Tribuna do Leitor

Preocupante falta de conhecimento de um inventor


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Quando cidadãos desconhecem as instituições que fazem parte da sociedade a que pertencem, faz-se necessária uma profunda reflexão. Em razão do texto "Segurança! Vai Sonhando!" (A Tribuna do Leitor-JC, dia 09 de setembro, pág. 30), de autoria do sr. Maurílio Fábio de Camargo, que, aliás, consta em nossos arquivos como ex-policial militar, a Polícia Militar lamenta o que, em princípio, parece ser uma total falta de conhecimento do missivista, quiçá um propósito premeditado de instigar negativamente, porque suas informações induzem o leitor a ter uma ideia totalmente equivocada da Polícia Militar do Estado de São Paulo e de seus comandantes.

Preferimos acreditar que sua escrita foi embasada "no ouviu dizer"; "no achismo"; sem qualquer conhecimento atual da Instituição Polícia Militar do século XXI, de 2012, já que deixou nossas fileiras no ano de 199..., pois evidentemente seria uma leviandade muito grande alguém que conhece a instituição escrever e publicar tamanha aleivosidade em um periódico de grande circulação como este.

Em que pese talvez não valer a pena discutir tamanha incongruência, como atual comandante do CPI-4, unidade responsável pela segurança de cerca de 2 milhões de cidadãos, que abrange 89 municípios, nos quais operam 154 unidades menores, 3.292 policiais militares e 634 viaturas, cumpre-me o dever de pelo menos tentar atualizar o ex-PM Maurílio sobre o fato de que a Polícia Militar conta hoje com quase 100 mil homens e mulheres dos quais 61 são coronéis (grupo seleto do qual me orgulho de pertencer) que, diuturnamente, desdobram-se, superando dificuldades e obstáculos dos mais variados, visando a implementar as necessárias ações de polícia visando à possibilitar a segurança de todos, indistintamente.

O coronel de Polícia Militar, numa linguagem atual, pode ser considerado como "um executivo de polícia", de modo que não dispõe somente de um a viatura para deslocamentos, mas também de telefone celular funcional, "note-book" e "i-pad", justamente para, mesmo nos deslocamentos, poder ser localizado, manter-se conectado, receber e transmitir ordens em tempo real e solucionar problemas iminentes, muitos dos quais não podem esperar.

Contudo, nenhum coronel, pelo menos da Polícia Militar do Estado de São Paulo, dispõe de segurança 24 horas, ao contrário do que afirma V.Sª (afirmação esta que terá oportunidade de ser provada em juízo). Dispomos sim da mesma segurança que tem o cidadão comum, porque a PM trabalha 24 horas nos 365 municípios do Estado protegendo a população.

Cabe-me reforçar que esses aproximadamente 100 mil homens e mulheres, pais e mães de famílias, incluindo os 61 coronéis são oriundos da sociedade e tem como principal ferramenta de trabalho a lei e, dessa forma, jamais agiriam da maneira descrita pelo sr. Maurílio, pois assim sendo, incorreriam em crime. A Polícia paulista acompanha a evolução da sociedade, apenas sua estética é militar, hoje adota critérios técnicos e a tecnologia para realização do policiamento e quem gerencia tudo isso é o coronel que tem de prestar contas dos resultados criminais de sua área não só para seus superiores, mas para a sociedade de modo geral.

Quanto aos helicópteros, seria interessante nosso missivista visitar nossas unidades, bases de aeronaves, o próprio Grupamento Aéreo, pois hoje, neste ano de 2012, a Polícia Militar conta, entre os seus 61 coronéis, 3 pilotos que serviram no Grupamento Aéreo salvando inúmeras vidas, realizaram o transporte de inúmeros órgãos para transplante, salvando mais vidas e apoiando o policiamento, todavia, nenhum de nós tem direito à aeronave e aos outros absurdos citados.

Quanto ao Poder Judiciário, entendo que seja bem mais prudente de vossa parte, antes de concluir inverdades, analisar as diferenças substanciais das carreiras em análise e as condições que cada uma oferece aos profissionais que as escolhem. Compare tudo muito bem, sob pena de ter que responder judicialmente pelas afirmações infundadas.

Aproveito a oportunidade para convidá-lo para visitar a Polícia Militar, conhecer como funcionam os atuais Comandos de Área e até o Comando Geral, se não para relembrar o período em que aqui prestou serviços (porque imaginamos que talvez não tenha boas lembranças, já que sabemos que o senhor não se adaptou às ações de polícia na linha de frente, pois só prestou serviços administrativos), pelo menos para que Vossa Senhoria tenha conhecimento suficiente para falar da PM paulista e sobre seus integrantes de forma mais balizada de uma próxima vez.

Coronel Maximiano Cássio Soares, comandante do CPI-4

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