida no tatame

Por Bruno Freitas | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Bruno Freitas
Sergio de Souza Caumo, faixa coral e multicampeão no judô como atleta e treinador
Sergio de Souza Caumo, faixa coral e multicampeão no judô como atleta e treinador

Um dos judocas mais experientes e com a graduação mais alta no interior, o agora faixa-coral Sérgio de Souza Caumo, 62 anos, soma mais de meio século de dedicação profissional exclusiva à arte marcial. Por meio deste esporte, ele criou filhos, formou campeões, orientou novos professores faixa preta e contribuiu para a formação de cidadãos bauruenses. Em 52 anos de tatames, perdeu a conta de quantos alunos já passaram por ele, mas acredita que tenha alcançado cerca de 2 mil jovens e crianças, entre escolas e projetos sociais, além de treinar a equipe de alto rendimento de Bauru. Foram 20 anos como coordenador de judô da Secretaria Municipal de Esportes (Semel) e aposentadoria formal como professor. Atualmente, ele segue fazendo o que mais ama: ensinando a modalidade no Projeto Judô para Todos, no Bauru Tênis Clube, e no Colégio Domus Educandi. A ausência do pai o fez ser uma referência paterna para muitos de seus alunos, um paizão.

E ele vai além: tem como meta chegar ao ápice com a faixa vermelha, correspondente ao 9.º e 10.º dan, o que deve acontecer apenas dentro de 20 anos. São poucos os brasileiros vivos com essa distinção no judô.

JC - Como foi sua infância e por que escolheu o judô?

Caumo - Cresci na Vila Cardia e estudei na Escola Mercedes Paz Bueno. Eu até tentei jogar futebol, mas me faltava habilidade. Era bom mesmo nos golpes: chegava atrasado na bola, dava carrinhos e acertava meus amigos, sem querer, claro (risos). Sempre tive interesse por artes marciais. Meus amigos começaram a treinar, e eu fui junto. Meu primeiro professor foi o saudoso Roberto Harada, no Sesi. Minha primeira medalha foi sob seus olhares, em 1972.

JC - Como é ter uma carreira exclusiva no judô?

Caumo - Antes dos meus 18 anos, trabalhei muito como office boy e vendedor. Mas depois, como atleta, me destaquei, fiquei entre os melhores do Brasil e disputei seletivas para campeonatos mundiais e olímpicos. Peguei a faixa preta e comecei a dar aulas aos 19. Não parei mais.

JC - O que o judô trouxe para sua vida?

Caumo - A possibilidade de viver do esporte, sustentar minha família e criar dois filhos, que hoje estão na faculdade: o Gustavo Albieri Caumo (19 anos) e o João Vitor Albieri Caumo (21). Eles são excelentes no polo aquático e campeões pela ABDA. Mas o judô me trouxe também disciplina, doutrina de vida, e ensinou-me a cair e levantar. Além disso, possibilitou que eu ganhasse títulos nos Jogos Abertos do Interior em Rio Preto e conquistasse 15 ouros nos Jogos Regionais.

JC - Como foi representar Bauru e a Semel como treinador?

Caumo - Represento a cidade desde os 16 anos, primeiro como atleta e depois como técnico. Nossa equipe de judô de Bauru sempre foi muito forte e respeitada. O nosso sub-18 estava sempre entre os três melhores de São Paulo. Fui professor na Luso por muitos anos e atualmente estou no BTC, com 70 alunos, e no Domus Educandi, com mais 50. Entre meus alunos, esteve o atleta olímpico e policial militar Mário Sabino (falecido em 2019, aos 47 anos), que disputou as Olimpíadas de 2000 (Sydney, Austrália) e 2004 (Atenas, Grécia).

JC - Também foi técnico de seleção?

Caumo - Sim, fui técnico da fortíssima seleção paulista por diversos anos, representando a Federação Paulista de Judô. Conquistamos vários títulos nacionais.

JC - Como é ser uma figura paterna no judô?

Caumo - Eu e meus irmãos, Reinaldo (falecido) e Marcos, fomos criados pela nossa mãe, dona Alice Conceição de Souza. Meu pai foi ausente e não participou da nossa vida. Isso me motivou ainda mais a dar o meu melhor para meus filhos e alunos.

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  • Sergio de Souza Caumo foi professor do competidor olímpico Mário Sabino (em memória)
    Sergio de Souza Caumo foi professor do competidor olímpico Mário Sabino (em memória)
  • Caumo ladeado pelos filhos Gustavo e João  Vitor, ambos campeões de polo pela ABDA
    Caumo ladeado pelos filhos Gustavo e João Vitor, ambos campeões de polo pela ABDA
  • Caumo com alunos do Projeto Judô  para Todos, desenvolvido no BTC
    Caumo com alunos do Projeto Judô para Todos, desenvolvido no BTC

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