São Paulo - A Polícia Federal (PF) informou ontem que apreendeu o passaporte de seis gerentes da unidade de “private banking” do banco suíço Credit Suisse em São Paulo. Todos eles estão impedidos de deixar o País sem consentimento prévio da Justiça. Anteontem a PF prendeu o gerente internacional para negócios do Brasil do Credit Suisse, Peter Schaffner, quando ele tentava embarcar para o exterior no Aeroporto Internacional de São Paulo (Guarulhos). Existe a suspeita de que ele tenha tentado fugir do País.
A PF também informou em nota que as investigações criminais da “Operação Suíça” começaram em dezembro e que já “foram obtidos fortes indícios de que os suspeitos efetivamente estavam atuando de modo ilegal, proporcionando a remessa ao exterior de grandes somas de valores de origem suspeita, pertencentes a brasileiros e estrangeiros residentes no país, fato esse que, em tese, pode configurar crimes de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha”.
Para os policiais, o escritório de representação em São Paulo operaria de “modo ilegal” com a captação de “clientes interessados em abrir e movimentar contas bancárias numeradas no exterior, em especial na Suíça, a fim de amparar remessas não autorizadas de divisas, dissimuladas em forma de operações de compra de títulos de capitalização”.
As operações suspeitas foram realizadas pelo escritório de representação do banco em São Paulo, que está vinculado diretamente à matriz na Suíça, localizado na avenida Brigadeiro Faria Lima 3.400, e não pelo banco de investimentos Credit Suisse com sede no Brasil.
Com autorização do juiz Fausto Martins de Sanctis, da 6.ª Vara Criminal Federal em São Paulo, na última terça-feira a PF apreendeu computadores e documentos nesse escritório e também em quatro imóveis residenciais pertencentes aos suspeitos com o objetivo de procurar provas dos supostos crimes.
“Todos os mandados foram cumpridos simultaneamente, ocasião em que foram apreendidos diversos documentos, microcomputadores portáteis, discos rígidos de computadores e outros objetos que ora estão sendo analisados”, afirmou a nota.
A PF identificou os seis gerentes cujos passaportes foram apreendidos apenas como R.C.H. (cidadão suíço, 40 anos, gerente-regional), C.M.S.M. (cidadão luso-suíço, 37 anos, gerente-geral), J.S. (cidadão suíço, 34 anos, gerente de contas), D.A.L. (cidadão suíço, 35 anos, gerente de contas), S.L.A. (brasileira, 46 anos, gerente de contas) e M.C.A.M. (brasileira, 41 anos, gerente de contas).
Segundo a PF, eles só poderão sair do país com autorização da 6.ª Vara Criminal “a fim de evitar que frustrem a aplicação da lei penal caso sejam considerados culpados pelos crimes ora investigados”. Peter Schaffner, preso em Cumbica, foi identificado pela PF apenas como P.S., 50 anos, responsável na Suíça pelo escritório brasileiro do Credit Suisse. Segundo a PF, ele foi preso às 17h de quarta-feira em cumprimento a ordem judicial de prisão temporária e pode permanecer detido por até cinco dias.
A polícia informou que ele havia chegado ao Brasil na semana passada e tinha retorno marcado para a Suíça para daqui a duas semanas, mas antecipou seu regresso logo após a execução dos mandados de busca no escritório em São Paulo, “atitude essa que motivou a decretação de sua prisão temporária”.
A PF informou que ainda vai ouvir depoimento dos investigados, outros funcionários do banco em São Paulo e clientes que estavam no escritório no momento da busca. O banco de investimentos Credit Suisse publicou ontem nota de esclarecimento em jornais brasileiros em que afirma ainda desconhecer a “natureza da investigação” da Polícia Federal sobre sua unidade de “private banking” (voltado a clientes de alta renda), chamada Credit Suisse Representações Ltda.