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'Antes de ser mãe, a mulher deve utilizar um método anticonceptivo'

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 4 min

Malavolta Jr.
Rossana Pulcineli Francisco, que esteve em Bauru, é a primeira mulher a presidir a Sogesp

Com a proximidade do Dia das Mães, muitas mulheres se questionam sobre o melhor momento para se tornar uma e a presidente da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp), Rossana Pulcineli Francisco, acredita que a anticoncepção seja uma forma de planejar a época mais adequada para engravidar. Neste fim de semana, a médica participou de um evento em Bauru.

De acordo com Rossana, o ponto mais importante na hora de tomar esta decisão é escolher o melhor momento para tanto, fato que não depende apenas da saúde física da mulher. "Eu gostaria que as pessoas entendessem que a anticoncepção é uma forma de planejar a época mais adequada para engravidar", reforça.

Para ela, a mulher deve estar em um bom momento de vida, afinal, quanto maior a sua estrutura, mais fácil passará por esta situação.

"Isso torna-se essencial se você tiver algum tipo de doença, como diabetes ou hipertensão. É possível engravidar, mas você precisa se cuidar antes de fazê-lo", adverte.

A presidente da Sogesp diz, ainda, que a maternidade deve ser aproveitada da forma mais plena, com os melhores resultados possíveis. "Eu queria que todo mundo olhasse para este momento com um cuidado muito especial e, realmente, planejasse a melhor hora para engravidar".

O EVENTO

Segundo a médica, a Sogesp tem a função de qualificar e atualizar o médico obstetra e ginecologista, bem como manter a classe unida e valorizada. "Com isso, garantimos às mulheres uma saúde de melhor qualidade", defende.

Visando a qualificação profissional, a Regional Centro-Oeste da associação realizou um evento no último dia 5, na Casa do Médico, em Bauru, onde estiveram reunidos 97 profissionais da área. Na ocasião, foram discutidos casos clínicos reais sobre a mortalidade materna em todo o Estado de São Paulo.

Para se ter uma ideia, 39 mulheres, em São Paulo, morrem a cada 100 mil nascidos vivos. "É um dos números mais baixos do Brasil, mas a sua estabilidade nos preocupa. Nós temos de ter como objetivo, pensando em todo o Estado, que é forte economicamente, derrubar estes índices", complementa.

As principais causas de morte materna no Brasil - e, no Estado, não é diferente - são a hipertensão arterial (principalmente a pré-eclâmpsia, durante a gestação), a hemorragia e a infecção. "Precisamos conscientizar a população, para que possamos identificar tais complicações rapidamente e fazer com que as pacientes sejam bem atendidas pelos médicos. Eles, por sua vez, devem estar qualificados. O sistema hospitalar também precisa estar estruturado", recomenda.

PRIMEIRA MULHER

Por incrível que pareça, a Sogesp - entidade que discute a saúde feminina - foi fundada em 1989 e nunca teve uma mulher em sua presidência, até o dia 15 de janeiro deste ano, quando Rossana assumiu. "Talvez, uma coisa que mude um pouco seja ter um olhar mais voltado à sociedade, para que cada um possa fazer a sua parte em prol da saúde da mulher", pontua.

Atualmente, a Sogesp possui aproximadamente 5 mil associados em todo o Estado e é dividida em nove regionais.

Médica faz alertas sobre o parto domiciliar e diz não ser favorável

O parto domiciliar está em alta entre as famosas. A modelo Gisele Bündchen é mãe de Benjamin e Vivian, nascidos em casa. Rossana Pulcineli, porém, alerta que parto domiciliar e parto humanizado não são sinônimos. Ela, inclusive, faz ressalvas sobre o procedimento feito em casa.

De acordo com a médica, o Ministério da Saúde preconiza que o parto seja feito da forma mais respeitosa possível, conversando sobre as expectativas da gestante e transformando o ambiente hospitalar em um lugar acolhedor. "A humanização que a gente defende e busca é esta, sem abrir mão da segurança".

Alguns países trabalham com parto domiciliar, mas têm regras bem claras. "Aconselha-se, por exemplo, que, só depois de um parto bem-sucedido, a pessoa pode fazer o próximo em casa. Além disso, quem está habilitado, tecnicamente, para realizar o procedimento é a enfermeira obstetra ou o médico obstetra", informa.

Rossana esclarece, ainda, que o parto domiciliar é para quem não tem nenhuma doença e o feto também não pode desenvolver qualquer complicação. "Outro ponto muito falado é que você deve ter uma estrutura hospitalar para lhe acolher em casos de complicação, bem como um deslocamento possível e rápido da mulher até o hospital", afirma.

Por isso, a médica defende que o parto domiciliar não tem a mesma segurança do hospitalar. "Os eventos que podem acontecer em obstetrícia são gravíssimos e levam à morte materna ou fetal. A probabilidade disso acontecer é baixa, mas, quando ocorre, é grave. Por isso é que nós não somos favoráveis ao parto domiciliar. O próprio Ministério da Saúde não recomenda ou se responsabiliza pelo parto domiciliar, assim como o Conselho Federal de Medicina", finaliza.

 

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