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Inflação, filha de computador!

(*) N. Serra
| Tempo de leitura: 2 min

O Governo Federal está num dilema quanto à implantação de novas formas, que ardentemente deseja, no trato das coisas econômico-financeiras do País. Segundo fontes do Palácio Alvorada, muitos de seus técnicos, que aspiravam introduzir tais modificações a partir do próximo janeiro ou fevereiro, começam a descartar a perspectiva, ao passo que outro tanto já não acredita na sua viabilidade nem mesmo no decurso de julho do novo ano, quando, espera-se, a inflação poderia situar-se em patamares suficientemente exigentes, mas que agora, para determinar as medidas em estudo, tal como estiveram em vezes anteriores.

Talvez por isso as análises específicas estejam sendo desenvolvidas morosamente, denunciando a intenção do Governo de verificar melhor o atual comportamento da moeda nacional e, fundado nas conclusões, poder definir a época ideal para a iniciativa. Seja como for, o que não padece dúvida é que a nossa economia precisa de acertos, quer em busca de proveitosos efeitos psicológicos, que não poucos técnicos colocam como razão primeira para a providência que outros países periodicamente adotam também, seja com o objetivo de simplificar tecnicamente as operações, cada dia mais difíceis devido ao contínuo avanço do esticamento inflacionário. Raciocine-se que se os computadores governamentais demoram para mostrar à União os caminhos que precisam ser seguidos, imediatamente, para que a problemática possa ser contornada, o que acontecerá se os índices continuarem periclitando na forma como vêm empreendendo? Certamente, eles deverão passar de 7% no novo exercício, ficando mais um pouquinho acima da meta sonhada pelo presidente - adverte o ministro Pedro Malan, o que é nada mais nada menos que um problema estremecedor porquanto - completa o titular da Fazenda - o País não experimenta uma inflação como essa desde a primeira década dos distantes anos 50. Qual a alternativa? Manutenção de uma política de responsabilidade fiscal, de absoluto controle do gasto público e da adequação da receita à despesa. Então, para conter o enfraquecimento da moeda em 2002 terá o Governo de apagar seus sofisticados avaliadores eletrônicos e partir firmemente para uma ação realmente efetiva, porquanto esperar que a iluminada telinha opere o milagre da transformação será total perda de tempo, ainda que se ironize dizendo que a menina inflacionária é filha bastarda da fertilíssima mãe-computação. E quem seria o seu pai... ? É a nossa opinião.

(*) O autor, N. Serra, é o Jornalista Responsável do JC e Delegado Regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

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