| Jairo Alves da Silva/Sinserm |
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| Advogado do Sinserm, José Francisco Martins, e Valdecir Rosa, um dos diretores do sindicato, em reunião com parte do efetivo de agentes de trânsito, nessa quarta-feira (18) de manhã |
Quem atua no Grupo de Operações de Trânsito (GOT) teve a jornada de trabalho alterada nesta semana. Segundo a Emdurb, a medida visa dobrar o número de agentes nas ruas para fiscalização e orientação. Anteriormente, eles trabalhavam 12/36 horas (12 horas de trabalho contra 36 horas de folga). Agora, todos passam a ter que trabalhar de segunda a sábado para cumprir as 44 horas na semana, fato que desagradou a categoria.
Nessa quarta-feira (18), a diretoria do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm) foi acionada até a sede do GOT, que fica na quadra 10 da rua Cussy Júnior, Centro da cidade, para discutir a alteração. Foram apontadas, entre outras questões, condições precárias do prédio para acomodar um maior número de pessoas por dia.
O sindicato deve protocolar, ainda nesta quinta-feira, documento solicitando uma reunião com a diretoria da empresa municipal. Caso o pedido não seja aceito, a categoria promete interromper as atividades, destacou um dos diretores do Sinserm, Valdecir Rosa.
Gerente de infrações de trânsito da Emdurb, Gustavo Cardoso explica que o edital do concurso público para contratação de agentes - quando o GOT foi instituído no município, em 2005 -, já previa jornada de trabalho de 44 horas semanais. Entretanto, um acordo coletivo teria alterado para 12/36 horas, com validade de dois anos.
Atualmente, ainda segundo Cardoso, são 42 agentes para atender demanda de toda a cidade, como intervenções viárias, fiscalizações de trânsito e orientações. Estudo realizado pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), inclusive, aponta necessidade de ter um agente para cada 2 mil veículos, cita o gerente.
"Em Bauru, há uma frota, hoje, de 280 mil veículos, sem contar os flutuantes (de fora da cidade). Havia muita reclamação da população de falta de efetivo em relação à demanda do município. Portanto, decidimos pela mudança de jornada. Com isso, dobramos o número de GOTs nas ruas, diariamente", frisa.
Cardoso detalha que, com a mudança, a escala de trabalho contempla três turnos. Às 6h, entram oito agentes, que ficam até as 14h30 nas ruas. Esse primeiro efetivo recebe reforço a partir das 9h, quando mais 25 funcionários começam as atividades, até as 17h20.
Às 16h30, outros quatro agentes iniciam a última escala do dia, que se encerra às 0h30. Apenas quatro agentes permanecem em jornada 12/36 horas. Isto é: os dois que trabalharam ontem, por exemplo, folgam hoje, quando os outros dois cobrem a função.
"Há, ainda, o chefe do GOT, que atua em horário administrativo, das 8h às 17h30. No domingo, só precisa de profissional para atuar nas ciclovias ou em algum evento esporádico. Então, quem trabalha nesse dia recebe 100% em hora extra", detalha Gustavo.
NÃO AGRADOU
A mudança na jornada de trabalho não agradou os agentes. Valdecir Rosa, que é um dos diretores do Sinserm, disse que a alteração gerou vários problemas. Ele alega que parte dos funcionários interrompeu as atividades nesta quarta, das 9h às 11h20, para discutir o assunto com membros do sindicato.
"Agora, fica mais gente na sede e o prédio não comporta tantas pessoas. Há apenas dois banheiros, um masculino e outro feminino; não tem assentos suficientes para eles no refeitório; não há espaço para todos no vestuário. Alguns aproveitavam o intervalo de um dia de serviço para o outro para fazerem bicos e tiveram que abrir mão disso", elenca.
Advogado do sindicato, José Francisco Martins também critica. "Agora, todo domingo vai ter que pagar hora extra. Ou seja, ficou ruim para o agente de trânsito e também dá mais gasto para a administração".
Gustavo Cardoso rebate dizendo que a Emdurb está respeitando a legislação, já que a atividade prestada pelos GOTs não é 100% administrativa. "São três turnos. Quem chega, por exemplo, se arruma, come algo e vai para a rua. A maioria não almoça na sede, ou seja, não ficam todos no prédio ao mesmo tempo", destaca.
REUNIÃO
O sindicato que representa a categoria cobra uma reunião com a diretoria da empresa municipal, para discutir melhores condições de trabalho. Um documento com a solicitação deve ser protocolado ainda hoje.
“Queremos discutir a mudança na jornada, já que havia promessa do presidente da Emdurb em manter 12/36 horas. Também queremos falar sobre o que poderá ser feito em relação às condições precárias da sede e dos equipamentos de trabalho”, adianta Valdecir Rosa.
Em nota enviada pela assessoria de comunicação, a empresa municipal disse que, até o final da tarde de ontem, o pedido do sindicato ainda não havia sido protocolado. Destacou que vai esperar o conteúdo do documento para decidir pela reunião.
