Piracicaba vive uma transformação no setor bancário. Em dez anos, a cidade perdeu 25 agências, passando de 60 unidades em 2016 para 35 em 2026 — uma redução de 42% na estrutura física, segundo dados do Banco Central do Brasil.
O movimento acompanha o avanço dos serviços digitais, mas já provoca impactos no dia a dia da população.
Além das agências, os postos de atendimento também diminuíram: caíram de 118 para 73 no período, conforme levantamento do Banco Central. A retração reforça a tendência de redução no atendimento presencial.
Com aplicativos e internet banking dominando as operações, bancos apostam na praticidade e no acesso 24 horas como principais vantagens para os clientes.
Apesar da modernização, nem todos conseguem acompanhar esse avanço. Idosos e pessoas com pouca familiaridade com tecnologia ainda dependem das agências físicas.
Na prática, muitos relatam dificuldade para resolver problemas apenas pelos canais digitais e acabam enfrentando filas maiores nas poucas unidades restantes.
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Com menos agências, cresce a demanda nas unidades em funcionamento. Do ponto de vista trabalhista, o Sindicato dos Bancários de Piracicaba e Região (SindBan) aponta uma combinação de impactos, como transferências de funcionários, desligamentos — muitas vezes por meio de programas de demissão voluntária — e aumento da sobrecarga para quem permanece, com acúmulo de funções e metas mais exigentes.
Por outro lado, a Federação Brasileira de Bancos afirma que a redução do atendimento presencial acompanha a queda proporcional da demanda nas agências. Segundo a entidade, não há sobrecarga, mas sim uma adaptação às novas necessidades do setor, com a tecnologia contribuindo para otimizar as atividades dos trabalhadores.
A redução reacende discussões sobre acesso aos serviços bancários.O ideal seria um equilíbrio entre tecnologia e atendimento presencial para evitar exclusão de parte da população.
Enquanto isso, bancos seguem investindo no digital como principal caminho para o futuro do setor.