O Coletivo 'Domurixá, Mojubá!' anunciou que deixará de utilizar as dependências da Casa de Cultura Caipira Zé Mira, em São José dos Campos. A decisão foi divulgada por meio de um comunicado publicado nas redes sociais e, segundo o grupo, foi motivada por episódios considerados discriminatórios e de intolerância religiosa ocorridos durante atividades realizadas no espaço.
De acordo com o coletivo, a parceria com a Casa de Cultura foi encerrada formalmente após uma reunião realizada na terça-feira (4) com representantes do Instituto José Mira, responsável pela gestão do imóvel.
No comunicado, o grupo afirma que os problemas teriam começado em janeiro deste ano. Na ocasião, segundo o relato do coletivo, uma mulher identificada como filha de José Mira, teria questionado integrantes do coletivo sobre as atividades desenvolvidas no local, utilizando expressões que, na avaliação do grupo, demonstrariam preconceito contra religiões de matriz africana.
O coletivo também relata um segundo episódio, que teria ocorrido em junho, durante uma formação destinada a professores sobre a aplicação das leis federais que determinam o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira, Africana e Indígena nas escolas.
Segundo a publicação, a filha de Zé Mira teria entrado no espaço durante a atividade e feito um comentário considerado pejorativo. Para o coletivo, as situações demonstraram desrespeito às atividades desenvolvidas e aos participantes.
Diante dos episódios, o 'Domurixá, Mojubá!' informou não considerar mais possível permanecer no espaço e comunicou o encerramento da parceria e da utilização da Casa de Cultura para ensaios e outras atividades.
O grupo afirmou ainda que pretende formalizar a situação junto à FCCR (Fundação Cultural Cassiano Ricardo), responsável pelas políticas públicas de cultura em São José, além de comunicar órgãos ligados à promoção da igualdade racial.
Na publicação, o coletivo destacou que a manifestação não teria caráter de hostilidade, mas de registro público dos motivos que levaram à decisão. O grupo também defendeu a necessidade de ambientes culturais pautados pelo respeito à diversidade religiosa, cultural e étnico-racial.
OVALE aguarda a manifestação da Casa de Cultura Zé Mira -- o espaço segue aberto e a matéria será atualizada quando houver um posicionamento da espaço.
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