ENTREVISTA

Leandro Rosa: 'educação financeira é questão de saúde pública'

Por Tisa Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
Tisa Moraes
Leandro dos Santos Rosa
Leandro dos Santos Rosa

Sócio-fundador de um escritório de assessoria de investimentos iniciado em Bauru e que atualmente cuida de R$ 1 bilhão, Leandro dos Santos Rosa, 46 anos, é, mais do que um empreendedor bem-sucedido, um agente incansável da democratização do acesso à educação financeira. Além de estar à frente da GR Capital, empresa com 52 assessores em cinco unidades e quase 4 mil clientes espalhados pelo País, ele é colunista de mercado financeiro no Cidade 360, programa multiplataforma do Jornal da Cidade, JCNET e 96FM, e ainda ministra palestras gratuitas sobre o tema em escolas, empresas e até igrejas.

Nascido em São Paulo, ainda na infância mudou-se para Bauru, onde formou-se em administração de empresas pela ITE. De volta à Capital, iniciou a carreira trabalhando com implantação de sistemas informatizados em gigantes como Itaú e BMW.

Mas, em um intercâmbio nos Estados Unidos, floresceu o interesse pelo mercado financeiro e, em 2009, abriu uma mesa de operações em Bauru. Com a expansão do negócio, nasceu, em 2018, a GR Capital, empresa que hoje representa o BTG Pactual.

Na cidade, além de empreender, Leandro, com MBA em Finanças e Educação Continuada pela Fundação Getulio Vargas, também é professor de mercado de capitais na ITE e Unip. Aqui, ele também casou-se com Kamila, com quem teve Matheus, 4 anos. Nesta entrevista, o empresário revisita sua trajetória profissional, fala dos planos para o futuro revela sua paixão por música e dá detalhes sobre sua atuação no combate à falta de educação financeira.

JC - Por que veio morar em Bauru?

Leandro - Meu pai atuava na Bolsa de Valores, mas decidiu trabalhar como gerente regional de uma empresa de segurança em Bauru. Aqui, fiz administração de empresas na ITE. O Reinaldo Cafeo, com quem sempre interajo no Cidade 360, foi meu professor tutor na época em que montei e presidi a Empresa Junior da ITE, no final da década de 1990. Nela, os alunos prestam consultoria a empresas e aprendem a prática da área que estão estudando. Ali, eu já tinha um lado empreendedor, de quem gosta de fazer.

JC - Começou a carreira atuando em administração?

Leandro - Logo que me formei, em 2001, fui trabalhar em São Paulo com implantação de sistemas informatizados. Eu era o consultor que mapeava projetos para o programador fazer os softwares e fiz muitos trabalhos legais em empresas como Itaú, BMW, Baxter. Trabalhava para a Oracle e os Correios também eram clientes. Por isso, fiquei muito tempo em Brasília, trabalhando no projeto de desenvolvimento de software de licitações dos Correios. Mas, em 2004, veio o Mensalão e o projeto parou. Então, fui para os Estados Unidos estudar inglês.

JC - A migração para o mercado financeiro deu-se por influência do seu pai?

Leandro - Não, porque ele saiu da área quando eu tinha só 4 anos. Foi uma coincidência ou está no DNA mesmo. Fui fazer esse intercâmbio de seis meses na Universidade de Northridge, em Los Angeles, e tive contato com pessoas que trabalhavam no mercado financeiro da Europa. Quando voltei a São Paulo, comecei a fornecer softwares para bancos de investimento, um dele o Goldman Sachs, e me apaixonei. Fui ampliando o contato com pessoas do mercado financeiro e vi a oportunidade de montar uma mesa de operações em Bauru, onde esse segmento ainda estava começando. Então, em 2009, retornei para cá, também com o objetivo de ficar próximo à família e pela qualidade de vida.

JC - E quando abriu a GR Capital?

Leandro - Começamos pequenos, mas fomos crescendo e, em 2018, fundamos a GR Capital. Em 2021, o BTG Pactual comprou nossa operação. Hoje, somos oito sócios, temos 52 assessores e unidades em Bauru, Presidente Prudente, Assis, São Paulo e Alphaville (Barueri), onde somos representantes do BTG. Cuidamos de R$ 1 bilhão de quase 4 mil clientes e continuamos em expansão, com novas frentes de atuação no horizonte. Fazemos um trabalho muito legal de ajudar pessoas que não têm ideia de como começar a investir no mercado financeiro, dando toda segurança para que consigam. E me sinto muito orgulhoso de estar desenvolvendo esse ecossistema em Bauru.

JC - Por que decidiu fazer palestras gratuitas sobre investimentos?

Leandro - O brasileiro é analfabeto financeiramente. E, quando decide multiplicar suas reservas, o faz muito mal, em jogos de azar que estão na moda na Internet, em pirâmide financeira, e se metem em enrascadas. Hoje, um terço das famílias brasileiras está com boletos atrasados, segundo o Banco Central. Quase metade dos idosos depende da família para viver, de acordo com o IBGE. Digo que educação financeira é questão de saúde pública, porque a vida da pessoa melhora quando ela tem segurança financeira. A maior causa de divórcios é problema financeiro. Dados recentes do SPC mostraram os efeitos da falta de dinheiro, como insônia, queda de produtividade, isolamento, potencialização de vícios. Claro que a desigualdade no Brasil é enorme, mas quem tem um pouco de dinheiro pode aprender a investir. Então, uso a capacidade de me comunicar de forma simples para difundir essa mensagem. Nesta semana mesmo, dei palestra em uma igreja de Jaú. Já fui em escola, em chão de fábrica. Entendo que cada um deve contribuir como pode para a sociedade.

JC – E nas horas vagas, o que gosta de fazer?

Leandro - Tocar teclado. Meu pai tocava muito bem violão clássico e, com uns 15 anos, comecei a frequentar a igreja e quis entrar na banda. Fui aprender teclado e toquei por um bom tempo na Paróquia São José Trabalhador. Na adolescência, também tive banda de rock. Foi uma época bem bacana. Hoje, em casa, quando dá tempo, toco violão, teclado. Também estudei piano popular. Brinco que minha meta, futuramente, é me mudar para o litoral e ficar tocando na praia. Claro que não tenho tanto talento para viver profissionalmente de música, mas, no mercado financeiro, temos clientes no Brasil inteiro. Então, posso continuar trabalhando de forma online e viver no litoral no futuro.

O que diz o empresário

‘Não tive influência do meu pai porque ele saiu da Bolsa de Valores quando eu tinha só 4 anos. Foi coincidência’

‘Educação financeira é questão de saúde pública. A vida da pessoa melhora quando ela tem segurança financeira’

‘É possível aprender a investir e uso a capacidade de me comunicar de forma simples para difundir essa mensagem’

Leandro em uma de suas palestras
Leandro em uma de suas palestras
Leandro em 2006, quando estudou nos EUA e se interessou pelo mercado financeiro
Leandro em 2006, quando estudou nos EUA e se interessou pelo mercado financeiro
Leandro com a esposa Kamila e o filho Matheus
Leandro com a esposa Kamila e o filho Matheus
Leandro compartilhando com o filho Matheus uma de suas paixões: a música
Leandro compartilhando com o filho Matheus uma de suas paixões: a música

Comentários

1 Comentários

  • Nilton Santos 23/06/2024
    Frequentamos o mesmo grupo de jovens na igreja,um homem do bem,Deus abençoe sempre.