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Cerca de nove meses após a Secretaria Municipal de Saúde iniciar a descentralização da pediatria, os números comprovam que existia uma demanda reprimida para tanto. Para se ter uma ideia, a UPA do Geisel/Redentor, a primeira a receber pediatras, atende, hoje, aproximadamente 40% da urgência e emergência em relação a crianças na rede pública do município.
Até junho do ano passado, todo a demanda era levada a um só local, o Pronto Atendimento Infantil (PAI). A demora para o atendimento gerou críticas na época e a Prefeitura de Bauru enviou projeto de lei pata a Câmara Municipal pedindo a autorização para contratação de médicos pediatras na UPA do Geisel/Redentor e do Ipiranga, através da Fundação Regional de Saúde. O projeto foi aprovado, e em julho, a UPA do Geisel/Redentor passou a atender as crianças.
O processo de descentralização, contudo, ainda está longe de ser concluído. Na última semana, moradores da região Oeste protestaram para que a pediatria seja instalada na UPA do Ipiranga. Apesar da contratação já estar autorizada, como o município está acima do limite fiscal, não pode contar com novos profissionais.
"Assim que sair do limite, vamos fazer as contratações para a UPA do Ipiranga. Isso é necessário porque será preciso contratar médicos, através da Fundação, e também enfermeiros e técnicos, diretamente pela prefeitura. Mas, atualmente, só podemos fazer nomeações para substituir servidores que se aposentam ou em casos de falecimentos, e lá não se trata de substituição, mas de ampliação de equipe", afirma o secretário municipal de Saúde, José Eduardo Fogolin..
O local também terá que passar por adaptações. "As UPAs do Geisel/Redentor e do Bela Vista são maiores e já tinham uma estrutura para receber a pediatria. No caso do Ipiranga, vamos ter que fazer algumas adaptações, para a sala de hidratação das crianças. Mas conseguiremos levar esse atendimento para lá, só não temos um prazo definido por conta do limite fiscal. A descentralização do atendimento é uma meta nossa e a população também vê esse processo de maneira positiva, tanto que os moradores daquela região estão pedindo o atendimento", lembra.
BELA VISTA
Desde o começo de março, o atendimento que era realizado no PAI foi transferido para a UPA do Bela Vista, a maior da cidade, por conta da reforma do PS Central. No primeiro mês atuando no novo local, a Secretaria Municipal de Saúde detectou aumento da procura.
Em janeiro deste ano, foram 3.302 atendimentos no PAI e, em fevereiro, mais 3.515 consultas. Em março, primeiro mês em que o serviço foi levado para a UPA do Bela Vista, foram 5.255 atendimentos, além dos 3.279 atendimentos feitos na UPA do Geisel/Redentor.
A prefeitura ainda avalia como ficará a situação da pediatria na UPA do Bela Vista após a conclusão da reforma no Centro, mas há chance de o atendimento continuar em definitivo. "Futuramente, a ideia é que tanto o PSC quanto o PAI sejam destinados a atendimento de casos graves e espera de internação, e o restante da demanda seja feita de forma descentralizada. No caso da pediatria da UPA do Bela Vista, é possível que continue, porque já é nosso objetivo ter a pediatria nas quatro UPAs, vamos depender agora do tempo que vai demorar para a conclusão da reforma no PAI, para ter quantidade de equipe nos dois locais", menciona.
Se conseguir manter a pediatria no Bela Vista, e com o Geisel/Redentor em funcionamento e o Ipiranga como próxima unidade a receber pediatras, restará ainda a implantação na UPA do Mary Dota, o que também está nos planos, afirma o secretário, além da retomada do PAI para casos graves, frisa.
Aumento gradativo da procura
A Secretaria de Saúde constatou aumento gradativo da procura pela pediatria na UPA do Geisel/Redentor. Em julho do ano passado, primeiro mês com consultas infantis, foram 1.811 atendimentos. Em agosto, já passou para 2.182; em setembro, para 3.046; e, em outubro, para 3.350. Em novembro, foram 3.825 e, em dezembro, 4.094 atendimentos no local.
Com duas portas de entrada para a pediatria, o PAI teve redução do número de atendimentos. Até junho do ano passado, quando o PAI era o único local, houve meses com mais de 7 mil atendimentos e pico de mais de 8 mil, em maio. Em junho, foram 6.801, e, a partir de julho até dezembro, a média mensal ficou entre 4 mil e 5 mil. De acordo com a prefeitura, os números mostram que a quantidade total de procura na pediatria segue na mesma média, de até 8 mil atendimentos mensais, mas, agora, distribuídos em dois locais, o que contribuiria para reduzir o tempo de espera.
Nos dois primeiros meses deste ano, a UPA do Geisel continuou com cerca de 40% dos atendimentos, e o PAI com o restante. Em março, a procura aumentou com a mudança do PAI para a UPA do Bela Vista, mas ainda seguiu na mesma proporção, pois também houve mais atendimentos no Geisel.
