Tempo em que a praça Rui Barbosa era absurdamente frequentada. No seu entorno estendido o “footing” (“fúti”) corria solto com as meninas bem arrumadas indo-e-vindo sem parar. Já a criançada permanecia na área interna nas proximidade do coreto e da Fonte Luminosa, que esguichava jatos d’água iluminados pelos holofotes estrategicamente instalados no leito, no qual carpas variadas e igualmente coloridas se divertiam. De vez em quando uma leve brisa provocava nuvem de vapor, que se espalhava pelo ao redor para refrescar rostos avermelhados pelo exclusivo calor africano de Araçatuba.
O chafariz da Fonte, no centro da piscina e também iluminado, era, apenas por sí, atração bastante para arejar os espíritos que a circulavam, felizes de dar dó. Nas suas margens, meticulosamente implantadas, se achavam as esculturas de bronze de pequenos e simpáticos sapos, chamados carinhosamente pelos frequentadores de menor idade de “sapinhos”. Disponíveis a distância segura para serem tocados pelas pequenas mãos de crianças sorridentes. Eu, naquela fase distante da vida, sempre me considerei uma delas...
Não sei dizer se o projeto teve inspiração na famosa Fonte do Sapo, de Santos, tida como a pioneira com esse desenho e inaugurada em julho de 1943. Ainda existe restaurada e preservada na avenida Bartholomeu de Gusmão, na orla, para alegria dos moradores e visitantes daquela cidade praiana, borrifando água o dia todo pelos 128 bicos instalados no chafariz e iluminada automaticamente no início da noite até às 24h. Isso sim é cidadania!
Já por aqui, num belo dia — modo de dizer de um trágico dia — e sem aviso prévio, nossa fonte luminosa sumiu. Sumiu com ela o chafariz e, para tristeza da molecada, os sapinhos que a ornamentavam. Ninguém até hoje esclareceu o mistério. Ninguém sabe quem levou e nem para onde foram levados. Ninguém acusa ninguém e ninguém apura tão insidioso crime contra o patrimônio público. Com isso a cidade perdeu parte fundamental da sua memória urbana. Com o tempo, sumiram também as crianças que admiravam os sapinhos da linda Fonte Luminosa. Eu, inclusive!
Jeremias Alves Pereira Filho é sócio de Jeremias Alves Pereira Filho Advogados Associados. Especialista em direito empresarial e professor emérito da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Araçatubense nato.
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