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Pesquisa inédita contra a leishmaniose ganha atenção de pesquisador da Nasa


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Priscila Medeiros/Divulgação
O cão Menino, de Neide Martins, recebeu uma das coleiras

Nessa sexta-feira (27), o pesquisador PhD Jeffrey C. Luvall, da Nasa (Agência Nacional Americana), estará em Bauru para conhecer a pesquisa "Encoleiramento Inverso", que, conforme o JC noticiou com exclusividade na última sexta-feira (20), visa combater a leishmaniose sem eutanasiar os cães infectados.

O pesquisador norte-americano virá à cidade para conhecer a pesquisa e auxiliar, através de dados da Nasa - que desenvolve projetos em parceria com a Unesp de Presidente Prudente -, na comparação das regiões participantes do projeto.

A Secretaria de Saúde, através da Divisão de Vigilância Ambiental, iniciou o estudo piloto, que é pioneiro em todo o País, na semana passada. O diretor do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), Luiz Ricardo Paes de Barros Cortez, é o responsável pela pesquisa, que foi aprovada pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, parceira do estudo, e Instituto Adolf Lutz.

Atualmente, as pessoas usam coleira com deltametrina em cães saudáveis como método preventivo para espantar e matar o mosquito-palha, vetor da leishmaniose. "A ideia do projeto é usar essa coleira em cães diagnosticados com a doença. A eutanásia existe justamente para evitar que outros animais sejam infectados e este equipamento terá a mesma função. Então, o cão pode adoecer e morrer ou se recuperar após tratamento", explicou Cortez, em entrevista na semana passada ao JC.

O projeto está sendo desenvolvido no Núcleo Isaura Pitta Garms, Parque Giansante e Chácara São João, onde as coleiras estão sendo distribuídas a cães infectados.

Depois, os índices serão comparados com o Núcleo Gasparini, onde o controle está sendo realizado de acordo com as normas do Ministério da Saúde. "Escolhemos estes bairros para serem trabalhados de formas diferentes por que apresentam características semelhantes, são afastados, possuem população canina grande e estão em região de mata", informa Luiz Cortez.

Um dos cães que recebeu a coleira é Menino, de 9 anos. "Os agentes da Zoonoses vieram e colheram o sangue. Depois, trouxeram o resultado de que ele estava com leishmaniose. Acho que esse projeto é importante para nós, para a nossa casa e para o cachorro. Antes, era preciso eutanasiar. E a gente ia morrer junto, né? Porque a gente ama ele", conta Neide Martins de Campos, a dona do Menino.

UM ANO

Menino e os outros cães que receberão a coleira serão monitorados pelos agentes do CCZ. O projeto tem a duração de um ano. Os dados científicos coletados neste período, caso sejam considerados positivos, serão encaminhados ao Ministério da Saúde, como proposta de alternativa para o combate da leishmaniose.

"Hoje, o método de combate a leishmaniose, que é a eutanásia, não está se mostrando eficaz. O que contribui para isso é que o modo de ver os cães pelos proprietários mudou, e ele passou a ser considerado um membro da família, o que causa a recusa da eutanásia. Com essa pesquisa, buscamos dados científicos de que a coleira pode evitar que o mosquito pique o animal. Esta pesquisa está sendo bem aceita pela população porque vem ao encontro dos anseios dos proprietários e a ética do bem-estar animal", explica o diretor do CCZ.

Por seu pioneirismo, simplicidade e custo baixo, a pesquisa chamou a atenção do pesquisador norte-americano.

Voltou a matar

A leishmaniose é algo que preocupa e muito. Conforme noticiado pelo Jornal da Cidade, depois de mais de três anos, Bauru voltou a registrar uma morte pela doença. Trata-se de um homem de 42 anos, morador do Núcleo Eldorado (região do Jardim Araruna), que faleceu no dia 8 de janeiro deste ano - porém, o caso só foi divulgado no dia 19 de abril pela Secretaria Municipal de Saúde. O diagnóstico da vítima foi notificado em 31 de dezembro do ano passado. A morte de humano por conta da doença havia sido registrada na cidade pela última vez em 2014.

 

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